Ibovespa derrete 3% em pior queda do ano com guerra e dólar disparandoO Ibovespa entrou em modo de defesa nesta terça-feira (3). Depois de resistir no dia anterior, o índice não suportou a escalada do conflito no Oriente Médio e registrou sua maior queda do ano, despencando 3,28%, aos 183.104,87 pontos. Foi o pior tombo desde dezembro, em uma sessão marcada por forte aversão ao risco global.O movimento foi intenso: o índice chegou a oscilar quase 9 mil pontos entre a máxima de 189.602 e a mínima de 180.518 pontos. O giro financeiro disparou para R$ 46,8 bilhões — nível incomum para um pregão sem vencimento de opções, sinalizando saída relevante de capital e reposicionamento defensivo.A tensão aumentou após a confirmação do fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo global. O Brent e o WTI chegaram a subir mais de 6% durante o dia, mas desaceleraram para ganhos próximos de 4,7% no fechamento.Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, avaliou que o mercado reagiu ao “forte aumento da aversão ao risco global, com migração para ativos líquidos e seguros”. Segundo ele, o choque coloca expectativas inflacionárias sob pressão, tanto pelo petróleo quanto pela disparada do câmbio.Cotação do dólar hojeO dólar acelerou ao longo da sessão e fechou em alta de 1,92%, a R$ 5,26, após ter chegado a subir quase 3% no pico do dia.Nos Estados Unidos, os índices também fecharam em queda:• Dow Jones: -0,83%• S&P 500: -0,94%• Nasdaq: -1,02%Segundo Bruno Shahini, da Nomad, o pregão refletiu um típico movimento de flight to quality. “A escalada das tensões no Oriente Médio reacendeu temores inflacionários globais e colocou os investidores em modo defensivo”, afirmou.Maiores altas e baixasO tom negativo foi quase generalizado: apenas duas ações do Ibovespa fecharam no positivo — Raízen (RAIZ4), com alta de 6,15%, e Braskem (BRKM5), que subiu 3,24%.Na ponta negativa, Pão de Açúcar (PCAR3) despencou 17,78%, seguido por Yduqs (YDUQ3), Assaí (ASAI3) e CSN (CSNA3). Entre os pesos-pesados, Vale (VALE3) caiu 4,17% e Itaú (ITUB4) recuou 3,35%. Petrobras (PETR3; PETR4), que havia sustentado o índice na segunda-feira, perdeu força e fechou em leve queda.A curva de juros futuros voltou a abrir, pressionada tanto pelo câmbio quanto pelo petróleo. O cenário externo também eclipsou o dado doméstico do PIB do 4º trimestre, que veio em linha com o esperado e confirmou desaceleração gradual da atividade.O ponto central agora é a duração do conflito. Se o bloqueio do Estreito de Ormuz persistir, o choque pode deixar de ser pontual e ganhar caráter estrutural, com efeitos mais amplos sobre inflação, juros e fluxo para emergentes.Com a forte correção desta sessão, o Ibovespa reduz o ganho acumulado no ano para 13,64% e volta a operar em território mais sensível, após semanas de rali impulsionado por fluxo estrangeiro.