A expectativa de que o petróleo pudesse atingir patamares de até US$ 120 ficou para trás diante dos sinais de arrefecimento nas tensões no Oriente Médio. Segundo Gabriela Sporch, analista de investimentos do BTG Pactual, a commodity deve se estabilizar em níveis mais baixos nos próximos meses.“O patamar de US$ 90 ou um pouco mais baixo será um valor mais comum para o petróleo a partir de agora. Vimos uma alta até US$ 120, mas como a guerra está demonstrando tendências de resolução, veio uma queda, que pode chegar até US$ 85”, destaca.A avaliação foi feita durante o Giro do Mercado desta quinta-feira (16), apresentado pela jornalista Giovana Leal, que recebeu a analista para comentar os principais movimentos do dia.O preço do petróleo segue no radar dos investidores em meio às incertezas envolvendo a guerra no Oriente Médio. Nesta manhã, a commodity operava em alta, chegando a US$ 98, enquanto o mercado acompanha o prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para avanços nas negociações com o Irã.Apesar das tensões, Trump voltou a afirmar que o conflito está “muito perto do fim” e indicou que o Irã demonstra interesse em avançar em um acordo. Nos bastidores, mediadores atuam para destravar pontos sensíveis, como a reabertura do Estreito de Ormuz e o futuro do programa nuclear iraniano.O ambiente de incerteza impactava os mercados globais. As bolsas em Wall Street operavam em queda nesta manhã, refletindo a fragilidade nas tratativas geopolíticas. No Brasil, o Ibovespa acompanhava o movimento e também recuava, após uma sequência recente de altas.Segundo Sporch, o movimento negativo do índice brasileiro é pontual. A tendência ainda é de alta, mas, após sucessivas máximas, é natural uma correção. “O Ibovespa está quase batendo os 200 mil pontos, mas nos próximos dias tem um espaço para uma pequena queda. A região entre 190 mil e 192 mil pontos são suportes relevantes, que não interferem na tendência atual”, afirma.No câmbio, o dólar, que vinha em queda ao longo da semana, mostrava estabilidade nesta quinta-feira. A analista destaca que a moeda americana segue com viés de baixa no curto, médio e longo prazo. “A região dos R$ 5 era um suporte importante, mas sofreu uma troca de polaridade, e se transformou em uma resistência”, disse.No cenário doméstico, os investidores também repercutem a prévia do PIB medida pelo IBC-Br, que avançou 0,6% em fevereiro. Na comparação anual, houve recuo de 0,3%, enquanto, em 12 meses, o indicador acumula alta de 1,9%. O destaque positivo ficou com a indústria, que cresceu 1,2%, seguida pelos impostos, com avanço de 0,8%.*Com supervisão de Juliana Américo