Por que o Bitcoin cai menos que ações em meio ao conflito no Irã?

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Depois de um susto no fim de semana, o Bitcoin opera praticamente estável nesta segunda-feira (2), em um movimento muito diferente da forte oscilação que os ativos tradicionais passam, com bolsas ao redor do mundo recuando e petróleo e ouro disparando, depois que os Estados Unidos e Israel iniciaram um conflito com o Irã que já dura três dias. Mas se os investidores estão assustados, por que o BTC não está caindo também?Primeiro é importante ressaltar que o Bitcoin chegou a cair sim. No sábado, logo após os primeiros ataques, a criptomoeda recuou 4% para US$ 63 mil, mas ainda no mesmo dia começou a se recuperar. Nesta segunda, o BTC registra leve queda de 0,5% e está na casa de US$ 66 mil, mesmo nível de antes do conflito começar. Além disso, a criptomoeda diminuiu suas perdas acumuladas na semana, reduzindo-as para apenas 0,4% atualmente.“Durante o fim de semana, as criptomoedas sofreram uma forte queda devido aos ataques conjuntos entre EUA e Israel no Irã, com o BTC e o ETH buscando suporte de curto prazo à medida que os ativos de risco eram liquidados”, disse Dominick John, analista da Kronos Research, ao site The Block. “Os preços se recuperaram rapidamente conforme os investidores assimilavam os desdobramentos, evidenciando a liquidez e a resiliência das criptomoedas 24 horas por dia, 7 dias por semana, enquanto os mercados tradicionais estavam fechados e impossibilitados de reagir”, completou John.Leia também: O que o conflito no Irã significa para o preço do BitcoinOu seja, o retorno do Bitcoin nesta manhã aos níveis de preço vistos antes do conflito sugere que o mercado encarou o episódio como um risco temporário sem ligação direta com cripto, e não como o início de uma nova queda prolongada.A equipe de research do MB | Mercado Bitcoin resume que, “para um evento geopolítico tão relevante como foi o do final de semana, o mercado cripto está até reagindo de forma positiva, com quedas de baixa volatilidade”. “A abertura das bolsas e do mercado americano de hoje (às 11h30) será especialmente importante de ser acompanhada, para entender os impactos da guerra nos ativos de risco e principalmente nas commodities, como o petróleo”, avaliam os analistas do MB.Ações em quedaNa manhã desta segunda, antes da abertura oficial dos mercados nos EUA, os três principais índices de ações — Nasdaq, Dow Jones e S&P 500 — tinham quedas superiores ao Bitcoin, de mais de 1%. Na Europa, o cenário era o mesmo, com algumas bolsas recuando quase 3%, como na Alemanha e Espanha, enquanto na Ásia, os índices todos fecharam no negativo, com perdas entre 1% e 2,5%.Enquanto isso, os preços do petróleo dispararam, com o Brent subindo cerca de 8% a 10% em direção a US$ 80 o barril e o WTI dos EUA com alta de cerca de 7% a 8%. Situação parecida ocorre com o ouro, considerado um porto seguro dos investidores, que salta 3%, para US$ 5.390 por onça troy.Analistas observaram que o petróleo continua sendo o principal canal de transmissão de choques geopolíticos para criptomoedas e outros ativos de risco. “Se o petróleo bruto se mantiver acima de US$ 90, as expectativas de inflação aumentam, os rendimentos reais se fortalecem e o dólar se valoriza. Isso restringe a liquidez, e é de se esperar que as criptomoedas se comportem como um ativo macro de alta volatilidade nesse cenário”, afirmou Rick Maeda, da Presto Research, ao The Block.Jeff Mei, diretor de operações da corretora de criptomoedas BTSE, disse que os mercados estão particularmente sensíveis a qualquer ameaça à navegação pelo Estreito de Ormuz, um ponto crucial para cerca de um quinto do fluxo global de petróleo. Pelo menos três navios foram atacados perto da região, segundo a BBC. Os temores de interrupções na região já elevaram os custos de seguro marítimo e redirecionaram embarcações, amplificando as preocupações com a inflação, o que pode afetar as decisões dos bancos centrais sobre cortes nas taxas de juros, disse Mei.Mercado cripto precificadoApesar dos riscos, em um primeiro momento o mercado cripto refletiu um entendimento de que o conflito não iria escalar tanto. “A liquidação inicial do Bitcoin foi quase didática; os mercados odeiam a incerteza mais do que as más notícias, e no momento em que o conflito no Irã pareceu contido, a demanda reflexiva voltou rapidamente”, disse Ryan McMillin, diretor de investimentos da Merkle Tree Capital, ao Decrypt.Mais do que isso, investidores já estariam preparados e posicionados para os riscos desse conflito, que estava há semanas no radar. “Aparentemente, o mercado estava relativamente bem posicionado para um fim de semana volátil, dados os sinais de alerta ao longo da semana passada, e possivelmente menos preocupado com os efeitos colaterais após um ataque semelhante em junho passado”, disse a QCP em relatório.Segundo os analistas, aproximadamente US$ 300 milhões em liquidações de posições compradas foram liquidadas com o início do conflito, um valor considerável, porém contido, especialmente em comparação com os eventos de desalavancagem mais desordenados observados no início de fevereiro.“A escala relativamente modesta de vendas forçadas sugere que o posicionamento já havia sido significativamente reduzido nas últimas semanas. Alternativamente, isso pode indicar que o papel percebido do BTC como uma ‘proteção macro de fim de semana” pode estar se deslocando para outros ativos, como o ouro tokenizado, que agora é negociado 24 horas por dia e tem atraído uma parcela crescente dos fluxos de aversão ao risco”, completou a QCP.Leia também: Como investir em ouro via stablecoins e ganhar cashback em BitcoinPor ora, analistas afirmam que as criptomoedas parecem negociar em sintonia com o sentimento de risco macroeconômico, mas permaneceram relativamente estáveis ​​em comparação com os ativos tradicionais. Para John, da Kronos, investidores estão monitorando de perto os mercados de petróleo, os dados de inflação, os fluxos de ETFs de sentimento de risco e quaisquer sinais do conflito no Irã. “O desempenho das criptomoedas provavelmente acompanhará os desenvolvimentos macroeconômicos mais amplos, com a volatilidade permanecendo elevada até que um caminho mais claro para o futuro surja”, concluiu.A porta de entrada para o bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, está no MB. É simples, seguro e transparente. Deixe de adiar um investimento com potencial gigantesco. Invista em poucos cliques!O post Por que o Bitcoin cai menos que ações em meio ao conflito no Irã? apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.