As ações das construtoras recuam em bloco na bolsa de valores (B3) nesta segunda-feira (27) em meio à notícia de que o governo federal deve lançar, nos próximos dias, o programa Desenrola 2.0, que poderá permitir o uso de dinheiro do FGTS para a quitação de dívidas.A informação foi publicada mais cedo pelo jornal Folha de S.Paulo, que apurou, junto a integrantes do Ministério da Fazenda, que os recursos poderão ser utilizados apenas para cobrir o total do débito — e não para amortização.Em outras palavras, se uma pessoa tiver uma dívida de R$ 100 e saldo igual ou superior a esse valor no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, poderá usar o dinheiro para liquidar o débito. Do contrário, o saque não será permitido.Ainda assim, as ações de MRV (MRVE3), Direcional (DIRR3), Tenda (TEND3), Plano & Plano (PLPL3) e Cury (CURY3) caíam 3,29%, 3,07%, 5,72%, 6,56% e 4,61%, respectivamente, às 11h50 (horário de Brasília).Ações de algumas construtoras nesta segunda-feira (27) (Imagem: reprodução tradingview)Setor se opõe à liberaçãoNo início de março, o segmento da construção civil já havia se posicionado contra a proposta em estudo pelo governo de liberar parte dos recursos do FGTS para o pagamento de dívidas.Segundo empresários do setor, a medida gera preocupação porque o FGTS é a principal fonte de recursos (funding) para a compra e construção de moradias no Brasil, especialmente dentro do Minha Casa, Minha Vida (MCMV).A Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) emitiu uma nota na qual manifesta “forte preocupação” com as discussões em curso. De acordo com a entidade, a medida pode reduzir significativamente o volume de recursos disponíveis para o financiamento da casa própria, afetando principalmente a população de menor renda.“É preciso cautela para não descaracterizar o papel do FGTS. Estamos falando de um instrumento essencial para o acesso à moradia. Qualquer medida que reduza sua capacidade de financiamento traz impactos diretos sobre o déficit habitacional, o emprego e o crescimento econômico”, afirmou o presidente da Abrainc, Luiz França, no documento. Minha Casa, Minha Vida recebe aporte de R$ 20 bilhõesNo último dia 15 de abril, cabe lembrar, o governo federal anunciou um aporte de R$ 20 bilhões para ampliar o funding das contratações de moradias destinadas a famílias enquadradas na faixa 3 do Minha Casa, Minha Vida.Com os novos recursos, que terão como fonte o Fundo Social do Pré-Sal, o orçamento total voltado à habitação deve alcançar R$ 200 bilhões em 2026.A expectativa é de que o reforço ajude o governo a cumprir a meta de entregar 3 milhões de moradias contratadas pelo MCMV até o fim da atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2023–2026). Para este ano, o objetivo é entregar 850 mil unidades habitacionais.De acordo com o governo, o uso de recursos do Fundo Social evitará uma pressão sobre o FGTS.*Com informações do Estadão Conteúdo