Flórida abre investigação criminal sobre ChatGPT após tiroteio em universidade

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A Procuradoria-Geral da Flórida abriu uma investigação criminal contra o ChatGPT e sua controladora, a OpenAI, após analisar mensagens trocadas entre o chatbot e o homem acusado de matar duas pessoas na Universidade Estadual da Flórida no ano passado.O procurador-geral do Estado, James Uthmeier, afirmou que as conversas indicam que o ChatGPT teria “oferecido aconselhamento significativo ao atirador antes de ele cometer crimes tão hediondos”. Ele citou trocas em que o suspeito pergunta sobre o poder de uma arma a curta distância e sobre quais munições poderiam ser usadas.“Meus promotores analisaram isso e disseram que, se fosse uma pessoa do outro lado da tela, estaríamos apresentando acusações de homicídio”, disse Uthmeier em entrevista coletiva em Tampa.O ataque ocorreu em abril do ano passado, perto do centro estudantil da universidade, em Tallahassee. Duas pessoas morreram e outras seis ficaram feridas, incluindo ao menos um estudante. O suspeito, então com 20 anos e aluno da instituição, responde a múltiplas acusações de homicídio e tentativa de homicídio e aguarda julgamento preso.Promotores reuniram como prova mensagens trocadas entre o suspeito e o ChatGPT. No dia do ataque, ele perguntou ao chatbot como o país reagiria a um tiroteio na universidade e qual era o horário de maior movimento no centro estudantil, segundo registros obtidos pelo The New York Times por meio de um pedido público.Apuração civil seguirá em paralelo à investigação criminalUthmeier havia anunciado em 9 de abril a abertura de uma investigação sobre a OpenAI e o ChatGPT. Nesta terça-feira (21) afirmou que a apuração civil iniciada no começo do mês sobre a eventual responsabilidade da empresa seguirá em paralelo à investigação criminal.Em nota divulgada anteriormente, a OpenAI disse que cooperará com as autoridades. “Desenvolvemos o ChatGPT para compreender a intenção das pessoas e responder de forma segura e apropriada, e seguimos aprimorando a tecnologia”, afirmou a empresa. Procurada novamente nesta terça, não respondeu de imediato.(O The New York Times processa a OpenAI por suposta violação de direitos autorais; a empresa nega as acusações.)Uthmeier reconheceu que a OpenAI é uma empresa – e não uma pessoa – e afirmou que investigar eventual responsabilidade criminal nesse caso representa um território jurídico inexplorado.Ainda assim, disse ter o dever de apurar se “seres humanos podem ter participado do desenho, da gestão e da operação” do chatbot a ponto de justificar responsabilização penal. O gabinete pretende intimar a empresa a apresentar documentos, incluindo políticas internas e materiais de treinamento sobre como lidar com usuários que possam representar risco a si próprios ou a terceiros.Uthmeier foi nomeado procurador-geral no ano passado pelo governador Ron DeSantis e concorre a um mandato completo neste ano.DeSantis, também republicano, tem defendido medidas para limitar o poder da inteligência artificial – posição que o coloca em rota de colisão com a abordagem mais favorável à tecnologia adotada pela Casa Branca. O governador pediu que o Legislativo estadual estabeleça regras para o uso de IA em uma sessão especial na próxima semana.