Empossado na última terça-feira (14) como o novo ministro da SRI (Secretaria Relações Institucionais), José Guimarães terá duas prioridades até as eleições em outubro: destravar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) e aprovar um projeto à gosto do governo sobre o fim da escala de trabalho 6×1.Deputado federal e ex-líder do PT na Câmara, Guimarães é o terceiro ministro da SRI no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Substituiu Gleisi Hoffmann (PT), que se descompatibilizou do cargo para disputar o Senado pelo Paraná.Com cerca de seis meses de tempo hábil até as eleições, Guimarães terá de convencer a maioria do Senado Federal a aceitar o nome do AGU (Advogado Geral da União), Jorge Messias, para ser o substituto de Luís Roberto Barroso no STF. Messias enfrenta resistência por parte da oposição, que o considera mais uma “indicação política e ideológica” de Lula para a Corte. Leia Mais Análise: Debate sobre escala 6x1 é "ganha-ganha" para Câmara e governo Com sabatina próxima, Jorge Messias intensifica busca de apoio da oposição Câmara e governo esperam acordo rápido sobre fim da escala 6x1 Em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, o novo ministro da SRI afirmou que “o pior já passou” no Senado sobre a aceitação de Messias. Há, segundo Guimarães, um cronograma de interlocução com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que a votação da indicação no dia 28 de abril não tenha sustos.Na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o indicado de Lula precisa de ao menos 13 votos, enquanto no plenário, 41. Nunca na história da república um indicado pelo presidente da República foi rejeitado pelo Senado.Quando perguntado se o governo já tinha um “mapa” dos votos dos senadores na sabatina, Guimarães negou. Messias vem ao longo das últimas semanas intensificando sua jornada de visitas a gabinetes. Como mostrou a CNN, a estimativa é de 48 a 52 votos favoráveis à aprovação.Escala 6×1À frente da Secretaria de Relações Institucionais, Guimarães também tem como missão articular a aprovação um de modelo de projeto para o fim da escala de trabalho 6×1 que esteja alinhado aos interesses do governo Lula.A pauta é de interesse prioritário do Palácio do Planalto visando o período eleitoral que se aproxima, com forte apelo popular.Na última quarta-feira (15), o chefe do Executivo vestiu um boné vermelho com a frase “pelo fim da escala 6×1”, nos mesmos moldes dos bonés “O Brasil é dos brasileiros”, utilizados em meio ao tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump.No entanto, ainda na posição de líder na Câmara, partiu de Guimarães a informação de que o governo não enviaria mais um projeto de lei próprio para alterar a escala de trabalho formal no Brasil. A informação foi compartilhada pelo próprio presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), em entrevista coletiva.A decisão foi vista por interlocutores do Planalto como precipitada, o que irritou segmentos do entorno de Lula. Prontamente, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, enviou um PL (Projeto de Lei) que tratava sobre o tema, com urgência constitucional.Contudo, Hugo optou por conduzir a proposta por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), já com relator definido e votação prevista para maio.Como mostrou a CNN, a Câmara dos Deputados não pretende recuar dessa estratégia, mesmo após o envio, pelo Planalto, de um projeto de lei com urgência constitucional sobre o tema.O Ministério da Fazenda tem atuado nos bastidores, além da SRI, como espécie de mediador do debate entre o Planalto e a Câmara dos Deputados sobre o fim da escala 6×1.A avaliação da equipe econômica é de que a matéria deve prever um período de transição para reduzir a jornada de trabalho, considerando o grau de impacto em diferentes setores da economia. A pauta é considerada avançada pela ala econômica do governo, com chance de ser votada ainda neste semestre.Marca de Padilha e GleisiTanto a indicação de Messias ao STF quanto o fim da escala 6×1 serão reivindicadas por Guimarães e devem marcar a gestão do novo ministro responsável pela articulação política.Alexandre Padilha, hoje ministro da Saúde, esteve à frente da Secretaria de Relações Institucionais por dois anos e, em meio a votações apertadas e crises internas, aprovou a Reforma Tributária.Já Gleisi Hoffmann, no período em que comandou a pasta, consolidou com o Congresso a isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5 mil por mês, promessa de campanha do presidente Lula.Sob supervisão de Leandro Bisa e Mayara da PazGuimarães assume SRI com foco na relação com Centrão | BASTIDORES CNN