Depois de semanas de pressão e um fevereiro particularmente duro para o mercado cripto, o Bitcoin começa a emitir sinais de que o pior da queda pode ter ficado para trás, mesmo sem um “gatilho” único e definitivo. O preço segue sensível a eventos macroeconômicos, juros e geopolítica, mas alguns indicadores sugerem que a fase de capitulação (venda com prejuízo) perdeu força e que o mercado pode estar tentando construir um piso.Após o Bitcoin ter caído para US$ 63 mil no sábado com a notícia do ataque dos EUA contra o Irã, o ativo entrou em forte recuperação nesta segunda-feira (2) e se aproxima da faixa de US$ 70 mil, cotação ainda maior a que registrava antes do conflito.Parte dessa leitura vem do comportamento dos grandes players: enquanto o varejo ainda oscila entre medo e desconfiança, dados on-chain apontam acumulação por baleias em níveis raros. Ao mesmo tempo, o ativo mostrou resiliência em um teste recente de estresse — a escalada do conflito envolvendo o Irã — e viu crescer o interesse do público por “comprar bitcoin”, um termômetro clássico em momentos de virada.Nada disso, por si só, “crava” fundo de mercado. Mas, quando os sinais começam a se alinhar, incluindo fluxo, sentimento, procura e contexto regulatório, o mercado deixa de se questionar até onde a queda vai para já começar a olhar para o início de uma retomada mais consistente.Confira abaixo os 6 sinais de que a fase mais crítica do bear market pode já ter ficado para trás:1) Baleias voltam a acumularUm dos sinais mais citados nas últimas semanas é a entrada de “novas baleias” — grandes carteiras que acumularam Bitcoin recentemente. Dados da CryptoQuant mostram que o realized cap desse grupo (uma métrica que estima o “custo” agregado de aquisição) subiu para perto de US$ 120 bilhões, nível apontado como inédito em ciclos anteriores, sugerindo compra relevante mesmo com o preço em correção.A oferta de Bitcoin nas mãos de dentetores de longo prazo também voltou a crescer desde 13 de fevereiro, com esse grupo acumulando mais 27.000 BTC no final de semana, segundo dados da Glassnode.Leia também: Strategy compra R$ 1 bilhão em Bitcoin na 3ª maior aquisição do anoA leitura por trás disso é simples: investidores com maior poder de fogo tendem a comprar quando veem assimetria de longo prazo — e, em geral, não entram para negociações de poucos dias. Se esse capital estiver, de fato, construindo posição, ele pode ajudar a formar suporte em regiões onde o mercado vinha “escorregando”.2) Bitcoin sentiu o choque do Irã — mas não desabouO segundo sinal vem do comportamento do preço durante o fim de semana de escalada militar. O Bitcoin chegou a cair após os primeiros ataques contra o Irã no final de semana, mas se recuperou rapidamente e nesta segunda opera em níveis mais altos aos vistos antes do evento, enquanto bolsas globais também entram em recuperação, em um sinal positivo para as criptos.Leia também: Por que o Bitcoin cai menos que ações em meio ao conflito no Irã?Como o BTC negocia 24 horas por dia, ele costuma virar a “válvula de escape” quando há pânico fora do horário dos mercados tradicionais. O fato de o movimento ter sido relativamente contido — e seguido de recuperação — reforçou a percepção de que parte do estresse já estava precificado e de que não houve um novo ciclo de liquidações em cascata.3) Busca por “comprar Bitcoin” volta a subirOutro termômetro é o interesse do público. No Brasil e globalmente, as buscas no Google por “comprar bitcoin” voltaram a acelerar e bateram recorde recente — movimento que costuma aparecer quando o mercado sai do choque inicial e começa a olhar oportunidade.Não é um indicador perfeito (picos também ocorrem em altas), mas em fases de queda prolongada ele tende a sinalizar retorno gradual de apetite, especialmente quando combinado com outros dados de fluxo e de sentimento.4) Medo extremo dá lugar a “medo”O sentimento também começou a destravar. O índice de medo e ganância (Fear & Greed Index), que tenta medir o sentimento dos investidores cripto, estava em cerca de 14 (medo extremo) desde o início de fevereiro, mas começou a dar sinais de melhora, chegando a 16 nos últimos dias, sugerindo que a fase de pânico agudo perdeu intensidade.Em ciclos anteriores, esse tipo de melhora não significa alta imediata, mas costuma indicar que o mercado parou de vender “a qualquer preço”, abrindo espaço para uma base mais sólida.Leia também: Bitcoin em bear market: Quanto tempo vai durar a baixa e como agir agora?5) Otimismo regulatório nos EUANas últimas semanas, o otimismo em torno da aprovação da Lei Clarity, o projeto de lei que busca dar um “mapa regulatório” para o mercado cripto nos EUA, voltou a ganhar espaço entre investidores, mesmo com ruídos políticos no caminho. Na semana passada, o Escritório do Controlador da Moeda, divulgou uma proposta que envolve regras de rendimento para stablecoins, um ponto que vem gerando debate político, mas que pode ajudar a aproximar a aprovação da nova legislação.Enquanto isso, um relatório do JPMorgan apontou que a aprovação de uma legislação de estrutura de mercado, como a Lei Clatiry, pode funcionar como catalisador positivo para os ativos digitais caso avance ainda na metade de 2026. “Se aprovada, ela remodelará a estrutura de mercado ao fornecer clareza regulatória, encerrar a ‘regulação por meio de medidas de punição, promover a tokenização e facilitar uma maior participação institucional”, disse o banco.Neste cenário, negociações recentes na Casa Branca mostram que o tema está no radar dos grandes chefes. Um encontro com bancos e empresas cripto terminou sem acordo, mas foi descrito como “construtivo”, e novas rodadas devem continuar, com o principal impasse sendo exatamente o tratamento de juros e recompensas em stablecoins.Um reflexo desse maior otimismo está no Polymarket, onde um mercado de previsão aponta apostadores vendo 70% de chance da Lei Clarity ser aprovada ainda este ano, sendo que até ontem essa projeção era de 63%. Considerando a visão da semana passada, quando o mercado via 43% de chances de aprovação da lei, o crescimento é ainda maior.6) Bitcoin e ouro: fim do bear market?Por fim, há a comparação com o ouro, um “rival” recorrente na disputa de narrativa. Uma análise recente do MB | Mercado Bitcoin destacou que, quando o Bitcoin é medido contra o ouro, há sinais de que o mercado pode estar se aproximando de um ponto de inflexão, algo que já apareceu em outras fases finais de bear market.Na mesma linha, o research do MB vem usando o histórico de duração dos ciclos de baixa para contextualizar o momento atual. “Se seguirmos o padrão histórico medido em ouro, o fundo poderia ocorrer por volta de fevereiro de 2026, com possível recuperação a partir de março“, dizem os analistas.No fim, o recado desses sinais não é que o Bitcoin “não cai mais”, mas que o mercado pode ter começado a trocar pânico por construção de base. E, quando isso acontece, o risco passa a ser menos o de queda sem freio e mais o de “ficar de fora” caso a virada se confirme.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post 6 sinais de que o pior da queda do Bitcoin já ficou para trás apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.