Diplomacia de nicho é estratégia a potências médias, diz cientista político

Wait 5 sec.

A discussão sobre o conceito de potência média e suas estratégias de política externa teve origem na Austrália e no Canadá durante a década de 1990, conforme explica Feliciano de Sá Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP. Esses países, apesar de possuírem dimensão geográfica considerável e certo poder econômico, buscavam encontrar seu papel na ordem internacional, sendo aliados dos Estados Unidos mas com influência limitada.O conceito chegou ao Brasil no final dos anos 90, tanto nos círculos diplomáticos quanto acadêmicos, e foi adotado oficialmente durante a política externa do governo Fernando Henrique Cardoso. A principal estratégia associada às potências médias é a chamada “diplomacia de nicho”, que consiste em concentrar esforços apenas em setores onde o país possui vantagens comparativas.“Nós temos algum poder na ordem internacional, não temos muitos poderes, então nós faremos uma diplomacia de nicho, ou seja, nós só vamos atacar mais agressivamente em setores em que a correlação de forças nos favorece”, explica Guimarães. Em áreas onde não há vantagem, a estratégia é recuar e agir através do sistema multilateral.Potência média versus potência emergenteDurante o governo Lula, houve uma mudança significativa na abordagem brasileira. O conceito de potência média foi considerado limitante, e o Brasil passou a se posicionar como uma “potência emergente”. Esta classificação implica uma atuação mais ampla e ambiciosa no cenário internacional. Leia Mais Mercosul-UE: Alckmin projeta acordo vigente em maio e anuncia salvaguardas Trump diz se dar "muito bem" com Lula: "Adoraria recebê-lo" na Casa Branca “Doutrina Donroe” mantém o tom sem deixar de lado o pragmatismo “Quando você é uma potência emergente, significa que você, ainda que assuma que tem menos poder que as grandes potências, tem uma missão de agir em várias frentes ao mesmo tempo, porque ou você quer reformar a ordem internacional ou porque você quer aumentar o seu prestígio internacional”, esclarece o professor.Guimarães aponta dois problemas estruturais enfrentados por ambos os conceitos. As potências médias são frequentemente criticadas por “jogarem abaixo da sua liga”, como se estivessem se limitando desnecessariamente. Por outro lado, as potências emergentes são acusadas de dar “um passo maior que a perna”, fenômeno conhecido em relações internacionais como “over stretch” (super esticamento).“Não é que você está sendo bastante conservador, você está agindo demais. E ao agir demais, você erra”, alerta o especialista sobre os riscos da estratégia de potência emergente, que caracterizou a política externa brasileira em determinados períodos.WW EspecialApresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.Conheça o Clube de Membros da CNN Brasil no YouTube. Ao se cadastrar, você garante acesso antecipado à íntegra da edição já às sextas-feiras, além de cortes exclusivos e conteúdos de bastidores do programa. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.