A guerra aberta entre Estados Unidos, Israel e Irã recolocou o petróleo no centro das atenções do mercado global e reacendeu um debate sensível para investidores de criptomoedas: até que ponto um choque energético pode afetar o preço do Bitcoin. Com o barril voltando a subir após os ataques à infraestrutura iraniana, analistas avaliam que o principal canal de transmissão para o mercado cripto passa pela inflação e pelos juros. Para Pedro Fontes, analista do time de research do Mercado Bitcoin (MB), o encarecimento do petróleo pressiona os índices de preços e pode adiar cortes de juros, reduzindo a liquidez global que sustenta ativos de risco. “Hoje nós entendemos que a alta do preço do petróleo tende a ter um efeito mais negativo para o mercado de criptoativos justamente porque o petróleo mais alto acaba pressionando a inflação dos países”, afirmou em entrevista ao Portal do Bitcoin. O mecanismo é conhecido do mercado. Se a inflação sobe, especialmente nos Estados Unidos, cresce a narrativa de juros mais altos por mais tempo, o que fortalece o dólar, eleva os rendimentos reais dos Títulos do Tesouro e encarece o custo do dinheiro no mundo todo. Este é um ambiente tradicionalmente adverso para ações de tecnologia e criptomoedas.Leia também: Por que o Bitcoin cai menos que ações em meio ao conflito no Irã?“Essa perspectiva de política de juros por consequência do impacto do petróleo na inflação acaba prejudicando o mercado de criptoativos no sentido da liquidez”, disse Fontes. Na avaliação dele, o impacto mais relevante não é apenas a magnitude da alta do barril, mas o tempo que o petróleo permanece em patamares elevados, pois “o pior é quando esse período é muito prolongado, porque aí sim tende a ter um impacto nas inflações dos países e afeta essa dinâmica de juros”.Analistas internacionais seguem a mesma linha. Rick Maeda, da Presto Research, afirmou ao The Block que, se o petróleo se mantiver acima de US$ 90, as expectativas de inflação tendem a subir, os rendimentos reais se fortalecem e o dólar se valoriza, restringindo liquidez e pressionando ativos de maior volatilidade, como as criptomoedas. Reportagem da CoinDesk também destacou que o movimento do petróleo é hoje o principal fator para o curto prazo do Bitcoin, justamente por seu impacto direto nas condições financeiras globais.O risco mais sensível está no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo. Segundo a BBC, ataques recentes na região elevaram os custos de seguro marítimo e ampliaram o temor de interrupções na oferta, cenário que pode manter os preços da commodity pressionados e alimentar novas revisões nas projeções de inflação.Cenário não é inédito para o BitcoinFontes lembra que o mercado já enfrentou situação semelhante em junho do ano passado, quando ataques envolvendo o Irã elevaram fortemente o petróleo e o Bitcoin chegou a recuar mais de 10%. Segundo ele, o BTC hoje está em outro estágio de ciclo. “Estamos fazendo vários padrões de fundo, o preço já caiu muito desde a máxima histórica e estamos vendo alguns padrões de acumulação por parte dos investidores de longo prazo”, afirmou, acrescentando que essas forças paralelas ajudam o ativo a se manter mais estável mesmo diante da pressão geopolítica.Narrativa da reserva de valor Ao mesmo tempo, a guerra também pode reforçar uma narrativa alternativa para a criptomoeda. “Não seria a primeira vez na história que o Bitcoin pode se manter forte mesmo em meio à eclosão de um conflito geopolítico”, disse Fontes, lembrando o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.“Naquele momento, o Bitcoin teve uma primeira reação negativa, mas depois conseguiu performar muito bem, com valorização de cerca de 30%”, destacou. Para ele, isso mostra que o ativo pode alternar entre o comportamento típico de ativo de risco e uma percepção mais próxima de reserva de valor em cenários de alta tensão.Ainda assim, o analista ressalta que, neste momento, o efeito mais direto segue vindo do canal macro. “O preço do petróleo, por si só, tende a ter um efeito negativo por conta dessa dinâmica com a inflação e com a política de juros”, afirmou, embora reconheça que “o próprio motivo dessa alta, que é a instabilidade e a guerra, pode fazer com que o Bitcoin chame a atenção de outra forma”.A porta de entrada para o bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, está no MB. É simples, seguro e transparente. Deixe de adiar um investimento com potencial gigantesco. Invista em poucos cliques!O post Petróleo mais caro afeta Bitcoin, mas narrativa de reserva de valor pode se sobressair apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.