Vender capacete em Monteiro dá prejuízo? – Por Inácio Feitosa

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Chama a atenção — de quem mora e de quem visita — uma cena recorrente em Monteiro: motociclistas circulando sem capacete. A pergunta surge quase automaticamente: por quê?A resposta é simples, embora pouco praticada: usar capacete não é costume, é obrigação legal. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é claro. E não é por capricho: é por proteção.Sem capacete, uma queda que poderia ser banal vira problema sério — muitas vezes gravíssimo. E quando isso acontece, entra em cena o SUS (Sistema Único de Saúde), com ambulância, hospital, UTI (Unidade de Terapia Intensiva), cirurgias… Ou seja: o risco é individual, mas a conta acaba sendo de todos. O famoso “depois a gente vê” sai caro.E não é só sobre quem pilota. Há situações ainda mais delicadas, como o transporte de crianças sem a devida proteção. Aqui, além do bom senso, entra o dever de cuidado. E esse ponto, convenhamos, não admite relativização.É importante dizer com equilíbrio: o cuidado com o trânsito não é responsabilidade de um só poder.Cabe ao Executivo fiscalizar e educar; ao Legislativo cobrar e aprimorar; ao Judiciário garantir a aplicação da lei; ao Ministério Público atuar quando necessário; e à sociedade, claro, fazer a sua parte e também cobrar.No fundo, é um esforço coletivo. E quando cada um faz “um pouquinho menos”, o resultado aparece — infelizmente — nos acidentes.Há até uma ironia local que não passa despercebida: do jeito que vai, vender capacete em Monteiro parece mau negócio. Por outro lado, hospital nunca fica sem demanda. Não é exatamente o tipo de equilíbrio econômico que se deseja.Recentemente, conheci seu Dimas, 69 anos, figura da terra. Ele anda de bicicleta — e de capacete. Sim, de bicicleta. No vídeo que acompanha este artigo, ele dá uma aula simples e direta:“É mais seguro. Não usar é irresponsabilidade. Isso é perigo.”Sem discurso complicado, sem lei citada. Só bom senso. E, às vezes, é exatamente disso que está faltando.Monteiro não precisa de grandes teorias para resolver isso. Precisa de presença, constância e um pouco mais de cuidado coletivo. Fiscalizar ajuda. Educar também. Mas nada substitui a decisão de fazer o certo — mesmo quando ninguém está olhando.No fim, a conta é simples: o capacete é leve. O problema de não usar, nem tanto.VEJA O VÍDEO:Prof. Inácio José Feitosa NetoAdvogado, escritor e professor universitárioO post Vender capacete em Monteiro dá prejuízo? – Por Inácio Feitosa apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.