O propósito importa porque todos procuramos viver uma vida com sentido. É essa a nossa condição humana. O nosso propósito, seja o que for, contribui para explicar quem somos e porque fazemos o que fazemos. As nossas organizações podem usá-lo para se melhorarem, pensando como melhor servir aqueles para quem existem.A chegada da inteligência artificial (IA) vem acentuar a importância de humanizar aquilo que os humanos fazem: relacionamentos e criatividade. A criação de organizações com propósito passará por aqui: pela criação de organizações mais humanistas. Mas importa não entender o propósito como panaceia. Muitas vezes, fica a sensação de que as declarações sobre o propósito não passam de proclamações vagas sem uma convicção genuína. Aí, o propósito pode gerar cinismo e não envolvimento. Por isso o propósito deve funcionar como um ‘verdadeiro norte’ organizacional, como lhe chamou o autor, com experiência executiva, Bill George.Para seguir o norte, as organizações não devem esquecer a lição de Frederick Herzberg. A partir dos anos 1950 este autor distinguiu fatores motivacionais, nos quais se poderia incluir o propósito, e higiénicos, como as políticas, salários, relações. Para construir uma casa com propósito importa combinar sonho e realidade. É desta combinação que nascem as organizações admiráveis.Em tempos de inteligência artificial, preservar o coração humano das organizações passa pela capacidade de combinar realismo e idealismo, propósito e pragmatismo. O que remete, como tantas vezes me acontece, para James March e a sua ideia de que um bom líder é poeta e canalizador. Não uma coisa ou outra, mas ambas. Sem esta dupla orientação o propósito tenderá a ser uma fonte de despropósito. Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.O conteúdo Liderar com propósito aparece primeiro em Revista Líder.