Em um dia de forte aversão a risco do mercado, as ações do GPA (PCAR3), dona do grupo Pão de Açúcar, se destacavam como as maiores perdas desta terça-feira (3). Às 15h55 (horário de Brasília), PCAR3 desabava 14,92%, a R$ 2,68. No cenário macro, está a forte queda dos mercados globais e um cenário de forte alta dos juros futuros ao longo de toda a curva, em meio è continuidade e intensificação do conflito no Oriente Médio, que vem pressionando os ativos globalmente diante da busca por segurança.O mau humor nos mercados se intensificou diante da incerteza sobre a duração do conflito após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. O Catar suspendeu sua produção de gás natural liquefeito na segunda-feira, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio. A produção do país representa cerca de 20% da oferta global.Em um ambiente de forte aversão a risco e alta dos DIs, as ações mais penalizadas costumam ser as ligadas ao ciclo doméstico e ao crescimento econômico, como varejo, construção civil, small caps e empresas mais alavancadas, sendo que neste último caso é justamente um dos temas de maior preocupação para o GPA. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa recua e perde mais de 4 mil pontos; VALE3 derretePrincipais índices nos EUA caem com guerra no Irã escalandoDólar retoma papel de “porto seguro” em meio a preocupações com guerras e inflaçãoEnquanto as ações despencam e até mesmo o ouro e os títulos do Tesouro — tradicionais ativos de refúgio — caem com a intensificação da guerra entre EUA e Israel no Irã, a alta do dólar se destacaA varejista de alimentos divulgou seus resultados na semana passada, com elevadas despesas financeiras que seguem pressionando o resultado final. O balanço do quarto trimestre ainda alertou sobre “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia” em uma nota explicativa da companhia, revisada pela Deloitte, sobre as demonstrações financeiras do GPA, referentes ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025, divulgadas na noite de terça-feira, 24. Se isso fragiliza as ações da GPA em meio a um cenário turbulento, notícias sobre a companhia também abalam os ativos. A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou o rating corporativo do GPA de “A”, com observação negativa, para “CCC”.Em relatório, a agência de classificação afirma que a decisão reflete o aumento dos riscos de refinanciamento, o enfraquecimento da liquidez e a perspectiva de que o fluxo de caixa livre (FCF) permanecerá negativo no médio prazo, caso não haja redução material do endividamento. A Fitch acrescenta que uma reestruturação de dívidas é possível e que desembolsos acima do previsto com contingências trabalhistas e tributárias continuam pressionando o caixa e a alavancagem. Para uma eventual elevação do rating, o GPA teria de refinanciar a dívida de curto prazo em condições adequadas, fortalecer o FCF e diminuir a alavancagem – cenário visto como improvável pela agência sem capitalização relevante ou venda de ativos. Por outro lado, qualquer renegociação que piore as condições para credores pode acentuar a pressão negativa sobre a nota.Além disso, apresentou pedido incidental de tutela cautelar para o bloqueio das ações detidas pelo ex-controlador Casino, no sentido de preservar os direitos e garantias da companhia no âmbito do processo de arbitragem requerido em maio do ano passado.A arbitragem refere-se a processos de cobrança de diferenças no recolhimento de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) em relação aos anos calendários de 2007 e 2013, “por conta de alegada dedução indevida de amortizações de ágio”.(com Estadão Conteúdo)The post GPA cai 15%: o que faz a ação desabar – além da aversão a risco geral do mercado appeared first on InfoMoney.