Documentos obtidos pela coluna apontam que existe um elo entre o início da carreira do cantor MC Ryan SP e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Isso porque, o ex-padrasto do artista, Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”, é integrante da facção e aparece no relatório do processo que investiga o esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de 260 bilhões de reais.De acordo com a investigação, Magrini manteve convivência direta com Ryan por cerca de uma década, antes do cantor iniciar sua carreira profissional, por volta de 2014.“Teve convivência próxima com Eduardo, durante sua infância e adolescência […] sendo que relatos apontam que a relação era de pai e filho, com Magrini tendo participado ativamente da criação enquanto ele ainda não era famoso.”A PF destaca que, à época dessa convivência, Magrini já possuía extensa ficha criminal ligados ao PCC, inclusive com suspeita de aporte financeiro criminoso no início da carreira do Mc Ryan.O irmão materno do cantor, Mateus Eduardo Magrini Santana, filho de Eduardo Magrini também aparece como alvo da investigação e foi preso durante a operação, na quarta-feira (15/4). “As movimentações apontam Mateus atuando como um dos destinatários de fluxos de subsistência familiar blindada.”Segundo a PF, ele teria recebido R$ 48 mil em transferências entre janeiro e julho de 2024.Prisão Eduardo Magrini foi preso em outubro de 2025 durante a Operação Off White, que investigou esquemas de lavagem de dinheiro da facção. Segundo a PF, ele atuava diretamente no núcleo financeiro da organização criminosa.Ainda conforme o relatório, Magrini possui um longo histórico criminal, com condenações e investigações por tráfico de drogas, homicídio, formação de quadrilha, receptação e uso de documento falso. Ele também é suspeito de participação em ataques contra policiais e prédios públicos em 2006, além de envolvimento em assaltos a bancos.OperaçãoA Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (15/4), com a participação de mais de 200 policiais. Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária.Segundo a PF, o grupo investigado pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões. Foram apreendidos dinheiro em espécie, veículos de luxo, armas, além de documentos e equipamentos eletrônicos.Entre os presos estão MC Ryan SP, apontado como principal beneficiário do esquema, além de MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, o influenciador Chris Dias e sua esposa, Débora Paixão.De acordo com as autoridades, o esquema utilizava empresas do ramo artístico e digital para misturar receitas legais com dinheiro de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas virtuais.A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens ligados aos investigados.