De acordo com a consultoria Neogrid, 54% dos brasileiros iniciaram 2026 com dívidas e apenas 25% possuem dinheiro guardado. Os números da pesquisa vão muito além da dificuldade dos brasileiros em pagar as suas contas. Mostra também a baixa capacidade de poupança do país, chave fundamental para viabilizar o investimento das empresas.Os investimentos empresariais em capital produtivo (máquinas, equipamentos, tecnologia) são fundamentais para o Brasil apresentar maiores e mais sustentáveis variações do PIB. Em parte, somos o país do eterno “voo de galinha”, pois o investimento representa pouco do nosso crescimento econômico. A baixa taxa de investimento das firmas em proporção do PIB está ligado à reduzida poupança interna do país.Em economia, por definição, o investimento é igual à poupança (S=I). A poupança é aquilo que não se consome da renda. É o dinheiro guardado que será utilizado para viabilizar os investimentos empresariais. Quando uma empresa emite uma ação ou uma debênture (título de dívida), ou toma recursos emprestados do banco, ela está captando recursos poupados pelas pessoas no mercado financeiro. Assim, não existe investimento sem poupança.No Brasil, os investimentos empresariais são baixos porque a poupança privada é baixa e a poupança do governo é negativa. Na verdade, o governo, ao emitir títulos públicos com elevadas taxas de juros para cobrir seu elevado déficit fiscal, suga recursos dos brasileiros que poderiam ser utilizados para financiar as empresas. Com a baixa poupança interna, o país se torna altamente dependente da poupança externa (investimento direto no país) para financiar sua atividade empresarial.Se além da poupança externa, tivéssemos uma alta capacidade de poupança privada e pública, certamente haveria muito mais recursos para investimentos empresariais, o que reduziria também a taxa de juros. Infelizmente, estamos longe dessa situação, pois o aumento da poupança interna do país passa obrigatoriamente por um ajuste fiscal das contas públicas.