A coleta seletiva é a primeira etapa da separação dos resíduos recicláveis em centros urbanos. O material separado é então enviado para cooperativas, dividido por tipos e então vendido às recicladoras. Mas, uma nova tecnologia, pode fazer a separação de recicláveis mesmo entre o “lixo” que não foi previamente separado e coletado de forma espacial. A primeira Unidade de Triagem Mecanizada (UTM) da plataforma Ciclare foi inaugurada em Brusque, Santa Catarina, e pode evitar que milhares de toneladas de materiais que podem ser reaproveitados sejam destinadas aos aterros.O projeto marca o início de uma nova geração de infraestrutura para reciclagem no Brasil. A iniciativa introduz tecnologia de ponta e escala industrial para ampliar a recuperação de resíduos no país, já que possui potencial de expansão em escala nacional.Instalada no EcoParque Brusque da Veolia – que também será responsável pela operação da planta pelos próximos 15 anos – a UTM aumenta a possibilidade de recuperação de materiais recicláveis diretamente do fluxo de resíduos urbanos.Com a Unidade de Triagem Mecanizada, resíduos da coleta comum deixam de ir para o aterro e são separados por tipo. Fotos: Natasha Olsen“A inauguração desta unidade em nosso EcoParque Brusque representa um salto qualitativo para a gestão de resíduos no país. Mais do que separar materiais, estamos consolidando uma infraestrutura de vanguarda que conecta a coleta urbana diretamente à indústria”, afirma Pedro Prádanos, CEO da Veolia no Brasil. Leia também: 1.Adolescente cria rede solidária a partir da reciclagem na Inglaterra 2.Green Mining lança projeto inédito de créditos de carbono de reciclagem Com capacidade para processar até 220 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, a unidade poderá recuperar cerca de 15 mil toneladas anuais de materiais recicláveis, como plásticos e metais. Em um país que gera mais de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano e recicla menos de 10% desse volume, a UTM representa um avanço relevante ao capturar materiais que hoje são perdidos em aterros e reinseri-los na cadeia produtiva.“A destinação de resíduos no Brasil aponta para o futuro, com a construção de um modelo mais eficiente, escalável e alinhado às demandas da economia circular. Trata-se de uma mudança prática, que amplia a recuperação de materiais e reposiciona o lixo como recurso dentro da economia”, diz Eduardo Mufarej, Co-Chief Investment Officer da Just Climate, que financiou o projeto juntamente com o BID Invest.Diferentes atores do setor de resíduos se uniram para tornar o projeto possível. Foto: Veolia Leia também: 1.Mundo desperdiça € 200 bilhões por ano em materiais recicláveis 2.Triagem mecanizada separa 300 toneladas de recicláveis por dia Triagem de alta precisãoConsiderada a planta de triagem mais moderna da América Latina, a nova UTM incorpora tecnologia avançada de triagem mecanizada, incluindo sistemas ópticos capazes de identificar e separar materiais com alta precisão. Esse modelo permite recuperar recicláveis diretamente do lixo comum residencial — ampliando a oferta de materiais para a cadeia produtiva sem competir com a coleta seletiva ou com o trabalho de organizações de catadores.Além do ganho ambiental, a operação tem impacto direto na redução de emissões. A expectativa é evitar cerca de 33 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano, ao mesmo tempo em que contribui para prolongar a vida útil de aterros sanitários e reduzir a demanda por recursos naturais. Outro benefício do projeto está na área ambiental com a contratação de mais de 90 pessoas que já trabalhavam com materiais recicláveis em cooperativas da região e que agora passam a ter um emprego formal, com carteira assinada e condições de trabalho melhores.Depois da separação por máquinas, os resíduos serão triados por profissionais da reciclagem. Foto: Natasha Olsen“Ao unir tecnologias de alta precisão e parcerias estratégicas, mostramos que o Brasil está pronto para protagonizar um avanço decisivo em termos de economia circular, transformando o que antes era mero descarte em matéria-prima de excelência para novos ciclos produtivos. Esta iniciativa também contribui para o fortalecimento da segurança ambiental, garantindo o acesso a resíduos estratégicos e sua recuperação para atender às necessidades críticas de recursos do Brasil”, explica Prádanos.Planta de triagem mecanizada combina diferentes tecnologias. Foto: Natasha OlsenSolução em escalaO desenvolvimento do projeto reflete um movimento mais amplo de transformação do setor. Atualmente, o Brasil recicla cerca de 8,7% dos resíduos sólidos urbanos, evidenciando o desafio e a oportunidade de expandir a economia circular no país.Para ajudar a superar esse desafio, a Ciclare foi concebida para desenvolver múltiplas UTMs em diferentes regiões, com potencial estimado de implantação de até 40 unidades no país, ampliando de forma estruturante a capacidade nacional de transformação de resíduos urbanos em recursos com valor econômico.A iniciativa inaugura um novo modelo de infraestrutura para a reciclagem no Brasil, combinando investimento, tecnologia e articulação entre diferentes elos da cadeia para ampliar a recuperação de resíduos em escala industrial.Diferentes tipos de resíduos serão separados e destinados corretamente. Fotos: Natasha OlsenA planta em Brusque é resultado de uma parceria estruturada entre diferentes atores da cadeia. A eureciclo foi a idealizadora do projeto e, posteriormente, a Just Climate tornou-se investidora e controladora da plataforma, viabilizando sua estruturação e escala por meio da Ciclare – empresa criada para construir e operar diversas unidades de triagem, começando por Brusque.A Veolia integrou-se como parceira estratégica da primeira unidade, abrigando a UTM no seu Ecoparque e assegurando acesso ao feedstock de resíduos urbanos da região. Somou, ainda, engenharia e know-how global em gestão de operações e valorização de resíduos. Como a responsável pela operação da unidade, a Veolia garantirá a qualidade e performance com as melhores práticas internacionais para maximizar a recuperação dos recicláveis.Pedro Prádanos, CEO da Veolia no Brasil, André Vechi, prefeito de Brusque, e Pedro Maranhão, diretor-presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), durante a inauguração da unidade de triagem mecanizada. Foto: Veolia Leia também: 1.Resíduos de aterro viram energia para fábrica e frota da Natura 2.Lupo inaugura loja construída com tijolos 100% de resíduos têxteis Veolia registra crescimento de 18,3% no Brasil A Veolia, líder global em serviços ambientais, encerrou 2025 com receita de R$ 2,77 bilhões no Brasil, um resultado 18,3% maior em relação a 2024, superando tanto a expansão registrada na América Latina quanto a média do grupo globalmente.O desempenho brasileiro em 2025 não é circunstancial. Ele responde a uma realidade estrutural: cerca de 3.800 municípios enfrentaram condições de seca na última década, 73% dos rios apresentam qualidade ruim ou média, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, e eventos extremos como as enchentes em Porto Alegre e os episódios de seca severa em São Paulo elevaram a gestão ambiental a uma condição essencial para a sobrevivência operacional e a competitividade empresarial.Nesse contexto, a Veolia oferece um portfólio de soluções que abrange desde a regeneração de água e o tratamento de efluentes industriais complexos até a gestão de resíduos perigosos e a bioenergia.Pedro Prádanos, CEO da Veolia no Brasil. Foto: DivulgaçãoDurante a inauguração da UTM em Brusque, o CEO Pedro Prádanos, reforçou a meta de ampliar a geração de biometano nos 10 EcoParques da Veolia no Brasil. “A urgência da segurança ambiental deixou de ser um tema abstrato. A independência de recursos é hoje uma questão de sobrevivência empresarial e nacional”, ressaltou.Em 2025, as operações integradas da Veolia no Brasil ajudaram a recuperar mais de 2,4 milhões de metros cúbicos de água e possibilitaram a redução de mais de 1,27 milhão de toneladas de CO₂ equivalentes para seus clientes. Leia também: 1.Aterro Sanitário britânico vira fonte de alimentos 2.Reciclagem com catadores gera até 10 vezes mais empregos que aterros Soluções integradas para municípios e indústrias brasileirasOs resíduos que passam pela Unidade de Triagem Mecanizada da Veolia saem separados da planta. Foto: Natasha OlsenEm 2025, a Veolia firmou e avançou em contratos com municípios e grandes players industriais em diferentes estados do País:Alagoas: em um novo marco na jornada de descarbonização industrial brasileira, a unidade de PVC da Braskem em Marechal Deodoro passou a operar com 100% da geração de vapor proveniente de biomassa de eucalipto, substituindo integralmente o uso de gás natural por uma fonte renovável — resultado direto da atuação da Veolia no setor de bioenergia;Espírito Santo: a Estação de Produção de Água de Reúso de Vitória, que conta com tecnologias de última geração da Veolia, fornecerá 38.880 m³/dia de água recuperada de alta qualidade para ArcelorMittal e Vale, liberando recursos equivalentes ao abastecimento de 200.000 pessoas;Mato Grosso do Sul: as estações de tratamento de efluentes das plantas Suzano-Cerrado e Arauco-Sucuriú evitarão contaminação equivalente à gerada por cidades com mais de 2 milhões de habitantes;São Paulo: a Rhodia Brasil, em sua unidade têxtil de Santo André, atingirá 94% de reúso de água — equivalente a 133 piscinas olímpicas por ano — por meio de contrato de Technology as a Service com a Veolia por 10 anos;Pré-sal: as plataformas P84 e P85 da Petrobras processarão 47,000 m³/hora cada uma com tecnologia avançada de dessalinização;Etanol: a Inpasa processará 6.500 m³/dia com sistemas modulares Aquasource em quatro plantas de produção sustentável de etanol de milho.The post Tecnologia separa recicláveis em “lixo” residencial comum appeared first on CicloVivo.