A guerra do Irã aumentou os preços da ureia, fertilizante essencial para garantir uma colheita de trigo bem-sucedida na Argentina, impondo aos agricultores a uma situação difícil semanas antes do início da safra no próximo mês.Um aumento de quase 100% no preço da ureia — um fertilizante que fornece nitrogênio — como resultado da guerra que começou no final de fevereiro, forçou muitos produtores locais a avaliar se deveriam reduzir suas aplicações do produto ou abandonar os planos de plantio.“Fizemos as contas outro dia e nossa ideia se resume a duas opções: ou não plantamos trigo e plantamos algo que me será útil para o gado, como cevada ou aveia, ou o fazemos, mas com muito pouco fertilizante, sem pensar em alta produtividade”, disse à Reuters Roman Gutierrez, produtor agrícola da cidade de Pergamino, na província de Buenos Aires. Leia Mais Agricultores indianos temem escassez de fertilizantes devido à guerra Alta de custos pressiona trigo e eleva risco de repasse ao consumidor Alta de 35% na ureia pode levar Brasil a priorizar derivado de nitrogênio A ureia está agora em US$ 1 mil por tonelada — acima dos US$ 500 de pouco mais de um mês atrás, de acordo com Gustavo Churín, analista que acompanha o mercado de fertilizantes. Ele atribuiu o aumento no preço à contração do fornecimento global de ureia dos países do Golfo Pérsico devido à guerra e seu impacto no comércio que utiliza o Estreito de Ormuz.Um recorde de 29,5 milhões de toneladas de trigo foi colhido na última safra do cereaal da Argentina, de acordo com dados da bolsa de grãos de Rosário, onde funciona o principal mercado de grãos da Argentina.A bolsa ainda não publicou estimativas sobre a próxima safra de trigo.A Argentina é o principal fornecedor de trigo ao Brasil.O papel da uréiaA Argentina usa aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de ureia por ano. Além do trigo, é usada na produção de milho e ajuda no desenvolvimento das plantas.A ureia é “a chave mestra que permite aspirar a outros níveis de rendimento”, disse Cristian Russo, chefe de estimativas agrícolas da Bolsa de Grãos de Rosário.No entanto, em Venado Tuerto, uma cidade nas planícies férteis da província de Santa Fé, os produtores foram forçados a fazer cortes.A fazendeira local Noelia Castagnani disse que os produtores não estão comprando ureia e podem mudar seu foco do trigo para aumentar a área de milho ou soja quando for plantada no final do ano.“Não há muitas consultas sobre fertilizantes”, disse Castagnani. “A margem de lucro é muito limitada.”Churin disse que o fim das hostilidades no Oriente Médio não faria com que os preços da ureia voltassem imediatamente aos níveis anteriores ao conflito, mas proporcionaria algum alívio.