O CEO da United Airlines, Scott Kirby, colocou na mesa a possibilidade de uma fusão com a American Airlines, segundo pessoas a par das conversas — uma ideia ousada que enfrentaria forte resistência dos reguladores, mesmo sob o governo pró-negócios de Donald Trump.Kirby apresentou a ideia a altos funcionários do governo, embora não esteja claro se houve movimentações concretas desde então ou se já existe um processo em andamento para explorar um possível acordo, de acordo com essas pessoas, que pediram anonimato porque as conversas são privadas.Leia tambémNovo Nordisk fecha parceria com OpenAI para acelerar descoberta de medicamentosFabricante do Ozempic utilizará inteligência artificial para otimizar fabricação e recuperar terreno contra a Eli Lilly no mercado bilionário de medicamentos para perda de pesoDisney anuncia demissão em massa com eliminação de 1000 postos de trabalhoOs cortes afetarão o grupo de marketing, que foi reorganizado em janeiro, e outras partes da empresa, incluindo seus negócios de estúdio e televisãoO executivo levou a proposta diretamente ao presidente Donald Trump durante uma reunião em 25 de fevereiro para discutir planos de modernização do Aeroporto Internacional Washington Dulles, disseram duas dessas pessoas.Um porta-voz da United Airlines se recusou a comentar, assim como representantes da American Airlines. As ações da American subiram 7,6% na abertura do pregão nos EUA, enquanto os papéis da United avançaram 1,5%.United e American estão entre as quatro maiores companhias aéreas dos Estados Unidos, controlando juntas mais de um terço do mercado. Uma combinação criaria a maior aérea do planeta. Por isso, qualquer fusão entre essas duas gigantes da aviação levantaria sérias preocupações antitruste e provavelmente enfrentaria forte reação de consumidores, políticos e concorrentes no mercado americano.Uma potencial fusão entre United e American “seria um desastre absoluto para o público que voa”, disse Ganesh Sitaraman, professor da Faculdade de Direito de Vanderbilt, porque uma operação desse tipo levaria a tarifas mais altas e menos opções para os passageiros.“Mesmo o regulador antitruste mais permissivo deveria barrar de imediato uma fusão tão flagrantemente anticompetitiva”, afirmou Sitaraman.As discussões ocorrem num momento em que a recente turbulência no mercado voltou a colocar a possibilidade de consolidação no centro do debate. Kirby disse em um memorando a funcionários no mês passado que a companhia se beneficiaria de qualquer “shakeout” no setor em meio à alta dos preços de petróleo e combustível, o que poderia abrir oportunidades de aquisição.“Estaremos prontos para aproveitar alguns desses ativos — pode ser uma situação ganha-ganha para eles”, afirmou Kirby em uma entrevista à Bloomberg Television em 24 de março, em Los Angeles. Questionado se isso significaria comprar empresas inteiras, ele respondeu: “Veremos, há muitos rumores sobre isso”.No caso de Kirby, um acordo envolvendo a American Airlines também teria um componente pessoal. Ele foi presidente da American, mas deixou a empresa depois que ficou claro que não havia um caminho para que assumisse o cargo de CEO. Kirby entrou na United como presidente em 2016, antes de chegar ao comando da companhia.As duas empresas vêm travando uma disputa constante de estratégias, especialmente no Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago, onde competem por acesso a portões e participação de mercado.Kirby também criticou a American por ser lenta demais na ampliação da oferta de produtos premium, que se mostraram populares e lucrativos na United e na Delta Air Lines.A união das duas criaria um gigante da aviação com mais de US$ 100 bilhões em receita e uma frota superior a 2.800 aeronaves. Mas também haveria sobreposição significativa de hubs nos EUA, o que provavelmente desencadearia forte oposição de rivais menores que se sentiriam pressionados para fora do mercado.As considerações do CEO da United ocorrem num contexto em que as companhias aéreas enfrentam preços mais altos de combustível de aviação devido à guerra entre EUA e Irã e ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo. Kirby já reagiu reduzindo um pouco a capacidade da empresa, dizendo que quer estar preparado para possíveis aumentos de custos.Fusões entre companhias aéreas americanas precisam ser analisadas e aprovadas pelo Departamento de Transportes, além do Departamento de Justiça. O secretário de Transportes, Sean Duffy, afirmou que o governo avaliaria diversos fatores ao considerar possíveis combinações, incluindo o impacto sobre a concorrência — tanto doméstica quanto global — e sobre os preços das passagens.“O presidente Trump adora ver grandes negócios acontecerem”, disse Duffy à CNBC em 7 de abril. “Há espaço para algumas fusões na indústria aérea? Sim, acho que há”, declarou.No entanto, Duffy acrescentou que não pretende “se comprometer de antemão com nada”.Ele também disse que, se houver uma fusão entre duas grandes aéreas, elas terão de “se desfazer” de parte de seus ativos porque os EUA não querem ver uma única companhia com participação de mercado excessiva, o que poderia elevar os preços para o consumidor.A United tem valor de mercado em torno de US$ 31 bilhões, contra cerca de US$ 7,4 bilhões da American. As ações da United acumulam queda de 15% no ano, enquanto a American vai ainda pior, com recuo de 27% desde o início de 2026.Com a American, sediada em Fort Worth, Texas, a United ganharia acesso à maior malha doméstica dos Estados Unidos — e colocaria fim à disputa de território em ebulição entre as duas no mercado de Chicago.Mas o movimento também ocorreria num momento em que a American enfrenta uma série de desafios operacionais e estratégicos, desde o esforço para reduzir cerca de US$ 35 bilhões em dívida até a tentativa de reconquistar passageiros corporativos incomodados por uma estratégia de marketing impopular — e posteriormente revertida. O CEO da American, Robert Isom, sofre pressão de pilotos que o culpam por não encurtar a distância em relação a rivais mais lucrativos, como Delta e a própria United.A indústria aérea dos EUA, tal como existe hoje, foi construída em grande medida por meio de processos de consolidação, incluindo as fusões entre Delta e Northwest Airlines, United e Continental, e American e US Airways.Ainda assim, a história do setor é repleta de acordos fracassados.Em janeiro de 2025, a United negou estar em tratativas para um acordo com a JetBlue Airways Corp. Uma aliança anterior entre JetBlue e American foi desfeita por ordem de um juiz federal por violar leis antitruste dos EUA. Um acordo separado, pelo qual a JetBlue tentava comprar a Spirit Airlines, também foi barrado com base em preocupações concorrenciais.© 2026 Bloomberg L.P.The post CEO da United propôs a Trump fusão com a rival American Airlines appeared first on InfoMoney.