“Jogo do tigrinho”: mulher no Ceará relata vício e dívida de R$ 50 mil

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A designer de cílios Assíria Macêdo, de 29 anos, afirma ter perdido o patrimônio da família e acumulado uma dívida de cerca de R$ 50 mil após desenvolver vício em jogos online, incluindo o chamado “jogo do tigrinho”. Moradora de Fortaleza, ela publicou um vídeo nas redes sociais, na última segunda-feira (13), em que relata o impacto da dependência, diz viver sob forte pressão psicológica e faz um apelo por ajuda.No depoimento, que viralizou nesta semana, Assíria afirma que começou a jogar há cerca de quatro anos, atraída por relatos de ganhos rápidos. Segundo ela, no início chegou a lucrar valores altos, como R$ 10 mil e R$ 15 mil, o que reforçou o comportamento. Com o tempo, passou a apostar todo o dinheiro que tinha disponível, incluindo renda do trabalho.“Eu não tinha controle. Se tivesse 5 mil na minha conta, eu jogava 5 mil. Se eu trabalhasse, pegava o dinheiro e jogava. Se eu tivesse qualquer quantia, do que for, na minha conta, eu jogava. Isso me destruiu, destruiu a minha vida, destruiu meu casamento, destruiu os meus pais. Eu perdi tudo”, afirmou Assíria Macêdo.A situação evoluiu para um quadro de endividamento e conflitos familiares. A designer relata que o marido tentou quitar dívidas contraídas por ela, mas acabou também se prejudicando financeiramente. Os pais, segundo o relato, venderam imóveis para ajudar a pagar os débitos. Ela afirma que perdeu praticamente todos os bens.Assíria diz que enfrenta problemas de saúde mental, com crises de ansiedade, insônia e dificuldade para trabalhar. Segundo o relato, ela não consegue mais atender clientes no estúdio montado na própria casa e vive sob medo constante de cobranças. Leia Mais Quase 300 mil saíram das apostas por vício, diz Padilha à CNN "Desgraça alheia": Influenciadores lucravam com perdas de apostadores PCC e Adilsinho: operação mira rede milionária de apostas no Rio “Fiz muita dívidas com agiota, meu esposo (…) fez de tudo para ajudar e fez de tudo para pagar as dívidas, mas acabou se afundando também, porque eu acabava não falando a verdade, eu mentia e acabava jogando de novo. Meu pai e minha mãe venderam as casas deles para pagar as dívidas e, hoje, a gente mora de favor”.No vídeo, a designer afirma que precisa de tratamento psicológico e psiquiátrico. Sem plano de saúde e com dificuldades financeiras, ela diz que busca atendimento público e lançou uma vaquinha online para tentar quitar os débitos e iniciar o tratamento. Além de doações, pede oportunidades de emprego.Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Assíria Macedo (@assiriamac)No Brasil, a prática de jogos de azar que dependem exclusivamente ou principalmente da sorte é considerada uma contravenção penal, conforme o artigo 50 da Lei das Contravenções Penais (3.688/1941). A pena é de até um ano de prisão simples com multa que pode chegar a R$ 200 mil.Em julho de 2024, o Ministério da Fazenda publicou uma portaria que estabelece critérios técnicos para jogos de apostas online, como o “jogo do tigrinho”, autorizando o funcionamento de jogos deste tipo no país, desde que se encaixem nas regras estipuladas.Entenda a ludopatiaO caso chama atenção para a dependência em jogos de azar, conhecida como ludopatia. Reconhecida como transtorno pela Organização Mundial da Saúde desde 2018, a condição é caracterizada pela dificuldade de controlar o impulso de jogar, mesmo diante de prejuízos pessoais, financeiros e sociais.“O tratamento é difícil, como todo tratamento de vício. Consiste em recriar um padrão de satisfação no mundo e abandonar aquilo que causa prazer imediato, no caso, o jogo”, afirma o psicólogo, psicanalista e historiador Miguel Gomes.Segundo o especialista, o processo envolve reorganização mental e, muitas vezes, a reconstrução de vínculos afetivos afetados pelo comportamento compulsivo. Estratégias como acompanhamento psicológico, participação em grupos de apoio e, em alguns casos, uso de medicação podem ser indicadas. Em situações mais graves, pode haver necessidade de internação.Ao final do vídeo, Assíria afirma que reconhece a dependência e diz estar arrependida. Ela afirma que precisa de ajuda para retomar o trabalho e sustentar as filhas e os pais.