A TerraMagna projeta uma recuperação gradual do agronegócio brasileiro ao longo das próximas duas a três safras, mesmo diante de um cenário ainda pressionado por endividamento elevado e margens mais apertadas.Para David Telio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da fintech, a expectativa é de que, com safras cheias e condições climáticas favoráveis, o setor volte a ganhar tração e possa inclusive alcançar novos recordes de produção, com estimativas em torno de 356 milhões de toneladas.“O produtor pode retornar a um ‘novo normal’ de alavancagem mais equilibrada, próxima de um ciclo produtivo”, explica. Além disso, a empresa vê espaço para desalavancagem ao longo dos próximos ciclos, impulsionada por ganhos de produtividade. Mesmo com preços mais pressionados, o aumento na produção pode garantir maior geração de caixa, fator essencial para a redução das dívidas.Piora no mercado de máquinas agrícolasApesar desse horizonte mais construtivo no médio prazo, o curto prazo ainda inspira cautela — especialmente no mercado de máquinas agrícolas.A empresa avalia que a Agrishow deve refletir o momento mais apertado do produtor, com uma queda relevante nas vendas de equipamentos. A expectativa é de uma retração de até 50%, em linha com o observado em outras feiras recentes do setor, como a Tecnoshow Comigo.“É uma tendência deste ano ter uma redução substancial na venda de novas máquinas, isso é natural. Sempre que o produtor está alavancado ele não costuma se endividar mais para trocar máquinas, mas ele investe na revisão do maquinário e das peças que ele tem hoje. Devemos ver uma queda de 50% na venda de máquinas agrícolas na Agrishow”.No ano passado, a Agrishow encerrou com R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios para máquinas agrícolas, um avanço de 7% na comparação com 2024.Assim como aconteceu no ano passado, o Agro Times estará em Ribeirão Preto (SP) na próxima semana para a abertura da principal feira de tecnologia agrícola da América Latina, que acontece entre os dias 27 de abril e 1º de maio.