SP oferece R$ 36 mil para salvar árvore ameaçada de extinção

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Ameaçada de desaparecer nas próximas décadas, a araucária (Araucaria angustifolia) enfrenta um cenário crítico. A espécie pode perder grande parte de seu habitat até 2070 e sobreviver apenas em pequenos refúgios, segundo estudo da Universidade de Reading, no Reino Unido, caso não haja medidas efetivas de conservação. Diante desse risco, o Governo do Estado de São Paulo lançou um edital inédito que prevê o pagamento de até R$ 36 mil por produtor rural e até R$ 250 mil para organizações que atuem na preservação da espécie.A destruição de seu habitat, a intensa e predatória exploração madeireira, somado às mudanças climáticas, são algumas das razões que ameaçam a continuidade da espécie. Não à toa, seu corte é altamente restrito. Entretanto, a araucária, que é nativa da Mata Atlântica, produz o pinhão, uma semente que, além do grande potencial nutricional e energético, gera renda para milhares de pequenos produtores. Só no Paraná, a cadeia produtiva do pinhão movimentou R$ 25,7 milhões em 2024.Apesar de ser uma árvore símbolo do Sul do Brasil, a araucária, também conhecida como pinheiro-brasileiro, já foi abundante em terras paulistanas e segue presente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, em especial, na Serra da Mantiqueira. Buscando estimular produtores rurais e organizações da sociedade civil a apoiar sua conservação, o governo de São Paulo lança o Pagamento por Serviços Ambientais Araucária (PSA Araucária).Pagando para salvar a araucáriaO Sesc Interlagos tem cerca de 640 araucárias. Foto: Tiago LimaPodem participar do PSA Araucária organizações provedoras de serviços ambientais, como associações, cooperativas, ONGs e outras organizações sociais, contanto que existam há pelo menos 12 meses antes da publicação do edital e atuem na conservação da araucária em Cunha.Já no caso dos produtores rurais, podem se inscrever aqueles que, dentro do prazo do edital, apresentarem a seguinte documentação exigida: Manifestação de interesse preenchida; Documentos pessoais (RG e CPF); conta no Banco do Brasil em nome do inscrito; Declaração da Gestão do PESM Núcleo Cunha; Cadastro na Agricultura Familiar (CAF), se houver; Imóvel inscrito no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e comprovado vínculo documental com a área por meio de contrato, escritura ou matrícula do imóvel.O processo de participação envolve realizar a inscrição dentro do prazo e reunir toda a documentação que comprove a identidade do participante e sua relação com o imóvel rural, além de atender aos critérios ambientais do programa. Leia também: 1.Embrapa clona araucária de 700 anos que tombou no Paraná 2.Araucária deve ser extinta em 2070, diz estudo Desenvolvimento sustentávelO edital do Pró-Araucária foi estruturado pela Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), que pretende estimular a restauração, o uso sustentável e a cadeia produtiva do pinhão no estado. O programa se soma a iniciativas já existentes, como a flexibilização das regras de coleta do pinhão, implementada em março de 2023. Com essa medida, São Paulo se tornou o primeiro estado do país a permitir a coleta da semente fora do período tradicional, antecipando a atividade para antes de 15 de abril – data que, desde 1976, marcava o fim do período de proibição.As substâncias presentes no pinhão têm capacidade de estimular probióticos, ou seja, microrganismos benéficos para um ecossistema intestinal saudável. Foto: Zig KochO programa de Pagamento por Serviços Ambientais apoia a bioeconomia ao remunerar produtores e organizações que adotem ações como conservação de árvores existentes, plantio de mudas, restauração de áreas de preservação permanente e implantação de pomares.A moradora de Cunha-SP, Euza Monteiro, de 73 anos, reforça a importância do cultivo e da preservação: “Se a gente arrumar tudo direitinho, é uma coisa boa, porque daqui a pouco não tem pinhão. Se não plantar e não cuidar, vai acabar – e já está acabando. Agora que está tendo o projeto, é plantar para colher”.Pinhão em CunhaO projeto-piloto será implantado na Zona de Amortecimento do Parque Estadual da Serra do Mar, em Cunha, região que concentra mais de 95% da coleta de pinhão no estado e reúne condições favoráveis à conservação da espécie. Foram coletadas pelos produtores rurais da região mais de 1.100 toneladas de sementes entre 2023 a 2025, segundo dados do Semil.O edital prevê a participação de produtores rurais, especialmente agricultores familiares e pequenos produtores, além de organizações sem fins lucrativos ligadas à conservação da araucária e à cadeia produtiva do pinhão.“A proposta é trazer soluções sustentáveis e sociais dentro do meio ambiente, com um olhar atento à conservação de uma espécie essencial para a Mata Atlântica com o apoio das próprias comunidades locais”, explica Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal.Foto: DivulgaçãoO estado já conta com outros 61 grupos de PSAs em operação, beneficiando cerca de 1,4 mil famílias em iniciativas de conservação, restauração produtiva e manejo sustentável. Entre os destaques estão o PSA Mar Sem Lixo, PSA Juçara, o PSA Guardiões das Florestas e o PSA Refloresta.The post SP oferece R$ 36 mil para salvar árvore ameaçada de extinção appeared first on CicloVivo.