Análise: Trump foca em acalmar opinião pública americana ao falar sobre Irã

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As recentes declarações de Donald Trump sobre o conflito no Oriente Médio refletem uma tentativa de acalmar a opinião pública americana, que tem demonstrado forte resistência à investida militar contra o Irã. De acordo com a analista Fernanda Magnotta, no CNN 360°, apenas 25% a 30% dos americanos aprovam a medida adotada pelos Estados Unidos contra o Irã.Dados de diferentes pesquisas indicam que cerca de 60% ou mais dos americanos têm fortes ressalvas em relação à operação militar. Trump tem buscado enquadrar a ação como uma operação que não se prolongará muito, posicionamento que contrasta com sua própria trajetória pública, na qual criticou constantemente as chamadas “guerras intermináveis” no Oriente Médio.“O presidente Trump tem tentado enquadrar essa operação como sendo uma operação que não vai se prolongar muito mais. Isso porque ele próprio passou a sua carreira pública criticando as chamadas guerras intermináveis no Oriente Médio”, explicou Magnotta. Leia Mais: Análise: Irã quer criar caos econômico no Oriente Médio após sofrer ataques Sobe para 6 número de militares dos EUA mortos em guerra com Irã Por que morte de Khamenei não garante mudanças no Irã; entenda em 4 pontos Contradição e preocupação com popularidadeA analista ressalta que Trump foi muito vocal em outros momentos contra figuras como os presidentes Barack Obama e Joe Biden, e agora corre o risco de ser enquadrado nos mesmos termos daqueles que criticava. Há uma preocupação evidente em não assustar uma opinião pública já traumatizada por guerras longas e caras, como foram o Afeganistão e o Iraque.O contexto é particularmente delicado para Trump, já que o conflito ocorre em um momento de baixa popularidade. “Ele está com o olho ali na popularidade, levando em conta que esse conflito acontece no contexto de uma crise bastante intensa em que ele tem o seu pior momento de aprovação”, destacou a especialista.Incertezas sobre os objetivos do conflitoMagnotta aponta que pairam dúvidas significativas sobre os objetivos desse conflito, que já começa a ser tratado como uma guerra. A analista questiona se a operação visa uma mudança de regime no Irã, objetivo que parece difícil de concretizar.“A gente já entendeu que não é removendo a cabeça do sistema, como foi o caso do aiatolá, que acabou morto na operação, que necessariamente isso implica a dissolução dos resultados da Revolução Islâmica”, afirmou. Segundo ela, existe um aparato tanto religioso quanto militar que continua dando sustentação para o processo de sucessão e repressão interna no Irã.A complexidade da situação é ampliada pela capilaridade do Irã no Oriente Médio, manifesta através de grupos aliados paramilitares e milícias espalhados pelo Líbano, Iêmen, Síria, Iraque e Gaza. Essa rede de influência torna difícil garantir que o conflito possa se manter sob controle.Riscos de uma guerra prolongadaEmbora Trump tenha inicialmente falado em um conflito de curta duração, o próprio ex-presidente já admitiu que a situação pode se estender “muito além” do previsto, inclusive considerando a possibilidade de mais baixas americanas. O secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, chegou a afirmar que não se poderia descartar o envio de tropas terrestres ao Irã.A especialista alerta que atacar o Irã é muito mais complexo do que as operações anteriores no Afeganistão e no Iraque, devido ao potencial defensivo e ofensivo iraniano, incluindo um programa de mísseis balísticos e capacidade de ação com drones. “A gente está falando da maior incursão militar com as mais graves consequências geopolíticas e econômicas em pelo menos 20 anos no Oriente Médio”, concluiu Magnotta. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.