O ex-governador de Goiás e pré-candidato a presidente da República, Ronaldo Caiado (PSD), defendeu que o Banco Central continue independente em seu eventual governo, e disse, nesta quarta-feira (29), que a alta taxa de juros no Brasil é consequência dos gastos públicos e do consumo desenfreado.“O Banco Central é vai continuar sendo independente o meu governo. E como o Banco Central vai poder atuar? O Banco Central é efeito, não a causa. A causa é um governo gastador”, afirmou Caiado durante visita à Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).Para o pré-candidato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “gastou irresponsavelmente e induziu as pessoas a irem para o consumo” em vez de aconselhar o equilíbrio dos gastos pessoais. “Juro é o preço do dinheiro. Você não pode culpar o Banco Central”, afirmou. “O paciente está com febre, você não e quebra o termômetro? Então o Banco Central não pode ser responsabilizado por uma irresponsabilidade do governo”, completou.Retomando o discurso de que saiu do governo de Goiás com aprovação de 88%, Caiado reafirmou que pretende o equilíbrio fiscal com cortes de gastos e respeito ao dinheiro público. Indagado se já teria um nome para comandar o plano de governo na área econômica, disse que tem apenas 15 dias de pré-campanha e que tem ouvido vários nomes para o setor, mas sem definições. “Não tenho ainda um nome para dizer, ‘fulanizar’ uma pessoa”, disse.Caiado voltou ao tema juros, ao comentar o impacto das altas taxas para investimentos no agronegócio e voltou culpar o governo federal. “Depois vem dizer que vai punir quem estiver cobrando taxa de juros alto. É o ladrão gritando, pega o ladrão. Essa é uma situação que é a real”Caiado colocou em dúvida a proposta de liberar R$ 10 bilhões para o financiamento do setor anunciada no domingo (26) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na abertura da Agrishow. Segundo ele, o crédito, cujos detalhes não foram divulgados, não deve encontrar tomadores no mercado.“Você vai emprestar R$ 10 bilhões para quem? Quem tem, hoje, cadastro no banco para poder tirar o dinheiro se não está sequer em condições de pagar a parcela do crédito rural, do custeio, que vence amanhã, dia 30?”, indagou Caiado. Segundo ele, a renegociação da dívida seria prioridade para que o crédito do produtor fosse retomado. “Tem um projeto do Senado Federal que está tramitando. E daí? Qual foi a proposta do governo federal? É longe daquilo que é a capacidade do produtor rural ter acesso ao plantio da nova safra”, concluiu