Venda de carros chineses ‘explode’ e puxa alta em emplacamentos no Brasil

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Enquanto o mercado automotivo brasileiro registrou sinais de recuperação moderada no fechamento de fevereiro de 2026, com avanço médio de 8,7% no número de emplacamentos em relação a janeiro, movimento considerado normal para os primeiros meses do ano, os carros chineses avançaram sozinhos 5,9% em relação a janeiro e 73,2% se comparado a fevereiro de 2025. Os dados fazem parte de um levantamento feito pela K.LUME Consultoria.No total, 176.472 veículos foram emplacados em fevereiro, dos quais 140.592 foram carros de passeio (79,7%) e 35.880 comerciais leves (20,3%). Segundo a consultoria, a alta entre janeiro e fevereiro foi puxada principalmente pelos automóveis de passeio, que cresceram 12,3%, enquanto os comerciais leves apresentaram queda de 3,5% no período. No comparativo anual, porém, a dinâmica se torna mais moderada: os carros de passeio tiveram aumento de 4,3%, ao passo que os comerciais leves registraram retração de 8,6% em relação a fevereiro de 2025.Dentro desse cenário, os destaques ficaram por conta do mercado de luxo automotivo e os chineses. O primeiro encerrou fevereiro com 3.321 unidades vendidas, queda de 7,2% em relação a janeiro e 12,9% frente a fevereiro de 2025, refletindo cautela dos consumidores de faixas mais altas diante de incertezas econômicas e custo de oportunidade. Por outro lado os veículos chineses, predominantemente carros de passeio, mostraram forte expansão, passando de 21.652 unidades em janeiro para 22.924 em fevereiro, uma alta de 5,9% e um salto de 73,2% em relação a fevereiro de 2025. Com isso, o segmento eleva sua participação de mercado de 9,8% para 16,3%, podendo atingir até 20% em 2026.AcumuladoNo acumulado do ano, a soma de carros e comerciais leves indica um avanço tímido de 1,35%, reflexo de um início de ano ainda incerto para o setor, conforme a consultoria. Esses números acompanham as projeções mais amplas divulgadas por entidades como a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que espera crescimento moderado de cerca de 3% nas vendas de veículos leves em 2026, apoiado por retomada gradual da demanda e condições macroeconômicas mais estáveis.Mudanças de comportamentoDe acordo com a K.LUME, a segunda quinzena de fevereiro concentrou 50,9% das vendas, sugerindo uma mudança de comportamento em função do calendário do Carnaval, que tradicionalmente impacta as decisões de compra neste início de ano. As médias diárias de vendas entre carros e comerciais leves foram de 9.804 unidades, um aumento de 26,8% em relação a janeiro e de 12,6% sobre fevereiro de 2025, quando considerados critérios de dias úteis bancários, totalizando 18 dias úteis no mês para efeito de cálculo.Outro ponto observado no mês foi a praticamente estabilidade entre vendas diretas e no varejo, com empate técnico. Especialistas do setor interpretam esse fenômeno como um possível sinal de que as vendas diretas, que tradicionalmente são mais fortes a partir de abril e maio, podem estar iniciando um novo ciclo de crescimento já em março, enquanto a atratividade do varejo convencional sofre desaquecimento relativo.Leia Mais: O financiamento de veículos avança, mas o limite pode estar mais perto do que pareceMudança na matriz de energiaA transição energética também começa a se refletir nos registros. Embora com volumes ainda modestos, os números por tipo de combustível mostram presença crescente de veículos eletrificados. Entre carros e comerciais leves em fevereiro, ficaram registrados:148.385 unidades movidas a motor de combustão interna (ICE)15.009 híbridos leves2.046 híbridos2.367 híbridos plug-in344 elétricos puros8.321 elétricos puros plug-inEsse mix de motorização, segundo a K.Lume, ilustra uma tendência global e doméstica de diversificação que também já vinha sendo indicada por estudos da indústria automotiva brasileira, que apontam crescimento de modelos eletrificados como um dos vetores de longo prazo para o setor.Pesados ainda pressionadosO desempenho geral do setor automotivo em 2026 só não foi melhor por causa dos resultados mais fracos no segmento de pesados, que tradicionalmente espelham a atividade econômica mais ampla. Dados preliminares mostram que caminhões e ônibus registraram quedas significativas no início do ano, uma sinalização de que o componente logístico e de transportes da economia ainda enfrenta desafios, especialmente frente à alta de juros e custo de financiamento observados no país, segundo a K.Lume.PerspectivasAnalistas e associações do setor, como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), reforçam que 2026 pode ser um ano de crescimento moderado na produção e vendas de veículos leves, com projeções de alta de cerca de 3,7% na produção nacional, concentrada em automóveis e comerciais leves, e perspectivas de cerca de 2,58 milhões de unidades produzidas no ano.Esse panorama sugere que, apesar de um início de ano ainda marcado por flutuações sazonais e segmentos específicos sob pressão, o mercado automotivo brasileiro (especialmente o de carros e comerciais leves) mantém certa resiliência e segue em processo de ajuste, à medida que consumidores, concessionárias e fabricantes se adaptam ao cenário econômico e às preferências emergentes da demanda, conforme o estudo. 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