Dólar avança com tensão no Irã e volta a operar acima de R$ 5,20: quais os impactos no câmbio?

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O dólar começou março revertendo as perdas do mês anterior com o aumento da aversão a risco e busca por ativos de proteção de investimentos após o ataque dos Estados Unidos, coordenados com Israel, contra o Irã no último fim de semana. O DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, opera com alta de mais de 1%, no nível dos 98 pontos.No Brasil, o dólar à vista (USDBRL) também avança mais de 1% e opera acima de R$ 5,20. Às 13h30 (horário de Brasília), a cotação era de R$ 5,2009 (+1,30%). Na sexta-feira (27), a moeda encerrou as negociações a R$ 5,1340.  new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "USDBRL", "USDBRL" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "16a08e8"} ); O dólar, considerado um ativo de proteção ao risco assim como ouro e prata, avança com a crescente incerteza sobre o cenário geopolítico. No último sábado (28), os Estados Unidos em conjunto com Israel atacaram o Irã, com a confirmação da morte do líder supremo Ali Khamenei.O presidente Donald Trump chegou a afirmar que o Irã estaria disposto a negociar. No entanto, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, negou a informação, indicando que o conflito pode se prolongar.Trump também declarou que a campanha de bombardeios contra o Irã continuará, possivelmente por semanas.Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã assumiu a autoria de um ataque com mísseis ao gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e ao quartel-general da Força Aérea israelense.Segundo a Guarda Revolucionária, os mísseis também atingiram edifícios governamentais em Tel Aviv e instalações militares e de segurança em Haifa e Jerusalém Oriental. Israel não confirmou os ataques.Como reflexo do conflito, os contratos mais líquidos do petróleo iniciaram a sessão no domingo com disparada de mais de 13%.  Hoje, o movimento de alta é mantido. Por volta de 13h30 (horário de Brasília), o contrato mais negociado do Brent, com vencimento em maio, operava com salto de 7,2%, a US$ 78,08 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), negociado nos Estados Unidos, subia 6,2%, a US$ 71,21 o barril, no mesmo horário.Dólar em alta: quais os impactos do conflito no câmbio?Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o mercado de câmbio reflete o movimento de ‘risk-off‘. “Fatores externos ligados a um movimento de aversão a risco geopolítico passaram a dominar a dinâmica cambial na sessão de hoje”, disse.“O sinal claro é de aversão ao risco, de aumentar a busca por ativos de maior proteção, por exemplo o ouro, mais líquidos, e o dólar ganha força, não só perante a moeda brasileira, mas perante todo o mundo”, acrescentou Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, em comentário.Mais cedo, o secretário do secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse que o conflito no Irã pode eventualmente antecipar a parada do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central caso se intensifique um cenário de incerteza e de repasse para preços, ponderando que o novo cenário geopolítico pode gerar mais efeitos positivos do que negativos para o Brasil.Em evento promovido pelo Valor Econômico, Ceron disse ver possíveis ganhos para a arrecadação de tributos e para a balança comercial do Brasil com a venda de petróleo mais valorizado.Na mesma linha de Ceron, a XP Investimentos avalia que o cenário de risco se dá pelo impacto da alta do petróleo na inflação. “Caso a alta no petróleo altere o ciclo de desinflação atual, isso poderia mudar a trajetória dos juros no Brasil, e esse é um risco importante a se monitorar adiante”, destacou o estrategista-chefe Fernando Ferreira, em relatório divulgado hoje.O mercado agora precifica corte de 300 pontos-base, ou três pontos percentuais, na taxa Selic neste ano, com a taxa básica de juros a 12% ao ano no final de 2026.Por outro lado, alguns analistas veem algum impacto positivo no mercado brasileiro. “O Brasil pode se beneficiar de uma alta do preço do petróleo em várias frentes, como na bolsa e no câmbio”, avalia a XP.“O Brasil vem se beneficiando da rotação dos investidores para fora dos Estados Unidos, junto com outros emergentes. Em 2025, a bolsa brasileira teve entradas líquidas de R$ 25 bilhões de estrangeiros. Em 2026, em apenas 2 meses, mais de R$ 41 bilhões já entraram na bolsa. Acreditamos que o cenário de alta no petróleo e conflito no Oriente Médio pode manter ou até acelerar a tendência de fluxos, após o impacto inicial de aversão à risco”, acrescentou Ferreira.“A invasão da Ucrânia pela Rússia, por exemplo, levou a uma forte alta nas commodities e melhorou de forma relevante os termos de troca no Brasil, o que contribuiu para uma valorização do real naquele período. Assim, o petróleo mais alto favorece países exportadores líquidos de commodities e o Brasil aparece como um dos principais beneficiários entre os emergentes em momentos de maior incerteza geopolítica”, afirmou Rafael Passos, analista da Ajax Asset.