O anúncio feito pelo Irã de que o Estreito de Ormuz está, a partir de agora, completamente aberto a navios comerciais afastou o pior cenário geopolítico, mas quanto tempo, de fato, levará para o fornecimento global de petróleo voltar ao normal?Em Washington, durante encontros paralelos da Reunião de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), os bancos estimam que a retomada do fluxo de fornecimento pode demorar, podendo afetar a cotação do petróleo no curto prazo.A economista do ASA, Andressa Durão, participa dos encontros e conta que as projeções dos bancos que ouviu por lá era de que o mundo pode sofrer um apagão de fornecimento na segunda semana de maio se o fluxo não for normalizado rapidamente. Mesmo com o estreito politicamente aberto, um atraso no restabelecimento das cadeias logísticas ainda carrega o potencial de catapultar o preço do barril para a faixa de US$ 150 a US$ 200.Os bancos alertam que a reabertura efetiva precisa ocorrer em uma janela crítica de três a cinco semanas. “Caso a logística não seja reestabelecida neste prazo, chegaremos ao ponto em que os estoques de petróleo vão se esgotando”, diz, lembrando que a produção de outras regiões não dá conta da demanda global.Leia também: Guerra no Oriente Médio pode elevar inflação no Brasil em 1 ponto percentual, diz IFIComplexidade logísticaO retorno do escoamento da commodity, mesmo com o sinal verde de Teerã e um eventual acordo diplomático, está longe de ser imediato. A dinâmica das vias marítimas é complexa, envolve altíssimos custos de seguros e reposicionamento de frotas que haviam sido desviadas. “Os navios não partem no dia 1 do acordo”, resume Durão.O efeito prático desse atraso logístico é o que os economistas chamam de “destruição de demanda” — resultando em menor crescimento econômico global e reflexos inflacionários diretos, como a forte alta já mapeada nas passagens aéreas.O continente asiático segue como o mais exposto a esse gargalo de transição. Os impactos na atividade econômica da região já são sentidos, relata Durão. A estratégia anterior do governo de Donald Trump de bloquear o fluxo visava pressionar a China, mas análises compartilhadas em Washington indicam que Pequim conseguiu utilizar suas reservas para suportar a interrupção sem colapsar.O recuo no conflito e a pressão do CongressoAté a reabertura do estreito, os bancos avaliavam que a condução do bloqueio por parte dos Estados Unidos vinha sendo feita de forma “desorganizada”, enfrentando oposição dentro da própria Casa Branca. Havia um temor real de que o uso de forças americanas adicionais se transformasse em combate direto.Com a liberação comercial de Ormuz, a pressão interna sobre Trump tende a mudar de figura, mas o Congresso dos EUA segue vigilante. O cálculo político de 2026, ano em que todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado estão em disputa nas eleições de meio de mandato, exige que a Casa Branca garanta que a normalização logística ocorra antes que a conta chegue às bombas de gasolina, afetando o custo de vida do eleitor americano.Brasil na contramão da turbulênciaApesar do alerta máximo dos bancos em relação ao choque global nos preços da energia, o FMI avalia que o Brasil se encontra em um patamar de resiliência. De acordo com avaliações recentes do Fundo, o país está “relativamente bem posicionado para enfrentar a turbulência global”. A conjuntura desencadeada pelos impactos da guerra levou, inclusive, o FMI a elevar a sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no ano de 2026.The post Irã reabre Ormuz, mas bancos no FMI alertam que normalizar petróleo levará semanas appeared first on InfoMoney.