O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 11,7% em 2025, totalizando R$ 775,3 bilhões — o maior avanço entre os principais segmentos da economia brasileira —, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3). No consolidado, o PIB do Brasil registrou alta de 2,3%, somando R$ 12,7 trilhões no período.O resultado da economia também foi influenciado pelo desempenho da Indústria, que cresceu 1,4%, e dos Serviços, com avanço de 1,8%.No caso do agro, o crescimento foi puxado pelo aumento da produção e pelos ganhos de produtividade em diversas culturas, com destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que atingiram níveis recordes em 2025. A pecuária também apresentou bom desempenho ao longo do ano.A economista Juliana Inhasz, do Insper, afirma que o resultado do agro em 2025 não chega a ser uma surpresa. Segundo ela, ao longo do ano já era possível observar safras fortes e produção em alta, indicando que o setor seria o principal motor do crescimento.Apesar disso, a economista ressalta que o bom desempenho agregado não reflete integralmente a situação enfrentada pelos produtores. Embora o PIB do agro tenha sido expressivo, as condições financeiras no campo estão mais apertadas — um cenário que não aparece diretamente nos dados macroeconômicos.Entre os fatores que explicam essa pressão estão os custos de produção elevados, o encarecimento do financiamento e o aumento da inadimplência.Um dos sinais mais evidentes desse momento de maior tensão é justamente a alta da inadimplência no crédito rural. No terceiro trimestre de 2025, quase 9% da população rural estava inadimplente. Considerando apenas as dívidas com instituições financeiras, a taxa de inadimplência do crédito agro atingiu 7,3% em janeiro de 2026.“Esse cenário reflete juros elevados ao longo do último ano, spreads bancários maiores, maior seletividade na concessão de crédito e redução dos recursos destinados ao setor — tanto para custeio quanto para investimentos. Além disso, há outro elemento relevante: a queda nos preços das commodities”, afirma.Na prática, enquanto os custos de produção e de financiamento sobem do lado da oferta, os preços das commodities recuam do lado da demanda, comprimindo receitas e margens dos produtores.O que esperar do agro em 2026?Esse conjunto de fatores aponta para um cenário mais estável — e possivelmente menos dinâmico — em 2026. O forte crescimento registrado em 2025 dificilmente será repetido no mesmo ritmo.A economista também destaca o efeito estatístico da base de comparação. “Em 2024, houve quebras de safra e frustração de produção, o que resultou em um PIB agro abaixo do esperado. Assim, parte do crescimento de 11,7% em 2025 reflete uma base de comparação mais baixa — o chamado ‘efeito base’. Em certa medida, 2025 recupera perdas do ano anterior e adiciona um crescimento adicional”, explica.Dessa forma, o desempenho não deve ser interpretado como extraordinário ou estruturalmente acelerado, mas como uma combinação de recuperação e expansão.Para 2026, a expectativa é de um ano mais moderado. O agro deve continuar relevante para a economia, mas enfrenta desafios financeiros e microeconômicos importantes — como margens apertadas, dificuldade de renegociação de dívidas e crédito mais caro — que podem limitar o ritmo de crescimento no médio prazo.