Um dos efeitos imediatos sentidos pelo mercado após o ataque dos EUA ao Irã foi no mercado de petróleo, com o brent chegando a bater os US$ 80 na abertura dos mercados futuros no domingo e indo para os US$ 78 (alta de mais de 7%) ao longo da noite. Apesar da intensidade dos ataques, não foram confirmados danos estruturais significativos à infraestrutura essencial de produção ou exportação de petróleo. Houve relatos de explosões na Ilha de Kharg, o principal terminal de exportação de petróleo bruto do Irã, mas até então sem evidências de comprometimento duradouro da capacidade de exportação. Curiosamente, o próprio Irã teria atingido uma embarcação ligada ao país, possivelmente como um mecanismo de sinalização para amplificar a percepção de risco e desestabilizar os mercados de transporte marítimo e de seguros. Até o momento, o choque petrolífero parece ser impulsionado principalmente pela percepção de risco e pela logística, e não pela destruição física do fornecimento. De qualquer forma, as crescentes tensões estão gradualmente sufocando o Estreito de Ormuz. O tráfego pelo Estreito de Ormuz parece ter diminuído em meio a relatos de que algumas seguradoras estão reconsiderando ou suspendendo a cobertura contra riscos de guerra para embarcações que operam na região. Dado que aproximadamente 20% do fornecimento global de petróleo transita por Ormuz, mesmo uma interrupção parcial ou uma maior percepção de risco poderia aumentar o prêmio geopolítico embutido no Brent, elevar os custos de frete e seguro, restringir as condições do mercado imediato e pressionar os preços à vista para cima, mesmo sem uma perda real de oferta.A resposta da OPEP+ tem sido tímida, mas ainda existe a possibilidade de um aumento na Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) dos EUA. A OPEP anunciou um aumento na produção de aproximadamente 206 mil barris por dia (kbpd), acima do incremento anterior de cerca de 137 kbpd. Leia tambémComo os mercados devem abrir nesta segunda-feira após ataque dos EUA e Israel ao Irã?Analistas esperam que as primeiras negociações de dólar e outras moedas na Ásia já reflitam a volatilidade que poderá marcar a sessão desta segunda-feiraQuais setores e ativos brasileiros podem ser afetados pelo conflito entre EUA e Irã?Produção líquida de petróleo, superávit comercial e reservas elevadas dão algum fôlego ao Brasil, mas cenário de aversão ao risco deve pesar sobre Ibovespa e câmbioNo entanto, avalia o Bradesco BBI, a medida foi considerada tímida pelo mercado, já que a magnitude parece limitada em relação à escala potencial de interrupção caso os fluxos de Ormuz fossem significativamente prejudicados, sugerindo que o aumento pode não ser suficiente para compensar totalmente a incerteza geopolítica. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mantêm a opção de liberar volumes de sua Reserva Estratégica de Petróleo. Tal medida poderia ajudar a ancorar os preços no curto prazo e neutralizar parcialmente uma alta impulsionada mais por prêmios de risco do que por uma perda estrutural de oferta.O presidente Trump mencionou que a guerra poderia durar quatro semanas, ou menos. Em uma entrevista ao Daily Mail, o presidente afirmou: “É um país grande. Levará quatro semanas – ou menos”. Isso poderia ajudar a ancorar as expectativas dos mercados e a arrefecer a volatilidade dos preços.Os analistas apontam algumas observações, mas com mais perguntas do que respostas por enquanto:A primeira dela é sobre até quando a guerra vai durar. O ataque EUA/Israel foi bastante impactante e parece que o Irã está muito frágil, militarmente falando. A questão principal é por quanto tempo o Irã pode demonstrar alguma reação antes que os EUA declarem vitória e tentem retomar as negociações; nesse caso, o prêmio geopolítico diminuiria. Se esta guerra se prolongar, no entanto, e o Estreito de Ormuz continuar significativamente bloqueado, o prêmio geopolítico poderá permanecer elevado por um longo período, algo que os EUA provavelmente não desejam, pois começaria a afetar os níveis de inflação. A resposta a esta questão permanece em aberto, mas os comentários de Trump de que a guerra provavelmente durará até quatro semanas podem ajudar o mercado a ancorar as expectativas e a arrefecer a volatilidade dos preços.A outra é o impacto sobre o setor de petróleo. De uma perspectiva corporativa, o impacto real dependerá de quanto o preço à vista do Brent subir em relação aos custos mais elevados de frete e seguro. O BBI espera que os custos de frete continuem a subir significativamente visto que, desta vez, os VLCCs (navios petroleiros de grande porte, em tradução livre da sigla) são alvos reais. As empresas com maior exposição ao mercado à vista e proteção limitada por hedge têm mais chances de se beneficiar diretamente se o prêmio geopolítico se traduzir em preços realizados mais altos e sustentados. Petrobras (PETR3;PETR4), PRIO (PRIO3), Vista Energy, PetroReconcavo (RECV3) e Ecopetrol estão em melhor posição para capturar ganhos de curto prazo, dada a sua menor cobertura de hedge e maior sensibilidade ao Brent spot. Em contrapartida, YPF, Brava Energia (BRAV3) e GeoPark podem ter um efeito de curto prazo mais moderado, já que suas carteiras de hedge existentes limitam a realização imediata de preços.“No geral, assumir uma exposição adicional ao setor por causa de uma guerra que pode durar no máximo uma semana seria uma jogada arriscada, em nossa opinião”, avalia. Os estrategistas do Morgan Stanley preveem preços do Brent em torno de US$ 80/barril no segundo trimestre de 2026, e US$ 70/barril e US$ 65/barril no terceiro e quarto trimestres de 2026, respectivamente. O Morgan espera que as ações de empresas integradas de petróleo e E&P (exploração e produção) tenham um bom desempenho, já que o aumento na geração de fluxo de caixa livre pode levar a uma maior remuneração dos acionistas, um catalisador importante no curto prazo. Dada a natureza volátil dos prêmios de risco, favorece a exposição a empresas com balanço patrimonial sólido, já que os fundamentos de oferta e demanda podem eventualmente levar o Brent de volta à faixa dos US$ 60. Para a combinação de potencial de aumento na remuneração dos acionistas, solidez do balanço patrimonial e crescimento, escolheria PRIO, Petrobras e Vista (esta última caso ocorram recompras de ações). Para obter o máximo beta em relação aos preços do petróleo, uma posição tática em Brava Energia poderia gerar um potencial de alta atrativo, dada sua maior alavancagem.The post Petróleo em alta após ataque ao Irã: quais ações do setor são mais afetadas na B3? appeared first on InfoMoney.