O Banco de Brasília (BRB) deu início a um plano de reestruturação que prevê o fechamento de agências e a redução de despesas operacionais ao longo deste ano. A medida responde à pressão sobre o capital e à necessidade de recuperar eficiência após perdas relevantes.Em entrevista ao Correio Braziliense, o presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou que o banco realiza uma análise individualizada das unidades, com foco no desempenho e na relevância estratégica. Segundo ele, o processo ocorre de forma criteriosa e sem divulgação prévia das decisões.O movimento ocorre em meio a um cenário de fragilidade patrimonial. Auditorias e investigações apontam perdas bilionárias associadas à aquisição de carteiras de crédito do antigo Banco Master, operação que comprometeu a capacidade financeira do banco.Pelas regras do Banco Central, os bancos precisam manter níveis mínimos de capital para absorver riscos. Nesse cenário, o BRB busca reenquadramento regulatório, exigindo corte de custos e melhor reforço no caixa.A exposição ao chamado “Caso Master” se tornou o principal fator que causou a deterioração financeira. Analistas estimam uma redução relevante no espaço para a expansão de crédito e novos investimentos. Como resposta, o BRB negocia a venda de cerca de R$ 15 bilhões em carteiras de crédito a fundos de investimento.Segundo Nelson de Souza, a revisão da rede prioriza agências com maior volume de negócios e relevância estratégica. O plano acende alerta sobre o atendimento a servidores públicos, principal base de clientes do BRB. A instituição administra folhas de pagamento e operações de crédito consignado, o que sustenta a relevância da presença física.A possível desativação de agências amplia a incerteza sobre a continuidade do suporte presencial, sobretudo em demandas mais complexas. Diretrizes internas apontam foco no fechamento de unidades com baixa rentabilidade ou sobreposição geográfica, em linha com a estratégia de cortar custos sem comprometer a base considerada essencial.Migração para aplicativo desafia base de aposentadosA estratégia inclui a migração para canais digitais, com reforço do aplicativo e do atendimento remoto como pilares de eficiência. A transição, porém, ocorre de forma desigual. Clientes mais jovens aderem com rapidez, enquanto aposentados e servidores de carreira enfrentam mais barreiras, cenário que tende a prolongar a dependência do atendimento presencial.O BRB redesenha seu modelo operacional para reduzir despesas, ganhar eficiência e recompor capital em um ambiente de maior rigor regulatório. O sucesso da estratégia dependerá do equilíbrio entre o enxugamento da estrutura física e a manutenção da qualidade no atendimento, fator decisivo para preservar a base de clientes e sustentar a operação no médio prazo.* Sob supervisão de Gustavo Porto