O governo Trump escolheu Erica Schwartz, médica e defensora da vacinação que foi vice-cirurgiã-geral no primeiro mandato do ex-presidente, para assumir a direção dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).Trump anunciou a indicação em uma postagem nas redes sociais nesta quinta-feira (16).Se for aprovada pelo Senado, como a lei exige hoje, Schwartz será a quarta pessoa a comandar a agência em pouco mais de um ano. Ela assumirá a missão de liderar um quadro de funcionários que passou por demissões em massa, um ataque a tiros contra a sede do CDC em Atlanta e um forte desgaste na confiança do público. Schwartz não respondeu aos pedidos de comentário.Leia tambémSecretário de Trump cita trecho do filme Pulp Fiction como se fosse passagem bíblicaHegseth acreditou que citava um trecho atribuído a Ezequiel 25:17. Entretanto, reproduziu o que o personagem de Samuel L. Jackson diz antes de cometer um assassinatoIsrael e Líbano acertam cessar-fogo de dez dias, afirma TrumpPresidente dos EUA afirma que trégua começa nesta quinta, às 18h, no horário de BrasíliaCom formação em engenharia biomédica, medicina, saúde pública e direito, Schwartz é um nome altamente qualificado e, de certo modo, “clássico” para o comando do CDC, e já declarou publicamente apoio às vacinas e à medicina preventiva. A escolha é o sinal mais claro até agora de que a Casa Branca começa a se afastar do ceticismo em relação a vacinas do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., às vésperas das eleições de meio de mandato.Trump também anunciou Sean Slovenski, executivo sênior do Walmart, como vice-diretor e diretor de operações do CDC; a dra. Jennifer Shuford, comissária de Saúde do Texas, como vice-diretora e diretora médica da agência; e a dra. Sara Brenner, que chegou a comandar interinamente a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), como assessora sênior de Kennedy.O novo time substitui indicados políticos que estavam no CDC e eram mais alinhados ao ceticismo de Kennedy em relação às vacinas.Outros nomes cotados para dirigir o CDC também eram abertamente pró-vacina. O dr. Daniel Edney, autoridade máxima de saúde do Mississippi, desistiu da disputa, mas afirmou que o processo de seleção “foi profissional e encorajador” e que não houve nenhum “teste de fidelidade” específico sobre vacinas.Kennedy e seus aliados vêm tentando mudar o calendário de vacinação infantil, derrubando recomendações para algumas doses e questionando a segurança de aplicar várias vacinas ao mesmo tempo. No mês passado, um juiz federal decidiu que Kennedy e sua equipe fizeram alterações “arbitrárias e caprichosas” no calendário, sem respaldo em evidências científicas.O governo Trump não recorreu da decisão, mas o Departamento de Saúde tomou outras medidas que podem abrir caminho para Kennedy contornar a sentença e tentar, de novo, emplacar suas mudanças nas recomendações de vacinação.Schwartz é oficial da Marinha e contra-almirante aposentada do Corpo Comissionado do Serviço de Saúde Pública dos EUA. Ela também está entre as poucas mulheres negras em cargos de liderança no segundo governo Trump. Durante a pandemia de coronavírus, foi responsável pelo programa federal de testagem. Era educada, mas firme, quando discordava do dr. Brett Giroir, então secretário-assistente de Saúde e seu chefe, sobre os rumos do programa.“Ela não é figurante, não tem medo de dizer a verdade a quem está no poder”, lembra Giroir, almirante quatro-estrelas aposentado e pediatra.“Ela é muito brilhante e não se deixa levar por boatos ou teorias da conspiração”, acrescentou. “Fico muito satisfeito em ver alguém com a experiência, as credenciais e a dedicação dela à saúde pública e à prevenção ser indicada para esse cargo.”O CDC ficou praticamente todo o segundo governo Trump sem um diretor efetivo — teve um líder permanente por apenas 29 dias. A Casa Branca retirou o primeiro nome indicado, Dave Weldon, republicano e ex-deputado, quando ficou claro que suas posições antivacina não passariam no Senado.Susan Monarez, a diretora permanente anterior, foi aprovada pelo Senado em julho. Cerca de um mês depois, Kennedy a demitiu, após um embate sobre a política de vacinas e a recusa dela em seguir as recomendações do grupo de conselheiros sobre vacinação montado por ele.Depois da saída de Monarez, Kennedy colocou Jim O’Neill, investidor em ciência e biotecnologia sem experiência em saúde pública, como diretor interino do CDC. Em fevereiro, o governo reorganizou a cúpula do Departamento de Saúde e tirou O’Neill da função.Na sequência, a Casa Branca nomeou Jay Bhattacharya, diretor dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), como diretor interino do CDC, mas o mandato terminou porque o governo não escolheu um novo diretor dentro do prazo de 210 dias após a saída de Monarez. Mesmo sem o título oficial, Bhattacharya segue supervisionando as operações do CDC.c.2026 The New York Times CompanyThe post Trump escolhe médica defensora das vacinas para liderar agência de saúde dos EUA appeared first on InfoMoney.