O bloqueio do Estreito de Ormuz, que praticamente interrompeu a passagem de embarcações desde o último domingo (1º), causou uma contagem regressiva crítica para o mercado de energia: o limite de armazenamento de alguns produtores de petróleo do Golfo Pérsico está próximo do fim, o que deve forçar cortes drásticos na produção, segundo relatório do JPMorgan. O banco acredita que pode haver reduções mais extensas – dobrando os cortes de produção em quatro dias. O banco estima que o Iraque e o Kuwait tenham, respectivamente, apenas três e 14 dias de reserva antes de interromperem o fornecimento de óleo bruto. Segundo o relatório, essa é uma estimativa conservadora, pois exclui alguns locais de armazenamento de produtos e navios de lastro não designados dentro do Golfo Pérsico. Neste caso, eles poderiam ser redirecionados para qualquer um dos países.Leia mais: JPMorgan: Brent pode chegar a US$ 120 se crise em Ormuz durar mais de 3 semanas“Alguns relatórios sugerem que apenas seis a doze VLCC (Navios Petroleiros de Grande Porte) estão disponíveis para reserva”, diz o documento.Mesmo assim, de acordo com os analistas, se o bloqueio continuar, o mercado sofrerá um corte de oferta muito mais rápido. As projeções indicam que as paralisações podem saltar de 3,3 mbd (milhões de barris por dia) no oitavo dia de conflito para 4,7 mbd no 18º dia.Relatórios de terça-feira (3) já confirmam que o Iraque cortou a produção em cerca de 1,5 mbd, com interrupções em campos como Rumaila e West Qurna-2.Leia mais: Petroleiros viram raridade em Ormuz, e ameaça ao petróleo fica mais palpávelAtaques à infraestruturaA crise ganhou novos contornos com ataques diretos a pontos estratégicos. Um incêndio atingiu o centro logístico de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, após a interceptação de um drone. O local é um ponto estratégico que abriga refinarias e tanques de armazenamento, e o incidente ajudou a empurrar o preço do barril de petróleo tipo Brent para a casa dos US$ 85.“Velocidade e decisão são críticas, pois o aperto nas restrições de armazenamento significa que atrasos se traduzirão rapidamente em paralisações forçadas”, afirmam os analistas do JPMorgan. O banco sugere que a administração dos EUA poderia intervir para reabrir os fluxos combinando escoltas navais com seguros contra riscos de guerra garantidos pelo governo, reduzindo o risco físico e financeiro do trânsito.Navios “fantasmas”Atualmente, o transporte marítimo através de Ormuz está efetivamente paralisado. Com exceção de embarcações iranianas, não há travessias confirmadas de petroleiros, embora o relatório aponte que alguns navios tentam transitar com os transponders desligados para evitar detecção. Um exemplo citado é o petroleiro Pola, do tipo Suezmax (com capacidade de 1 milhão de barris), que desligou seu sinal eletrônico logo após entrar no estreito na madrugada de terça-feira.“Sem uma solução diplomática ou militar imediata, a falta de espaço para estocar o petróleo produzido obrigará os países do Golfo a lacrar poços, reduzindo drasticamente a oferta global de óleo bruto”, reforça o documento.The post Paralisações em produção de petróleo podem dobrar em 4 dias, diz JPMorgan appeared first on InfoMoney.