O mercado de debêntures incentivadas alcançou algo entre R$ 170 e 180 bilhões em emissões no último ano, consolidando o mercado de capitais como principal fonte de financiamento de infraestrutura de longo prazo no Brasil. Para Ulisses Nehmi, CEO da Sparta Investimentos, os números comprovam o sucesso de um instrumento que, quando criado em 2011, era visto com ceticismo. “Era um sucesso improvável e se validou”, afirma.Nehmi destaca que a isenção de imposto de renda foi decisiva para atrair a pessoa física, mas alerta para os efeitos colaterais de uma demanda excessiva: quando o fluxo de recursos é muito grande, o critério do investidor pode diminuir, e empresas conseguem emitir dívida em condições que nem sempre refletem seus fundamentos. “Quando começa a ter demanda muito grande, qualquer um consegue emitir. Isso pode diminuir o critério geral do investidor.”— Ulisses Nehmi, CEO da Sparta InvestimentosVeja mais: Rali dos emergentes ganha força com dólar fraco e Brasil assume protagonismoE também: Corrida global ao ouro explode e coloca hegemonia do dólar em xequeA entrevista foi concedida ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo. Durante a conversa, o CEO explicou que as debêntures incentivadas preencheram uma lacuna crítica: após 2015, os bancos públicos que financiavam quase integralmente os projetos de infraestrutura começaram a reduzir desembolsos, e o mercado de capitais ocupou esse espaço. Hoje, os bancos de fomento atuam em segmentos onde a iniciativa privada ainda não chega — operações mais novas, setores menos consolidados — enquanto as emissões de debêntures atendem a demanda de volumes bilionários com liquidez suficiente.XP Asset amplia oferta de ETFs indexados à inflação com três novos lançamentos na B3Renda fixa em 2026: onde estão as oportunidades?Nehmi também comentou sobre distorções aparentes do mercado: há debêntures que apresentam spread negativo em relação ao soberano, mas, quando se soma o benefício fiscal de cerca de 300 pontos-base da isenção, o investidor recebe algo como 200 pontos-base acima do título público. “Continua sendo bom para o investidor”, contextualiza.Estratégias da Sparta em cenários desafiadoresA gestora mantém uma abordagem cautelosa, oferecendo fundos com indexadores distintos — CDI, pré-fixados e indexados à inflação — todos com estratégias de crédito semelhantes. Para Nehmi, o spread de crédito comprimido não favorece o momento para crédito corporativo, mas a renda fixa em si apresenta assimetria favorável, especialmente no início de um ciclo de queda da Selic.“Para o spread de crédito não é o melhor momento, mas para renda fixa é, principalmente no começo de queda da Selic. Pré-fixado, indexado à inflação — a gente acha maravilhoso.”— Ulisses Nehmi, CEO da Sparta InvestimentosSobre debêntures incentivadas indexadas à inflação, o gestor é entusiasmado: uma carteira diversificada com ratings duplo A e triplo A, a IPCA mais 7,5% com prazo de seis anos, oferece uma simetria expressiva. “A simetria não vem só do spread de crédito, vem do indexador”, explica. Ele argumenta que a isenção fiscal nesse patamar de juros pode valer de 3 a 4 pontos percentuais de vantagem, e que o investidor precisa apenas tolerar alguma volatilidade para capturar esse retorno.Collazo e Nehmi também discutiram a importância da transparência com o investidor. A Sparta investe em comunicação e pós-venda para deixar claro que momentos de descompressão de spreads podem gerar volatilidade nas cotas, e que essa oscilação é parte do processo. “A gente faz o possível e o impossível para deixar isso claro”, diz Nehmi.A mensagem final é de preparo: “Não estamos tentando adivinhar o futuro. Seguimos um caminho disciplinado, mais cauteloso. A hora que vier a oportunidade grande, aquela hora em que tem gente vendendo com desconto significativo, a gente tem que estar preparado.”The post “Era um sucesso improvável e se validou”, diz gestor, sobre debêntures incentivadas appeared first on InfoMoney.