RUÍNAS SOTERRADAS DE CORDEIRÓPOLIS: PESQUISA AVANÇA E NOVOS RELATÓRIOS REFORÇAM COMPLEXIDADE DO SÍTIO

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Atualizações técnicas, documentação histórica e registro no IPHAN ampliam o debate sobre o complexo megalítico soterrado no interior paulista. As investigações sobre as ruínas soterradas localizadas na zona rural de Cordeirópolis, interior de São Paulo, continuam avançando. Desde a primeira matéria publicada em 2023 na Revista Enigmas, novas visitas técnicas, análises arquitetônicas e levantamentos documentais foram realizados. O caso, que já chamava atenção pela monumentalidade da estrutura e pela ausência de registros históricos claros, agora ganha novos elementos técnicos e institucionais.Ruínas quase totalmente soterradas em Cordeirópolis, SP.Recordando o casoO complexo foi identificado em área da Fazenda Bom-Bocado, próximo à junção do Córrego Cascalho com o Ribeirão Tatu.O que inicialmente parecia apenas uma galeria de escoamento revelou-se parte de algo maior. Arcos de pedra trabalhada, muros extensos, um portal monumental e uma elevação de terra que sugere uma construção praticamente soterrada compõem um conjunto estimado em 20 km².A construção apresenta características incomuns para o interior paulista:Uso de blocos de rocha ígnea (basalto), material não típico da geologia imediata da região;Paredes com espessura entre 1,5 e 2 metros;Ajuste milimétrico entre blocos (técnica de junta seca);Arco em cantaria de padrão clássico, exigindo mão de obra altamente especializada.Na época da primeira publicação, uma das principais dúvidas era: trata-se de uma construção do período colonial, ligada aos primeiros engenhos da região, ou de uma estrutura anterior?Arco-pleno romano é parte do complexo.Atualizações técnicas e registro institucionalDesde então, o sítio foi oficialmente registrado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente.Relatórios técnicos recentes reforçam pontos já observados anteriormente:1. Escala do sítioA área total estimada chega a cerca de 20 km² considerando o complexo ampliado identificado por sensoriamento remoto e análise de campo.2. Megalitismo vulcânicoA base das fundações é composta por blocos de rocha ígnea de alta densidade. A inexistência natural desse material na formação geológica imediata de Cordeirópolis sugere transporte de longa distância, possivelmente por via hidrográfica.3. Câmara interna seladaTestes de ressonância e medições preliminares indicam a possível existência de um grande salão interno atrás da parede frontal visível. A estrutura aparenta ter sido projetada para manter isolamento total do ambiente interno.4. Inscrição raspadaNa pedra central do arco principal foram identificados sulcos lineares que sugerem possível inscrição removida deliberadamente — hipótese interpretada como um possível caso de damnatio memoriae, ou apagamento intencional de identidade.O relatório recomenda que qualquer futura intervenção utilize métodos não invasivos, como georradar, para preservar a integridade da estrutura.Paredes das ruínas.Fundamentação histórica: os manuscritos de OviedoSegundo o historiador Jorge Henrique de Oliveira Lima, outro ponto relevante nas atualizações envolve a reanálise dos escritos de Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdés, cronista oficial das Índias no século XVI.No Livro XX da obra Historia General y Natural de las Indias, Oviedo compila relatos de expedições que partiram de São Vicente entre 1524 e 1526, mencionando assentamentos de pedra monumentais no interior do território que hoje corresponde ao estado de São Paulo.Segundo esses relatos, exploradores teriam encontrado “grandes edifícios de pedra e muros” e estruturas que não pertenciam aos indígenas que habitavam a região naquele período.Embora a correlação direta entre os textos e o sítio de Cordeirópolis ainda dependa de comprovação arqueológica, o alinhamento geográfico com antigas rotas do Peabiru levanta hipóteses que merecem investigação aprofundada.Historia General y Natural de las Indias, OviedoO enigma do soterramentoOutro elemento que permanece sem resposta definitiva é o soterramento quase total da estrutura principal.As possibilidades consideradas incluem:Processo natural de erosão e deposição sedimentar ao longo de séculos;Modificação do curso hídrico do córrego;Intervenção humana deliberada.O fato de o proprietário da fazenda desconhecer a existência da construção até poucos anos atrás reforça a hipótese de que grande parte do complexo permaneceu oculto até recentemente.Próximos passosO Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente, sob direção de Jorge Henrique de Oliveira Lima, pretende buscar recursos para viabilizar estudos mais aprofundados.Somente com escavações controladas, análise estratigráfica e datação precisa será possível determinar:A cronologia exata da construção;A função original do complexo;Se houve múltiplas fases construtivas;Se o sítio possui relação com estruturas coloniais conhecidas ou com ocupações anteriores.Até lá, o complexo de Cordeirópolis permanece como uma das descobertas arqueológicas mais intrigantes recentes do interior paulista — um sítio que desafia explicações simples e exige investigação técnica rigorosa.André de Pierre, editor da Revista Enigmas, em trabalho de campo nas ruínas.SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO: EXCLUSIVO! RUÍNAS SOTERRADAS DESCOBERTAS NO INTERIOR DE SÃO PAULO PODEM MUDAR OS LIVROS DE HISTÓRIAIncríveis Ruínas Enterradas Que Podem Ter 12.500M² Foram Descobertas Em Cordeirópolis, SPRevista Enigmas edição 26. Saja um assinante e tenha acesso a todas as edições.O post RUÍNAS SOTERRADAS DE CORDEIRÓPOLIS: PESQUISA AVANÇA E NOVOS RELATÓRIOS REFORÇAM COMPLEXIDADE DO SÍTIO apareceu primeiro em Revista Enigmas.