As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com altas firmes, influenciadas pelo Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) acima do esperado em fevereiro, pelo forte leilão de títulos prefixados do Tesouro e pelo noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,495%, em alta de 15 pontos-base ante o ajuste de 13,343% da véspera. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,54%, com elevação de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,493%.No início da sessão, o Banco Central informou que o IBC-Br, considerado um indicador de tendência para o Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,6% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, ficando acima da expectativa de economistas ouvidos pela Reuters, de alta de 0,47%. Em relação a fevereiro de 2024, o IBC-Br cedeu 0,3% na série sem ajuste, e nos 12 meses até fevereiro houve aumento de 1,9% da atividade.O resultado acima do esperado deu suporte às taxas dos DIs, em especial entre os contratos a partir de 2028, em meio à leitura de que a atividade aquecida sugere um espaço menor para cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,75% ao ano.Durante a manhã, a curva recebeu novo impulso do leilão de títulos prefixados realizado pelo Tesouro, conforme operador de um grande banco de investimentos ouvido pela Reuters.O Tesouro vendeu 28 milhões de Letras do Tesouro Nacional e 7 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F, um montante bem acima dos 12 milhões de LTN e 3 milhões de NTN-F da quinta-feira passada.Em operações assim, é comum que os participantes do leilão de títulos busquem hedge (proteção) no mercado de DIs, comprando taxa, o que dá certa sustentação à curva. Como os títulos do Tesouro tinham datas diversas de vencimento — de abril de 2027 a janeiro de 2037 — o efeito da operação foi visto ao longo da curva.Além dos fatores locais, a curva brasileira também reagiu ao longo do dia ao noticiário sobre a guerra e seus ruídos.Fontes iranianas disseram à Reuters que os negociadores de EUA e Irã reduziram suas ambições em relação a um acordo de paz abrangente, após as conversas do último fim de semana, em Islamabad, não terem avançado. Os dois países estariam agora buscando um memorando temporário para evitar o retorno do conflito no curto prazo.À tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel — também envolvidos nos conflitos que se espalharam pelo Oriente Médio — e disse que a próxima reunião entre norte-americanos e iranianos pode ocorrer no fim de semana.Neste cenário, os rendimentos dos Treasuries se firmaram em alta durante a tarde, dando suporte às taxas dos DIs. Em meio às incertezas sobre a guerra e seus impactos inflacionários, os agentes seguiram precificando chances maiores de o Banco Central cortar a Selic em apenas 25 pontos-base no fim deste mês, e não em 50 pontos-base.Durante a tarde, no evento Itaú Latam Day, em Washington, o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Picchetti, classificou como “muito preocupante” a expectativa de inflação para 2028, que está subindo e se desviando da meta. Na véspera, o diretor de Política Monetária, Nilton David, já havia dito que os membros da instituição não estão “felizes” com a alta da expectativa para 2028.Conforme o último boletim Focus divulgado pelo BC, a mediana das projeções de economistas do mercado para a inflação em 2028 está em 3,60% — acima dos 3,50% projetados um mês antes.Às 16h41, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento — subia 3 pontos-base, a 4,309%.