O Nubank (NU;ROXO34) divulgou, nesta segunda-feira (27), que investirá R$ 45 bilhões no Brasil apenas em 2026, o que representa mais do que o dobro do valor anunciado nos últimos dois anos. Segundo o comunicado, parte do montante será usada para expandir a área de crédito, com modelos de concessão baseados em inteligência artificial (IA) e fortalecimento da base financeira.O aporte bilionário ocorre num momento em que o Brasil segue como o principal mercado da dona do cartão roxinho: são 113 milhões de clientes, ou mais de 60% da população adulta.Esse valor, de acordo com o Nubank, abrange o “conjunto das atividades econômicas da companhia no país”, como reinvestimento dos resultados gerados pela operação brasileira, investimentos em infraestrutura tecnológica, além de despesas operacionais e tributos recolhidos.Entre os focos da instituição financeira, estão:Desenvolvimento de plataformas e modelos de crédito baseados em inteligência artificial;Lançamento de produtos e serviços;Ampliação de times estratégicos e da rede de escritórios pelo país, com mais de R$ 2,5 bilhões destinados à infraestrutura ao longo dos próximos cinco anos;Fortalecimento da base financeira, incluindo capital próprio e capacidade de crédito, para sustentar o crescimento das carteiras.A empresa já havia anunciado, cabe lembrar, investimentos de R$ 2,5 bilhões em escritórios no Brasil com o fim de sua política home office.Além do Brasil, a companhia planeja expandir sua atuação no México, onde já atende 15 milhões de pessoas, e na Colômbia, com mais de 4 milhões de clientes e um ritmo acelerado de crescimento.A empresa também avança para obter uma licença bancária no Brasil em 2026 e, como parte desse processo, associou-se à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no último mês.Nubank terá crescimento arriscado?Enquanto o Nubank avança em seus investimentos, o mercado aguarda os resultados para entender se essa expansão virá acompanhada de mais riscos.Em relatório recente, o Safra coloca Nubank (ROXO34) e Banco Inter (INBR32) sob uma lente mais exigente — e deixa claro que, agora, o lucro isolado já não basta para sustentar a tese.O primeiro trimestre quase sempre traz uma pressão adicional sobre a qualidade do crédito. É um movimento conhecido, quase automático, ligado ao aperto no orçamento das famílias após o fim de ano.Mas, desta vez, o Safra vê algo além do padrão sazonal. Segundo os analistas, há sinais de uma deterioração mais disseminada nos atrasos dentro do sistema financeiro — o que muda o peso da análise. Não se trata apenas de saber se a inadimplência subiu, mas por que ela subiu.“A próxima rodada de resultados deve ajudar a diferenciar o que é efeito sazonal do que pode indicar uma deterioração mais estrutural”, avaliam os analistas.