À CNN, presidente do Botafogo comenta classificado de venda: “Desagradável”

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João Paulo Magalhães Lins, presidente do Botafogo, classificou como “extremamente desagradável” a situação na qual o clube se viu, nesta terça-feira (14), com a repercussão de um anúncio de venda na Inglaterra (veja no vídeo acima).O jornal britânico “Financial Times” publicou na página de classificados da edição da última sexta (10) que o Alvinegro, descrito como “um dos clubes mais históricos do Brasil”, está à venda.O Botafogo era incluído num pacote que continha ainda o Lyon, da França, e o Molenbeek, da Bélgica, clubes que faziam parte da Eagle Football Holdings, que era comandada por John Textor e, atualmente, é administrada pela empresa britânica Cork Gully. Veja abaixo:Anúncio de classificados do jornal inglês “Financial Times” com a oferta de venda do Botafogo • ReproduçãoEm entrevista exclusiva à CNN Brasil, João Paulo Magalhães Lins, que comanda o clube associativo do Botafogo, dono de 10% das ações da SAF, não escondeu o incômodo com a situação.Obviamente, é extremamente desagradável. Você está no classificado da Inglaterra, “vendo aqui um carro” e “vendo aqui o Botafogo, o Lyon”. É uma situação muito chata, mas é parte do rito que o administrador judicial indicado pela Justiça inglesa tem que fazer para botar os ativos na rua, como se chama para tentar ter ofertas sobre os ativos e tentar pagar os credores da melhor maneira. A gente está atento, a gente está observando. É muito desconfortável essa situação toda que o Botafogo está vivendo, mas temos assessores financeiros e jurídicos que têm nos orientado a melhor forma de agirJoão Paulo Magalhães Lins, presidente do Botafogo Leia mais Administradora assume Eagle e não descarta venda da SAF do Botafogo Botafogo aciona Lyon na Justiça por dívida superior a R$ 745 milhões Técnico do Botafogo explica reintegração de Neto ao elenco principal Leia a entrevista completa com João Paulo Magalhães LinsJoão Vítor Xavier: Hoje o mundo do futebol ficou todo surpreso com a notícia de que o Botafogo foi colocado à venda por anúncio de jornal no exterior. Como é que o Botafogo recebeu essa informação? Como é que o senhor, como presidente do Botafogo, se posiciona sobre isso?João Paulo Magalhães Lins: Olha, a gente tem acompanhado atentamente essa briga internacional entre os sócios da Eagle Holdings, a companhia que é acionista do Botafogo. É uma briga que se estende pela França, Bélgica, Inglaterra e Estados Unidos. Agora, chegou ao Brasil.Obviamente, o Botafogo foi dragado para esse momento ruim da Eagle e tem sentido dentro e fora de campo essa repercussão negativa. E obviamente que é extremamente desagradável. Você está no classificado da Inglaterra, vendo aqui carro e vendo aqui o Botafogo, o Lyon.É uma situação muito chata, mas é parte do rito que o administrador judicial indicado pela Justiça inglesa tem que fazer para botar os ativos na rua, como se chama para tentar ter ofertas sobre os ativos e tentar pagar os credores da melhor maneira.A gente está atento, a gente está observando. É muito desconfortável essa situação toda que o Botafogo está vivendo, mas temos assessores financeiros e jurídicos que têm nos orientado a melhor forma de agir.A gente também tem mantido o diálogo com todas as partes envolvidas, o dono da SAF Botafogo, que é o John Textor, os seus sócios, os administradores. A gente tem tentado falar para entender, já que nós somos minoritários e estamos nos deparando com toda essa situação nova, a melhor forma de se portar para a gente garantir a proteção do Botafogo acima de tudo, sempre.João Vítor Xavier: Presidente, o Botafogo associação é dono de 10% dessa SAF, 90% pertence ao grupo do Textor. Qual será o posicionamento jurídico de vocês daqui para frente, de proteção do Botafogo também como sócio do negócio?João Paulo Magalhães Lins: Essa é uma pergunta até difícil, porque tanta coisa tem acontecido ultimamente, que a gente fica com vários opções.Então, eu acho que o fundamental para a gente é a garantia que a SAF será protegida, que o Botafogo terá recursos e terá planejamento de longo prazo assegurado.Eu acho que o que a gente não quer é o Botafogo em agonia, o Botafogo em sofrimento, o Botafogo passando esse momento de incerteza.E eu acho que em breve o caminho para o Botafogo vai estar muito bem definido e que a segurança volte a pairar sobre os sócios e sobre toda a instituição. Para a torcida do Botafogo, que é o que ela merece.João Vítor Xavier: Como está a relação do Botafogo com o John Textor? E como vocês enxergam o futuro dessa relação?Olha, o Textor é uma pessoa que fez muito pelo Botafogo. Eu acho que já tive essa conversa com ele. Ele fez uma decisão errada em algum momento que foi comprar o Lyon e isso gerou buraco de caixa na empresa dele. Foi uma pena, virou uma bola de neve e nos atingiu.A nossa posição é conversar sempre com o John Textor, que é uma pessoa querida. Eu gosto muito dele como pessoa, eu acho que ele é um cara que tem muitas qualidades, mas infelizmente a gente está vivendo isso. É uma realidade, não tem como apagar isso ou mudar.O meu dever é tentar proteger o Botafogo da melhor maneira. Então, a gente mantém conversas com o John Textor regularmente, com o melhor tom. Ele entende quando nós temos que fazer alguma crítica. Ele entendeu também no momento que a gente deu a mão para ele e o ajudou.Mas, acima de tudo e de qualquer relação, está o Botafogo. Então, a gente tem que proteger o Botafogo, acima de tudo, para o torcedor do Botafogo.O clube hoje corre risco? A instituição corre risco?Olha, eu acho que há o risco de algumas coisas acontecerem. O risco de o Botafogo acabar, não existe. Isso não existe, não é nem o caso de falarmos disso. O Botafogo é imortal, estamos aí, uma instituição centenária, muito vitoriosa.Eu acho que o momento jurídico é desafiador. É um momento que precisa de rearranjo. Seja rearranjo societário, seja uma nova governança ou ajuste na atual governança.O Botafogo vai ter que passar por algum ajuste e que pode ser que traga momentos mais desafiadores num curto prazo. Mas eu acho que isso vai ser importante para que o Botafogo possa tornar a voar a longo prazo.Entenda o casoA consultoria britânica Cork Gully colocou a SAF do Botafogo à venda após assumir a administração judicial da Eagle no fim de março. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo.O anúncio saiu na última sexta-feira (10) no “Financial Times”. No comunicado, a empresa informou que detém participação em três clubes de futebol e colocou à venda os principais ativos, com destaque para participações majoritárias.Entre os ativos listados aparecem a SAF do Botafogo, descrita como “um dos clubes mais históricos do Brasil”, além do RWDM Brussels, da Bélgica, e do Olympique Lyonnais, da França.A Cork Gully encerrou o anúncio em formato direto, típico de classificados, e solicitou que manifestações de interesse sejam enviadas por e-mail.Posicionamento de John TextorO norte-americano John Textor se posicionou sobre o caso. De acordo com o empresário, que disputa judicialmente o controle da SAF, o anúncio “é uma exigência rotineira e legal”.“Isso (anúncio da Cork Gully) é uma exigência rotineira e legal em qualquer administração judicial, pois eles sabem que os acionistas e credores atuais farão ofertas. Portanto, eles precisam solicitar propostas do público antes de fechar qualquer negócio internamente. Acho que isso é novidade para as pessoas no Brasil, mas esse é o protocolo na Inglaterra”, disse John Textor, por e-mail, à “ESPN”.A Ares, gestora de investimentos que disputa judicialmente com a Eagle Holding Football, e demais credores da Eagle Bidco nomearam a Cork Gully LLP, firma inglesa de reestruturação financeira e operacional, como administradora da empresa com o controle da SAF do Botafogo e do Lyon-FRA.John Textor teve os poderes como diretor da Eagle Bidco suspensos, mas continua como gestor do Botafogo neste momento, conforme descrito no comunicado feito pela Ares.A Eagle Bidco é a subsidária britânica da Eagle Holding Football, rede multiclubes fundada por John Textor, da qual Botafogo e Lyon fazem parte. A Ares foi investidora para a compra do clube francês e está disputando judicialmente o controle das ações do grupo no Reino Unido.O empresário norte-americano perdeu o cargo de diretor da Eagle Bidco, em decisão da Justiça em janeiro.AtlasIntel: 36% dos torcedores apoiam transformação de clubes em SAFs