Como petróleo em alta afeta receitas, exportação e inflação do Brasil? XP explica

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Os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã devem levar a um forte movimento de alta do petróleo, com analistas projetando um avanço para além dos US$ 100 o barril no curto prazo. A referência global subiu este ano e atingiu US$73 por barril na sexta-feira (27), seu maior valor desde julho, impulsionada pela crescente preocupação com os possíveis ataques, que ocorreram um dia depois. Com base nesse cenário, a XP Investimentos traçou cenários para a economia com a alta da commodity.De acordo com a equipe macroeconômica, para cada US$ 10 no preço do petróleo, espera um ganho de R$ 10,7 bilhões em receitas fiscais líquidas, US$ 8,5 bilhões na balança comercial e aproximadamente 40 pontos-base na inflação para 2026 – considerando que todos os outros fatores permaneçam constantes, incluindo o nível do real.“Nosso cenário base atual se fundamenta na premissa de um preço médio do petróleo Brent de US$ 60 por barril e uma trajetória cambial de R$ 5,25 por dólar no primeiro semestre do ano, convergindo para uma média de R$ 5,50 no segundo semestre”, avalia a XP, ressaltando que o recente ataque dos EUA ao Irã aumentou o risco de interrupções no fornecimento global.Leia mais:Mercados se preparam para forte aversão ao risco após ofensiva contra o IrãProtestos pró-Irã no Paquistão deixam ao menos 22 mortos e mais de 120 feridosEmirados Árabes fecham embaixada em Teerã em resposta a ataques iranianosNesse cenário, a alta dos preços do petróleo bruto poderia gerar um impacto positivo de aproximadamente R$ 10,7 bilhões nas projeções da XP de receita líquida e saldo primário, aumentar a balança comercial em cerca de US$ 8,5 bilhões e elevar a inflação em aproximadamente 40 pontos-base neste ano.Contas FiscaisUm aumento de aproximadamente US$ 10 no preço do petróleo Brent em relação ao nível atual teria efeitos diretos e indiretos sobre as receitas fiscais:Exploração de recursos naturais: a estimativa mais recente da XP aponta para um aumento de cerca de R$ 10,5 bilhões nas receitas provenientes de royalties, participação especial e lucro com a venda de petróleo neste ano. “No entanto, é importante observar que cerca de 55% a 60% dessa receita é repassada aos estados e municípios, portanto, o efeito líquido para o governo federal seria de cerca de R$ 4,5 bilhões”, avalia a XP;Dividendos e participações acionárias: considerando a transferência do aumento do preço do petróleo bruto para os preços dos combustíveis, a XP calcula um impacto de R$ 3,7 bilhões sobre os dividendos da Petrobras (PETR3;PETR4) neste ano. Dividendos e participações acionárias não são transferidos para governos subnacionais e devem ser destinados à amortização da dívida pública;Receita tributária: Os efeitos seriam sentidos principalmente sobre os impostos IRPJ/CSLL (que estão vinculados aos lucros das empresas petrolíferas). Dito isso, outras receitas também seriam afetadas. Um aumento de US$ 10 implicaria um crescimento de cerca de R$ 5 bilhões na receita tributária, ou cerca de R$ 2,5 bilhões na receita líquida.No total, o aumento de US$ 10 no preço do petróleo bruto poderia ter um impacto potencial de R$ 10,7 bilhões nas estimativas de receita líquida e saldo primário neste ano. Portanto, a previsão de déficit de R$ 48,9 bilhões neste ano (ou superávit de R$ 1,5 bilhão, excluindo a despesa fora da meta) está inclinada para um menor déficit. De acordo com os modelos da XP, um aumento sustentado de 10% nos preços do Brent resulta em um impacto de aproximadamente 25 pontos-base no Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). Assim, no cenário de câmbio constante, preços do Brent em torno de US$ 70 ao longo do ano implicariam um aumento de até 40 pontos-base no IPCA.O cenário da XP não contempla ajustes nos preços dos combustíveis em 2026. Atualmente, os preços da gasolina no mercado interno estão em paridade com os preços internacionais. Para o diesel, com base nos preços de sexta-feira, já havia uma diferença de 15% em relação aos preços internacionais, aumentando o risco de um aumento de preço. Embora o impacto direto no IPCA seja pequeno, o impacto indireto pode ser sentido por meio dos custos de frete e transporte de mercadorias, dependendo da magnitude, afetando os preços de alimentos e bens industrializados.Balança ComercialO petróleo desempenha um papel central nas contas externas do Brasil e consolidou sua posição como um dos principais produtos de exportação do país. O petróleo bruto representa atualmente cerca de 13% do total das exportações brasileiras. O aumento contínuo da produção reforça as expectativas de volumes robustos de exportação este ano. Ao mesmo tempo, o Brasil continua importando certos produtos refinados. Dito isso, esses fluxos não alteram o panorama geral do Brasil como exportador líquido de petróleo.Um preço do Brent em torno de US$ 70 aumentaria as receitas de exportação de petróleo em aproximadamente US$ 13,3 bilhões este ano, enquanto aumentaria as importações relacionadas ao petróleo em cerca de US$ 4,8 bilhões. Em termos líquidos, o superávit comercial melhoraria em cerca de US$ 8,5 bilhões em 2026 (de US$ 62,5 bilhões em seu cenário base atual para US$ 71 bilhões).The post Como petróleo em alta afeta receitas, exportação e inflação do Brasil? XP explica appeared first on InfoMoney.