A curva de juros futuros encerrou as negociações desta terça-feira (28) em queda, na contramão do desempenho dos títulos norte-americanos, com ausência de avanço nas negociações entre EUA e Irã e expectativa para a ‘Super Quarta’. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, caiu 20 pontos-base e fechou a 14,115% ante 14,135% do ajuste anterior.Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 13,580% ante 13,615% do fechamento anterior. A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 13,600% ante 13,650% do fechamento da última segunda-feira (28), uma queda de 5 pontos-base. Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, registraram alta.O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – terminou a 3,838% ante 3,805% do ajuste anterior.Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – caiu a 4,348% ante 4,336% do fechamento anterior.O que mexeu com os DIs hoje? Os investidores continuaram a precificar o cenário geopolítico na curva de juros futuros, À Reuters, uma autoridade norte-americana disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, está insatisfeito com a última proposta iraniana para resolver a guerra de dois meses. Trump também disse que o Irã afirmou estar em estado de colapso e quer que os Estados Unidos abram o Estreito de Ormuz o mais rápido possível.No Brasil, o mercado reagiu, ainda que em segundo plano, à prévia da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou para alta de 0,89%, depois de subir 0,44% em março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a taxa mensal mais elevada desde fevereiro de 2025 (1,23%).O resultado, porém, ficou abaixo das estimativas do mercado. A surpresa baixista esteve concentrada em itens voláteis, especialmente passagens aéreas. Na avaliação da Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, esse movimento tende a ser temporário.“A principal surpresa baixista concentrou-se em passagens aéreas”, afirma a profissional, acrescentando que a tendência é de reversão parcial diante do avanço da guerra e seus impactos sobre o querosene de aviação.“Pela manhã, foram dois drivers: o global e o IPCA-15, que puxaram as taxas dos DI para cima. Contudo, a falta de drivers à tarde levou à acomodação da curva”, disse Lais Costa, analista de renda fixa da Empiricus.Super QuartaAmanhã (29) é a ‘Super Quarta, dia marcado por decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil. Por lá, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA, deve manter os juros inalterados pela terceira vez consecutiva. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado precifica 100% de chance de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% desde a véspera.O mercado espera alguma sinalização do Fomc sobre possível choque inflacionário da guerra no Oriente Médio, com a escalada dos preços do petróleo.Essa também é a última decisão do Fed sob o comando de Jerome Powell. O mandato dele deve encerrar em 15 de maio, após oito anos na presidência do BC norte-ameicano.Até agora o indicado por Trump ao cargo, Kevin Warsh, não foi sabatinado pelo Senado.Por aqui, o mercado espera um novo corte na Selic de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa básica de juros de 14,75% para 14,50% ao ano, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. As ações do Copom negociadas na B3 precificavam 90,5% de probabilidade de corte de 25 pontos-base na próxima semana, contra 2,5% de chance de redução de 50 pontos-base, de acordo com a atualização mais recente, da última segunda-feira (27).Essa decisão, excepcionalmente, será tomada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e os demais cinco diretores. O diretor de diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, participará da decisão devido ao falecimento de um familiar em primeiro grau. Além disso, há duas cadeiras vagas no BC: a diretoria de Política Monetária e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, com o fim do mandato de Diogo Guillen e Renato Dias de Brito Gomes em janeiro. *Com informações de Reuters