Waack: CPI do Crime Organizado cai, mas ofensiva contra o STF cresce

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Com a decisiva ajuda do governo, foi rejeitado o relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado que pedia o indiciamento de três ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), além do procurador-geral da República. Mas o estrondo político ficou e é de grandes proporções. O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), queria o indiciamento e processo de impeachment dos ministros e do procurador-geral da República por condutas enquadradas em crimes de responsabilidade. Não houve, porém, indiciamento de políticos e empresários alvos de várias investigações em relação ao crime organizado.  É óbvio que o relatório final é uma peça política, dentro de um embate muito mais amplo entre os Poderes da República. Leia mais: Vieira culpa Gilmar Mendes e manobras por rejeição de relatório na CPI Após CPI, Fachin repudia pedido de indiciamento de ministros do STF Gilmar diz que Vieira esqueceu "colegas milicianos" em relatório da CPI Embate que no momento atual é fortemente pautado não por decisões do Supremo a respeito disto ou daquilo, mas pela conduta individual dos integrantes que a CPI tentou indiciar. Aí está o estrondo político. A crise de credibilidade e legitimidade do STF transformou-se em um fator eleitoral de grande projeção. Com o supremo poder do Supremo encarado por parte relevante dos eleitores como sufocante, injusto e inaceitável, a resposta de alguns ministros citados no relatório foi a de costume.Pelo menos um sugeriu a cassação de autores do relatório pedindo indiciamento, dizendo que críticas ao Supremo são críticas à democracia. É o tipo de argumento no embate político no qual a Corte está envolvida que não cola mais. Foi a primeira vez que uma CPI tentou indiciar altas autoridades do Judiciário, devido exatamente ao contexto político. Ficou documentado o forte ímpeto de setores do Legislativo de ir pra cima do STF. Isso deve aumentar depois das eleições.