O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o Estreito de Ormuz foi reaberto ao tráfego internacional derrubou o preço do petróleo em cerca de 13% nesta sexta-feira (17). A notícia sustentou o apetite por risco em Nova York, mas pressionou o Ibovespa (IBOV), mais exposto a petroleiras, como a Petrobras (PETR4).Em entrevista à jornalista Paula Comassetto, no Giro do Mercado, o especialista em renda variável da Avin Capital, Heitor De Nicola, afirmou que a possível normalização da passagem em Ormuz era um dos principais gatilhos acompanhados pelos investidores, dado seu impacto direto sobre as commodities.Nesse contexto, “o nosso Ibovespa tem uma influência muito grande da Petrobras e, com a queda do petróleo, a ação tende a passar por uma correção”, disse.O movimento desta sexta ocorreu apesar de notícias positivas no noticiário corporativo. A Petrobras aprovou R$ 41,2 bilhões em remuneração aos acionistas, enquanto a Vale (VALE3) registrou a maior produção para um primeiro trimestre desde 2018.A cautela, porém, aumenta após a forte alta recente da Petrobras, que se aproxima de 50% no ano. Diante disso, “o mais importante agora é conseguir separar aquilo que é tese estrutural dos ativos daquilo que é ruído de mercado”, afirmou De Nicola.Sobre o Ibovespa, o analista ressaltou que pode perder força no caminho até os 200 mil pontos. “A gente ainda é muito ditado pelo fluxo estrangeiro. O institucional local e a pessoa física estão pouco posicionados em Bolsa. Só o fato de não termos novas entradas relevantes já pode levar a uma queda do Ibovespa.”* Com supervisão de Maria Carolina Abe