Os mercados globais seguem “reféns” das negociações entre EUA e Irã para encerrar o conflito, enquanto o Ibovespa segue alcançando máximas históricas e o dólar renovando mínimas em dois anos. Somente neste início da semana, após o fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã no final de semana, o presidente americano Donald Trump declarou que a marinha americana bloquearia os portos iranianos com o objetivo de asfixiar a economia iraniana, o que foi efetivamente implementado a partir das 11h (horário de Brasília) de segunda-feira (13). Segundo declarações do vice-presidente JD Vance, o principal ponto de discórdia que inviabilizou o acordo foi a não aceitação por parte do Irã da proibição por parte dos Estados Unidos de que o Irã não poderá ter arma nuclear pelo menos nos próximos 20 anos.Diante deste cenário, os preços do petróleo voltaram a superar US$ 100 o barril e os ativos de risco amanheceram em forte queda.Entretanto, ao longo da segunda, declarações de Trump indicaram que o Irã entrou em contato para retomar as negociações, enquanto notícias não confirmadas, vindas de Teerã, indicariam que novas negociações seriam realizadas em Islamabad, no Paquistão, já na próxima quinta-feira.Estes sinais podem mostrar alguma divergência entre as autoridades iranianas. As declarações do presidente do país têm indicado uma postura mais pragmática enquanto os dirigentes da Guarda Revolucionária têm se mostrado mais duras. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa perde fôlego, em dia que supera os 199 mil pontosBolsas dos EUA sobem com petróleo em queda; navios passam por OrmuzCom isto, os preços dos ativos mudaram de direção, com aumento dos preços das ações e desvalorização do Dólar frente a moedas de países emergentes, com o dólar fechando abaixo de R$ 5, apesar dos preços do petróleo terem fechado próximos a US$ 100,00 o barril.Em reunião com Hagai Segal, consultor em geopolítica, contraterrorismo e Oriente Médio, o Bradesco BBI discutiu os desdobramentos mais recentes do conflito após o endurecimento das restrições no Estreito de Ormuz e tendo as últimas negociações no radar. A leitura central é que a estratégia iraniana segue voltada à disrupção estratégica, e não à obtenção de uma vitória militar. Com sua rede de aliados regionais enfraquecida e a capacidade militar convencional deteriorada, Teerã busca elevar o custo econômico do conflito, explorando gargalos críticos de comércio e energia —em especial o Estreito de Ormuz e, potencialmente, o Bab al Mandeb, no Mar Vermelho. A geografia segue oferecendo alavancagem tática ao Irã sendo que, nesse contexto, ameaças, ataques pontuais ou riscos de minagem naval já seriam suficientes para inibir o tráfego, via aumento de custos operacionais e de seguros. O risco de abertura de um “duplo gargalo”, com atuação dos Houthis no Bab al Mandeb, ampliaria significativamente o impacto, afetando não apenas o petróleo do Golfo, mas também fluxos comerciais globais pelo sistema Mar Vermelho – Canal de Suez. O custo econômico —inflação, riscos de estagflação, pressões sobre fertilizantes e insumos energéticos e possíveis reações políticas em economias desenvolvidas – passa a ocupar papel central, especialmente diante das eleições americanas de meio de mandato agora em 2026. Enquanto isso, países do Golfo rejeitam qualquer arranjo que conceda ao Irã poder duradouro ou benefícios econômicos sobre uma via marítima estratégica, enquanto a diplomacia se torna mais complexa com a maior influência de alas mais duras ligadas à Guarda Revolucionária nas decisões em Teerã.“A principal conclusão é que o conflito entrou em um ponto de inflexão relevante, com caminhos abertos tanto para uma escalada quanto para um acordo no curto prazo”, aponta o BBI após encontro com o especialista.Entre os principais gatilhos de piora estão: (i) o crescente peso de lideranças iranianas mais rígidas e com menor disposição a concessões; (ii) a possibilidade de os americanos adotarem uma abordagem militar mais direta caso as negociações fracassem, o que poderia levar o Irã a intensificar pressões em outros gargalos estratégicos e (iii) o fato de que o Irã não precisa derrotar militarmente os Estados Unidos para sustentar o conflito, bastando manter um cenário de disrupção prolongada no Estreito de Ormuz.Ainda assim, Donald Trump aparenta buscar ganhar tempo e evitar nova escalada, priorizando instrumentos de pressão não militar e preservando espaço para a retomada das negociações. O BBI ressalta que um eventual acordo dependeria de concessões de ambos os lados, com maior probabilidade de avanço no tema nuclear —via limites intermediários de enriquecimento e maior supervisão internacional —e forte resistência iraniana a outras demandas americanas, como o desmantelamento de capacidades balísticas.Do lado iraniano, a proposta de cobrança de pedágios no Estreito de Ormuz continua sendo vista com elevada preocupação por aliados regionais e países ocidentais, por criar precedente jurídico e gerar uma fonte rápida de recursos com potencial uso militar. No curto prazo, o BBI segue atento a cinco vetores-chave: eventuais violações do cessar fogo; possível mudança no padrão de atuação dos Houthis; riscos a embarcações americanas envolvidas em operações de desminagem; evolução do discurso de Washington em direção a um foco mais estreito na agenda nuclear e; sinais de recuo do Irã na proposta de cobrança de taxas em Ormuz.The post Mercados globais ficam reféns de negociações EUA-Irã, enquanto Ibovespa bate recordes appeared first on InfoMoney.