O mercado brasileiro de drones superou a marca de 133 mil aeronaves cadastradas no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (SISANT), da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), até fevereiro de 2026. O volume reforça a consolidação do segmento, que espera trazer redução de custos e aumento na produtividade nos próximos anos.Os dados são do Anuário da Associação Brasileira das Empresas de Drones (ABDRONE) 2026.A trajetória de crescimento se intensificou após a criação do marco regulatório para operações civis de drones, em vigor desde 2017. Naquele ano, eram cerca de 16,5 mil aeronaves registradas. Cinco anos depois, em 2022, o número saltou para 93.729 – um avanço acumulado de mais de 460%.A expansão não perdeu ritmo nos últimos anos. Entre 2024 e 2025, os registros cresceram mais de 20% ao ano, enquanto as solicitações de autorização de voo avançaram mais de 25% no mesmo período. Os dados indicam não apenas o aumento da frota, mas também maior intensidade de uso das aeronaves.Em 2022, a divisão entre perfis de operação já mostrava essa mudança: 52.906 drones eram voltados ao uso recreativo, enquanto 40.823 eram profissionais. A participação crescente de aplicações empresariais e governamentais demonstra que o setor deixou de ser predominantemente voltado para hobbies e passou a ocupar espaço relevante em cadeias produtivas de base tecnológica.Entre os principais vetores de demanda estão o agronegócio (com destaque para pulverização aérea e agricultura de precisão), além de inspeções industriais, energia, infraestrutura, segurança pública, mapeamento técnico e produção audiovisual. A digitalização de serviços públicos e projetos ligados a cidades inteligentes também contribuem para a expansão.O impacto econômico vai além da venda de equipamentos. O crescimento estimula cadeias como importação e distribuição, manutenção especializada, formação de operadores, desenvolvimento de softwares e integração com tecnologias como inteligência artificial e redes 5G. Em 2024, as importações de drones aumentaram 24,1% em valor e mais de 115% em volume de unidades, sinalizando forte demanda interna.Números aumentaram após regulação de 2017 (Créditos: Cristian Martin / iStock)Ambiente regulatório é considerado favorávelO ambiente regulatório é apontado como um dos pilares da expansão. O modelo brasileiro distribui responsabilidades entre diferentes órgãos, que atuam no registro das aeronaves, controle do espaço aéreo, homologação de equipamentos e regulamentação de aplicações agrícolas. Essa divisão é vista pelo setor como fator de segurança jurídica para investimentos.Em 2025, o governo abriu consulta pública para atualizar as normas, propondo uma abordagem baseada em risco operacional e desempenho, alinhada a práticas internacionais. A revisão é considerada mais um passo na maturidade institucional do segmento.Para Pedro Curcio Jr., presidente da Associação Brasileira das Empresas de Drones (ABDRONE), o setor atingiu um novo patamar estrutural. Segundo ele, o país já conta com uma base instalada significativa e operações cada vez mais profissionalizadas, o que amplia o potencial de atração de investimentos. Curcio também defende políticas de estímulo, como redução de impostos de importação, apoio a startups do setor e maior integração entre Executivo, Legislativo e Judiciário.A expectativa é que o próximo ciclo de crescimento seja impulsionado por ganhos de produtividade, redução de custos operacionais e maior integração com tecnologias digitais. O post Brasil já tem mais de 133 mil drones registrados – e número deve aumentar apareceu primeiro em Olhar Digital.