É isso que está agora a acontecer com os Certificados de Aforro. A taxa voltou a subir depois de meses de descida, acompanhando a evolução da Euribor a três meses. Este índice serve de base ao cálculo da remuneração deste produto de poupança do Estado.Como a Euribor influencia os Certificados de AforroAs taxas Euribor não são fixas nem evoluem sempre no mesmo sentido. São valores de mercado que variam diariamente, refletindo as expectativas dos bancos sobre a economia, a inflação e a política de juros na zona euro. Por isso, é normal que num mesmo dia a Euribor a três, seis e doze meses possa subir ou descer de forma diferente. No caso dos Certificados de Aforro, interessa sobretudo a Euribor a três meses, que é a referência usada no cálculo da sua remuneração — o que significa que variações de curto prazo podem acontecer, mas o efeito relevante é sempre o da tendência média ao longo do tempo.Assim, a ligação entre estes dois indicadores é direta. A taxa base dos Certificados de Aforro é calculada com base na média da Euribor a três meses observada nos dias úteis anteriores ao final de cada mês, até ao limite máximo definido pelo Estado.Na prática, quando a Euribor sobe, os juros dos certificados também tendem a subir.Isso quer dizer que o mesmo indicador que pesa no orçamento das famílias com crédito à habitação pode, ao mesmo tempo, aumentar o rendimento de quem decidiu aplicar poupanças nestes títulos do Estado.Nos últimos anos, a Euribor passou de valores negativos para níveis significativamente mais elevados. A mudança aconteceu depois de o Banco Central Europeu ter aumentado as taxas de juro para travar a inflação na zona euro.Esse ciclo de subida teve um impacto imediato nas prestações da casa em Portugal, onde uma grande parte dos créditos à habitação está indexada à Euribor. Mas o mesmo movimento também devolveu alguma atratividade a produtos de poupança que estavam praticamente esquecidos durante a era de juros baixos. Porque os Certificados de Aforro voltaram a atrair portuguesesEntre esses produtos estão os Certificados de Aforro, emitidos pelo Instituto de Gestão do Crédito Público, que continuam a ser uma das formas de poupança mais utilizadas em Portugal.Existem várias razões para essa popularidade: capital garantido pelo Estado português; atualização regular da taxa de juro; possibilidade de investimento com valores relativamente baixos.No atual contexto de incerteza económica e volatilidade nos mercados financeiros, muitos pequenos aforradores continuam a privilegiar produtos considerados seguros.O que pode acontecer aos juros das poupançasApesar da subida recente, o rendimento dos Certificados de Aforro continua dependente da evolução futura da Euribor. Se as taxas de juro na zona euro começarem a descer de forma mais consistente, algo que alguns analistas antecipam para os próximos anos, a remuneração destes títulos poderá voltar a diminuir.Para já, porém, o efeito é claro: o mesmo indicador que retirou rendimento disponível a muitas famílias através do aumento das prestações da casa está também a aumentar os juros de uma das poupanças mais tradicionais do país.Assim, torna-se numa espécie de ida e volta do dinheiro ditada pela Euribor.O conteúdo A mesma Euribor que tira dinheiro da carteira pode devolvê-lo nas poupanças aparece primeiro em Revista Líder.