A OpenAI fechou um acordo com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos, anunciou o CEO da empresa, Sam Altman, na sexta-feira (27). Os termos da parceria foram detalhados oficialmente no sábado (28).Confira: Trump ordena fim do Claude, IA da Anthropic, no governo dos EUA“Ontem, chegamos a um acordo com o Pentágono para a implantação de sistemas avançados de IA em ambientes confidenciais, e solicitamos que eles também disponibilizem esse acordo a todas as empresas de IA”, afirmou a OpenAI em comunicado. “Acreditamos que nosso acordo oferece mais salvaguardas do que qualquer acordo anterior para implantações de IA em ambientes confidenciais, incluindo o da Anthropic”, completou.O acordo foi divulgado pela OpenAI no sábado (28). (Fonte: OpenAI/Reprodução)Segundo a empresa, o contrato não permite o uso de sua tecnologia para monitoramento doméstico; para direcionamento de sistemas de armas autônomas; ou para decisões automatizadas de alto risco, como modelos de “crédito social”.O anúncio ocorre após a recusa da Anthropic, dona do Claude, em ceder determinados usos de sua plataforma ao órgão militar dos EUA. A companhia impôs restrições que vetavam a utilização da tecnologia para armas autônomas e vigilância em massa — duas cláusulas que também constam como proibidas no acordo firmado pela OpenAI, conforme divulgado.No X, Sam Altman afirmou que o Departamento de Guerra “demonstrou profundo respeito pela segurança e o desejo de colaborar para alcançar o melhor resultado possível”. O executivo destacou dois princípios centrais: a proibição de vigilância em massa em território nacional e a responsabilidade humana pelo uso da força, inclusive em sistemas de força autônoma.Tonight, we reached an agreement with the Department of War to deploy our models in their classified network.In all of our interactions, the DoW displayed a deep respect for safety and a desire to partner to achieve the best possible outcome.AI safety and wide distribution of…— Sam Altman (@sama) February 28, 2026 De acordo com a dona do ChatGPT, as limitações do contrato são mais rigorosas do que as adotadas pela Anthropic porque a tecnologia será fornecida por meio da nuvem, e não instalada diretamente em hardware do governo. A OpenAI também afirmou que acompanhará o uso das ferramentas para garantir conformidade com o acordo.Timing desfavorávelO anúncio da parceria logo após a forte recusa da Anthropic colocou a OpenAI sob desconfiança pública. No X, Altman respondeu a questionamentos sobre os termos do acordo, especialmente sobre a possibilidade de uso indevido das ferramentas. “Prezo pela minha liberdade e segurança, assim como a sua. Acredito que uma democracia forte, e um Estados Unidos forte, são coisas muito boas para o mundo”, escreveu. Ao ser questionado sobre vigilância em massa, o CEO afirmou que não colaboraria com esse tipo de prática por configurar violação à Constituição do país.I'd like to answer questions about our work with the DoW and our thinking over the past few days. Please AMA.— Sam Altman (@sama) March 1, 2026 A publicação acumula cerca de 7 mil comentários e 10 mil curtidas. Altman agradeceu o nível de engajamento e disse que não esperava a reação registrada na rede social.Histórico de vigilância dos EUAO debate também reacendeu memórias do escândalo revelado em 2013 por Edward Snowden, que tornou públicos detalhes de um sistema de vigilância eletrônica da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos. À época, a entidade fazia parte do então Departamento de Defesa — anteriormente chamado de Departamento de Guerra.Segundo os documentos vazados, o governo dos EUA monitorou governos estrangeiros e cidadãos comuns por meio de e-mails, ligações telefônicas e redes sociais. O programa, embora conduzido por agências federais, era ilegal. Snowden permanece exilado desde então.Quer acompanhar os desdobramentos da parceria entre OpenAI e o governo dos EUA? Fique de olho no TecMundo para mais atualizações sobre inteligência artificial, segurança e tecnologia global.