O mercado atual de smartphones tem várias companhias que estão há bastante tempo disputando o mesmo espaço, como é o caso de Apple, Samsung e Motorola. Ao mesmo tempo, as companhias chinesas são nomes frequentes nas líderes de mercado, com nomes como Xiaomi já bem estabelecidas.Nessa segunda categoria, há também nomes ainda mais recentes, mas que conseguiram resultados expressivos em pouco tempo. Um deles é a Honor, companhia que ganhou destaque ao longo de pouco tempo e hoje tem presença inclusive no Brasil.Além da ascensão rápida, a caminhada da Honor também traz uma grande curiosidade: a companhia começa a trajetória como uma submarca de uma empresa de grande porte e, ao longo dos anos, começa a alçar voos próprios por questões políticas e comerciais.A seguir e também no vídeo acima, conheça a história da Honor, algumas curiosidades e também quais os principais eletrônicos já lançados por essa fabricante.O início discreto da HonorA história da companhia começa em 2013 com a fabricante chinesa Huawei, que no período era um dos nomes mais quentes do mercado de tecnologia. Ela ocupava a vice-liderança em equipamentos de rede sem fio e era a terceira maior fabricante de celulares em volume de vendas.Nesse ano, ela se tornou conhecida fora da China no setor de smartphones e viu as vendas decolarem ainda mais — na época em que marcas antes tradicionais, como Nokia e Sony Ericsson, deram espaço a outros nomes.É neste momento que a Huawei lança a Honor como uma submarca. A ideia era ter uma linha de produtos focada em aparelhos mais acessíveis em preço e também voltados para um público mais jovem, que comprava novos celulares principalmente por lojas digitais — segmento que tinha na Xiaomi o principal nome, além de linhas como o Moto G.O U8860 Honor. (Imagem: Divulgação/Huawei)O nome não veio por acaso: dois anos antes, em 2011 e ainda mais discreta no mercado, a Huawei lançou um smartphone chamado U8860 Honor. Ele chegou até a ser lançado no Brasil e recebeu vários elogios na análise feita pelo TecMundo.O Honor 2 sai no ano seguinte, com chip da própria Huawei e Android 4.0. Foi neste momento em que ela percebeu que tinha em mãos um nome forte, aparelhos elogiados e que poderia ser mais desenvolvido.A submarca só começa de fato em dezembro de 2013, quando ela lança os modelos Honor 3X e Honor 3C. Os dois se destacavam pelo baixo preço e recursos como cancelamento de ruídos em chamadas, mas as especificações técnicas eram básicas: 2 GB de RAM, 8 GB de espaço interno e câmera traseira abaixo das rivais.A ascensão de uma submarcaNo ano seguinte, ela vende 20 milhões de aparelhos e já queria dobrar o número em 2015. Parte desse sucesso veio do Honor 6, que começa a ser vendido aos poucos também fora da China e era considerado um dos celulares com 4G mais rápidos do mundo.Em 2015, já em 74 países e com lojas online nos Estados Unidos e na Europa, sai o Honor 7, um top de linha acessível com corpo de metal. A marca também passa a vender pulseiras inteligentes para quem pratica atividades físicas e tablets, a partir da linha Honor Pad.A família Honor Pad de tablets segue com lançamentos atualizados. (Imagem: Honor/Divulgação)Só que o destaque do período é mesmo o Honor Magic, considerado o primeiro celular do mundo com recursos de inteligência artificial (IA). A linha Magic virou sinônimo de aparelhos mais ousados, experimentais ou diferentes e existe até hoje.Os lançamentos incluem ainda o Honor 6X de 2017 e a expansão de produtos em 2018, que envolve notebooks com o MagicBook e relógios inteligentes da marca Honor Watch. A linha MagicBook evoluiu e inclui até modelos Pro, com características top de linhaOs celulares também expandem com uma categoria que não durou tanto: o Honor Play, um celular mais gamer com aceleração de GPU. Ela também lança fones de ouvido sob a marca Honor Choice, que existe até hoje, e TVs já descontinuadas nos modelos Vision e Vision Pro.O Honor View 20. (Imagem: Honor/Divulgação)O ano de 2019 é também agitado em lançamentos, com aparelhos como o Honor View 20 e uma até então inédita câmera traseira de 48 megapixels e a família Honor V30. Para efeitos de comparação, período um em cada quatro celulares da Huawei que eram vendidos nesse período pertenciam a uma das linhas da Honor.O fator Donald Trump e a independênciaA trajetória da marca, porém, sofre um baque a partir de 2019. No primeiro governo de Donald Trump, a crise da Huawei com o governo dos Estados Unidos atinge o auge de tensão: o país norte-americano impõe sanções comerciais contra a marca chinesa, acusando ela de ser instrumento do governo chinês e possível agente de espionagem.Como resultado, a Huawei perdeu o direito de utilizar vários serviços atualizados da Google, incluindo o Android atualizado e aplicativos nativos como YouTube e Gmail. A marca ainda desacelerou na luta contra a Samsung pela liderança do mercado de smartphones e desabou em vendas.Sanções impostas no governo Trump resultaram na venda da Honor. (Imagem: Andrew Harnik/Getty Images)Outra consequência foi a venda da Honor. No fim de 2020, a Huawei anuncia que estava se desfazendo da marca e que ela agora seria controlada pelo Shenzhen Zhixin New Information Technology Company, um consórcio de companhias e investidores formado para administrar a nova empresa, sem qualquer envolvimento da antiga dona.No fim, a venda era considerada benéfica para os dois lados:Por um lado, a Huawei aliviou as próprias contas, já que não conseguiria manter uma submarca inteira em um período tão delicado. Hoje, ela tenta retomar o prestígio com o HarmonyOS e os chips próprios Kirin, mas as vendas não voltaram ao patamar anterior;Para a Honor, essa foi a chance de conquistar a independência e lançar aparelhos com mais liberdade. Recursos antes banidos, como chips da Qualcomm e apps da Google, retornaram normalmente.Uma nova Honor no mercadoNo renascimento da Honor, em 2021, ela abre uma nova fábrica em Shenzhen e retoma os lançamentos. Os primeiros aparelhos da nova fase são o V40 e a linha Honor 50, já bem aceitos pelo público.Nesse período, a organização dos celulares já era parecida com a atual. Eles são organizados pela linha numerada, a família X, a família V e os modelos Magic. Já o sistema operacional dos aparelhos é o MagicOS, uma skin bem modificada do Android.Em 2022, ela também consolida uma fase de ousadia, começando com o primeiro celular dobrável da marca (Honor Magic V) e a estreia dela no setor de aparelhos premium (Honor Magic 4 Pro), com as câmeras traseiras em um módulo na forma de círculo.O dobrável Magic V, de 2021. (Imagem: Divulgação/Honor)Outra novidade importante surge em 2023: ela foi a primeira marca a adotar as baterias de silício-carbono para celular. Elas são uma evolução dos modelos de íon-lítio com maior densidade, o que significa que é possível ter um aparelho com maior concentração de energia em uma bateria do mesmo tamanho.Aparelhos com mais de 7 mil miliampere-hora viram realidade a partir desse ponto e a própria companhia segue apresentando modelos com cada vez mais capacidade de armazenamento de energia.Onde está a Honor hoje?Nos últimos anos, a Honor segue com o planejamento dessa nova fase, apesar de algumas mudanças. Em 2025, o CEO da empresa, Zhao Ming ou George Zhao, sai do cargo de gerente executivo depois de comandar a marca desde que ela era uma submarca. Li Jian, executivo veterano da Huawei, assumiu o cargo.Além disso, em janeiro de 2025 ela chega oficialmente ao Brasil para vender smartphones meses depois do anúncio. A já tradicional DL foi a escolhida para fazer a importação, inserindo a maraca no disputado mercado nacional.O Robot Phone. (Imagem: Divulgação/Honor)Entre projetos futuros, um dos destaques é o Robot Phone, um celular que tem a câmera traseira móvel graças a um braço retrátil, parecendo mesmo a cabeça de um robô. Além disso, a pretensão é em breve fazer a oferta pública de ações na Bolsa de Valores.Enquanto isso, a Honor segue com uma linha relativamente grande de produtos, em especial depois da independência da Huawei, mesmo que ainda focada nos celulares e lutando por mais reconhecimento em mercados internacionais.