O futuro do envolvimento nas empresas portuguesas está em debate no People Engagement Summit 2026

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É dessa premissa que surge o People Engagement Summit 2026, uma iniciativa da Cegoc, que se realiza a 17 de março, na Quinta da Pimenteira, em Lisboa, afirmando-se como um dos principais encontros nacionais dedicados à gestão de pessoas, cultura organizacional e engagement. O evento reunirá decisores empresariais, líderes de Recursos Humanos e especialistas de grandes empresas e PME, num dia inteiramente centrado na análise de dados, debate crítico e partilha de práticas com impacto real nas organizações.A cimeira parte precisamente desta tensão no setor da gestão de pessoas. Coloca no centro da discussão os dados da 10.ª edição do People Engagement Survey, desenvolvido pela Cegoc com coordenação científica do ISCTE Executive Education, procurando identificar o que está a enfraquecer o engagement nas empresas portuguesas e, sobretudo, o que pode reforçá-lo de forma sustentada.Ao longo do dia, os participantes terão acesso a análises setoriais, experiências concretas de organizações e debates sobre temas estruturantes para o futuro dos Recursos Humanos, como o impacto da Inteligência Artificial na atração, desenvolvimento e envolvimento de talento. O programa inclui ainda workshops interativos e a cerimónia dos People Engagement Awards, que distinguem as organizações com melhores resultados no estudo. O evento é gratuito, sujeito a inscrição e validação prévia, e pretende gerar mudanças efetivas que se prolonguem para lá do próprio dia.Para compreender melhor o que distingue esta edição do People Engagement Summit, quais os fatores que estão hoje a fragilizar o envolvimento nas organizações portuguesas e que debates deverão marcar o evento, a Líder falou com Gonçalo de Salis Amaral, Head of People & Culture Consulting da Cegoc.O que distingue o People Engagement Summit 2026 de outros eventos dedicados à gestão de pessoas e cultura organizacional?O People Engagement Summit distingue-se por três pilares fundamentais. Primeiro, ancora-se em dados concretos, desta 10ª edição do evento, o que permite trabalhar os temas com rigor analítico e não apenas com tendências e intuições.Segundo, posiciona-se como espaço de debate genuíno, partilha de boas práticas, desafios e reflexão. Queremos discutir o que funciona, mas também o que falha, os dilemas reais que os líderes enfrentam e as tensões entre discurso e prática. Terceiro, integra reconhecimento através dos People Engagement Awards, tornando visíveis as organizações que mais investem em práticas de excelência que são reconhecidas, criando referências concretas para o mercado português.Assim, não é um evento de inspiração vaga ou de premiação para vencedores, é um encontro entre quem está verdadeiramente comprometido em fazer do engagement uma prioridade estratégica, com tudo o que isso implica de exigência e honestidade. Quais são hoje os maiores fatores que estão a fragilizar o envolvimento das pessoas nas organizações portuguesas?A 10ª edição do People Engagement Survey reforça o que já tem vindo a ser constatado nas edições anteriores sobre onde está a fragilidade. O que mais explica o envolvimento, ou a sua ausência, são as políticas de bem-estar. Quando estas são insuficientes ou pouco percecionadas pelas pessoas, o engagement é diretamente afetado. Isto significa que garantir bem-estar deixou de ser um benefício lateral: é estrutural, é o alicerce sobre o qual qualquer estratégia de envolvimento se constrói ou desmorona.Por outro lado, a compatibilidade de valores é critica também no envolvimento. As pessoas já não aceitam trabalhar em organizações cujos valores contradizem os seus. Quando esse alinhamento não existe, ou quando os valores declarados não se traduzem em comportamentos quotidianos, o envolvimento esvazia-se. Não é uma questão geracional, é uma questão de coerência.Adicionalmente, surge a perceção de orientação estratégica. Quando as pessoas não percebem claramente o rumo da organização, as prioridades ou a lógica por trás das decisões, o engagement fragiliza-se. A incerteza estratégica gera desconfiança, paralisia e desvinculação.Há ainda uma constatação particularmente relevante nesta 10ª edição: o impacto da dimensão digital. A perceção de ameaça associada à Inteligência Artificial reduz significativamente o envolvimento. Em contraste, o desenvolvimento de competências em IA reforça-o, aumentando a disponibilidade das pessoas para se envolverem e contribuírem ativamente.Isto coloca às organizações uma responsabilidade clara: não basta introduzir tecnologia, é preciso capacitar, envolver e dar às pessoas controlo sobre a sua relação com essas ferramentas. Caso contrário, a inovação torna-se fator de erosão, não de progresso. O evento assume-se como espaço de análise crítica. Que temas podem gerar maior desconforto ou debate?O espaço de partilha e debate aberto que se pretende promover não deverá gerar qualquer desconforto, já que os desafios são de todos e acreditamos que todos estão, genuinamente, interessados em os endereçar da melhor forma, tendo em conta as particularidades, constrangimentos ou realidade dos setores de atividade e tipologia de organização. Assim, não há que haver desconforto, mas acreditamos que haverá debate mais ou menos intenso dada a complexidade da temática e suas variantes.Um dos temas que ainda hoje leva a debates intensos, é paradoxo do trabalho híbrido: celebra-se a flexibilidade, mas muitas organizações não conseguiram criar modelos que sustentem cultura e conexão à distância. Há equipas a trabalhar de forma fragmentada, com impacto direto no sentido de pertença. Outro tema será o debate sobre como atrair e envolver, no setor da Hotelaria e Turismo, tão relevante para a nossa economia, mas onde os desafios são complexos de ultrapassar.O mesmo poderemos dizer sobre outro tema que será debatido, sobre o bem-estar no setor da saúde, que se encontra em forte pressão desde a pandemia. O próprio impacto e nível de preparação para a adoção da IA vai, certamente e a ver pelos resultados do estudo, revelar algum desalinhamento entre o que as lideranças assumem e o que os colaboradores estão a sentir.Em suma, vamos ter temas muito interessantes para debater, desvendar perspetivas e partilhar boas práticas e abordagens, que não trazem desconforto a esta ou aquela organização, até porque os dados são tratados de forma global por setor e tipologia ou dimensão de organização, mas criam o momento para uma maior consciencialização das temáticas e das práticas para as endereçar. Que impacto esperam que o evento tenha nas empresas que participam?Antes de mais uma nota relevante, este evento está aberto a todos os líderes de organizações existentes no mercado e não apenas àqueles que participaram na 10ª edição do People Engagement Survey. Apesar de termos sempre uma excelente representatividade do mercado, diversos setores e tipologias/dimensões de organizações, quisemos que o mesmo fosse aberto a todos os líderes que têm responsabilidades de gerir pessoas e, tivessem a oportunidade de participar, dado o carácter de debate e partilha que este Summit vai ter.Assim, esperamos que todos eles saiam com clareza sobre o estado real do engagement em Portugal, pela partilha dos dados e benchmark, com a identificação das práticas aplicáveis e testadas, não receitas universais, mas abordagens que podem ser adaptadas aos seus contextos, assim como com um mindset orientado para a criação de compromissos internos tangíveis: para decisões sobre onde investir, que comportamentos de liderança reforçar, que conversas difíceis precisam de acontecer.O sucesso do Summit não se mede pelo que acontece no dia do evento, mas pelo que muda nos meses seguintes dentro das organizações. Queremos que os participantes no evento voltem às suas organizações com ferramentas, inspiração e, sobretudo,  com o sentido de urgência e responsabilidade que o tema exige. E queremos que saibam que não estão sozinhos neste desafio.O conteúdo O futuro do envolvimento nas empresas portuguesas está em debate no People Engagement Summit 2026 aparece primeiro em Revista Líder.