Onde está Oruam? Rapper está foragido e é alvo de nova operação contra o CV

Wait 5 sec.

Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o rapper Oruam, sua mãe, Márcia Nepomuceno, e Lucas, irmão do rapper, foram alvos de mandados de prisão e busca e apreensão por policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) nesta quarta-feira (29). Eles são considerados foragidos da Justiça. Marcinho VP, líder do Comando Vermelho e pai do artista, também é alvo de um mandado de prisão preventiva. Ele já está preso há quase 30 anos.A ação é mais uma etapa da Operação Contenção, iniciada em outubro do ano passado com o objetivo de desarticular o braço financeiro do Comando Vermelho, responsável pela movimentação e ocultação de recursos oriundos do tráfico de drogas no estado do Rio de Janeiro.Oruam está foragido da Justiça desde fevereiro por descumprimento de medidas cautelares. Ele usava tornozeleira eletrônica desde setembro de 2025, quando foi solto após passar quase dois meses preso, acusado de tentar impedir uma operação policial em sua casa. Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPE-RJ) por sete crimes, incluindo tentativa de homicídio.No entanto, entre novembro e fevereiro, o rapper acumulou 66 violações da tornozeleira eletrônica. Em 1º de fevereiro, o aparelho foi desligado. Dois dias depois, a prisão preventiva de Oruam foi decretada, mas ele não foi localizado pelos policiais.Márcia Nepomuceno, mãe do artista, foi alvo de outra operação em março deste ano. A Operação Red Legacy tinha como objetivo desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, identificada pela investigação como organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada.Segundo a investigação, Márcia Nepomuceno, esposa de Marcinho VP, atua na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações entre integrantes e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos. Ela, porém, teve o status de foragida, nesse outro caso, revogado no mês de abril por meio de habeas corpus, em decisão da  7ª Câmara Criminal do Rio de Janeiro.A defesa dos citados não foi localizada. O espaço segue aberto.Entenda a operaçãoPoliciais da DRE cumprem mandados em endereços ligados aos envolvidos em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. Entre eles, estão 12 mandados de prisão preventiva.A DRE afirmou que a operação é resultado de uma investigação que durou cerca de um ano e mapeou a engrenagem financeira utilizada pela facção, com base na análise de dados extraídos de aparelhos eletrônicos apreendidos, além do cruzamento de informações telemáticas e financeiras.Segundo a corporação, a apuração identificou um sistema estruturado de recebimento, distribuição e reinserção de valores ilícitos na economia formal. Os operadores financeiros recebiam o dinheiro arrecadado com o tráfico de drogas das lideranças do CV e eram responsáveis por fracionar esses valores em contas de terceiros, além de utilizá-los para pagamento de despesas, aquisição de bens e ocultação patrimonial.A investigação também mostrou que os criminosos atuavam de forma coordenada, e alguns eram responsáveis por intermediar transações sucessivas com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro.“Também foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados, evidenciando a origem ilícita dos recursos”, afirmou, em nota, a Polícia Civil.Durante a investigação, os policiais tiveram acesso a diálogos entre Carlos Costa Neves, conhecido como Gardenal, apontado como uma das principais lideranças do CV, e um miliciano. As conversas indicam que Marcinho VP segue na liderança central da facção, mesmo após três décadas de prisão.“As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos, possíveis empresas utilizadas na lavagem de dinheiro e beneficiários indiretos dos recursos ilícitos”, disse a Polícia Civil.Marcinho VPMarcinho VP é alvo de um mandado de prisão preventiva por seguir gerenciando a facção de dentro do presídio. O traficante tem 54 anos e está preso desde os 26.Nascido na favela de Vigário Geral, zona norte do Rio, se mudou para São João de Meriti, na Baixada Fluminense, quando era bebê. Logo em seguida seu pai foi assassinado. A mãe de Marcinho foi presa quatro vezes, e ele e os três irmãos foram criados por uma tia.Em sua biografia, ele conta que começou a praticar assaltos aos 13 anos para conseguir dinheiro para comprar roupas de marca. Dos roubos, passou para o comércio de drogas, ascendeu na hierarquia e logo se tornou o líder do tráfico no complexo do Alemão, conjunto de favelas da zona norte do Rio e um dos principais redutos do CV.Processado e condenado por tráfico de drogas e homicídios, Marcinho foi preso no fim de agosto de 1996 em Porto Alegre, em uma ação comandada pelo detetive José Carlos Guimarães, então integrante da Divisão Regional Metropolitana 5 (Metropol 5) da Polícia Civil do Rio.Segundo a imprensa registrou à época, a prisão gerou um pedido de desculpas do então governador do Rio, Marcello Alencar, ao então governador do Rio Grande do Sul, Antônio Britto, porque os policiais fluminenses não avisaram a polícia gaúcha sobre a operação.Desde então o pai de Oruam nunca saiu da prisão, mas, segundo a polícia e a Justiça, de dentro da cela seguiu liderando o CV e ordenando homicídios e outros crimes. Uma das mortes teria sido a de um xará – Márcio Amaro de Oliveira, também conhecido como Marcinho VP e líder do CV na favela Dona Marta, em Botafogo (zona sul).Ele estava preso na penitenciária Doutor Serrano Neves (Bangu 3), na zona oeste do Rio, em 2003, quando contou detalhes do esquema do tráfico para o jornalista Caco Barcellos, que os registrou no livro Abusado. As declarações teriam irritado o Marcinho VP do Complexo do Alemão, que estava preso em Bangu 1 e teria feito ameaças para que o outro se calasse.Agentes carcerários chegaram a interceptar um telegrama, supostamente enviado por Marcinho do Alemão ao outro, com o recado: “cala a boca se não você vai para a vala”. Dias depois, o Marcinho do Dona Marta foi morto por esganadura e abandonado numa lixeira da galeria A3.Marcinho VP está no sistema carcerário federal. A polícia afirma que ele segue dando ordens para os integrantes do CV que estão nas ruas. Em outubro de 2023, quando ainda estava no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, ele teria dado ordens para a troca de comando da facção no Rio, segundo apuração policial. A defesa de Marcinho nega.*Com informações da Agência Brasil e Estadão Conteúdo