O Ibovespa (IBOV) interrompeu a sequência de ganhos semanais, mesmo renovando as máximas históricas e com o alívio nas tensões geopolíticas. O ‘grande vilão’ foi o retorno dos preços do petróleo para o nível de US$ 90. O principal índice da bolsa brasileira acumulou perda de 0,81% na semana e encerrou a última sessão aos 195.733,51 pontos. Apesar da baixa, o Ibovespa renovou os recordes. Na terça-feira (14), o índice encerrou as negociações aos 198.657,33 pontos, após bater 199.354,81 pontos na máxima nominal intradia histórica. Já o dólar à vista (USDBRL) terminou a R$ 4,9833, no menor nível desde meados de 2024, e teve queda de 0,56% ante o real no acumulado dos últimos cinco pregões.Por aqui, o mercado continuou a concentrar as atenções nos efeitos do conflito no Oriente Médio e suas implicações na política monetária. As pesquisas eleitorais também ficaram no radar. Na última quarta-feira (15), a pesquisa Genial/Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um potencial segundo turno da eleição presidencial de outubro. Além disso, o Tesouro Nacional anunciou a oferta de títulos denominados em euros, retornando ao mercado europeu após mais de uma década de ausência de emissões nesse segmento.Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o governo brasileiro captou 5 bilhões, demanda maior do que o previsto.Nos Estados Unidos, o mercado acompanhou novos dados de inflação. Os preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) aumentaram menos do que o esperado em março.Mas foi o avanço das negociações entre Washington e Teerã que reduziu a aversão a risco dos investidores.Perto do fechamento de ontem (17), a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 53,8% de chance de o Fed retomar o afrouxamento monetário na primeira reunião de 2027, em 27 de janeiro. A probabilidade majoritária é de um corte de 25 pontos-base, com 38,4% de chance. No início da semana, o mercado precificava o ciclo de cortes somente a partir de julho de 2027. Hoje, as taxas de juros estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.Alívio no Oriente MédioAs tensões no Oriente Médio desescalaram na última sessão da semana. Na manhã de sexta-feira (17), o ministro das Relações Exteriores do Irã anunciou a liberação total da passagem de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz durante o período de cessar-fogo no Líbano. A trégua entre Líbano e Israel foi acordada na véspera (16), entrou em vigor no dia seguinte, com duração de 10 dias.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também declarou que Irã concordou em “nunca mais” voltar a fechar o Estreito de Ormuz.Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, era o principal ponto de atenção do mercado.Cerca de um quinto do consumo global da commodity passa pelo ‘corredor’, que conecta principalmente grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — aos mercados da Ásia.Há ainda a expectativa de um acordo de paz definitivo entre EUA e Irã. Trump disse a jornalistas na tarde da última quinta-feira (16) que poderia viajar ao Paquistão caso um acordo para pôr fim à guerra no Irã fosse assinado no país.Sobe e desce do IbovespaA ponta positiva do Ibovespa foi liderada por Vamos (VAMO3).No início da semana, a companhia em conjunto com a Simpar (SIMH3), Movida (MOVI3) e JSL (JSLG3), anunciaram a aprovação dos aportes da BNDESPar, segmento de participações do BNDES. Segundo as empresas, o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovaram o aporte, que visa o aumento de capital das companhias. A Vamos, por exemplo, deve receber investimentos entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões.O anúncio de aumento de capital bilionário da holding Simpar e das controladas Vamos e Movida, com BNDESPar como investidora âncora, foi anunciado em março. O segmento de participações do BNDES também tem a opção para adquirir participação na JSL. O aporte total é estimado em R$ 1,5 bilhão. Confira a seguir as altas do Ibovespa entre 13 e 17 de abril: CÓDIGONOMEVARIAÇÃO SEMANALVAMO3Vamos ON11,08%AZZA3Azzas 21546,35%CSNA3CSN ON5,76%CPFE3CPFL Energia ON4,85%TOTS3Totvs ON4,73%IGTI11Iguatemi ON4,72%RENT4Localiza PN4,52%RENT3Localiza ON4,37%DIRR3Direcional ON4,05%EGIE3Engie ON4,02%Já a ponta negativa do Ibovespa foi liderada por Brava Energia (BRAV3). As ações da junior oil foram pressionadas, em parte, pela queda dos preços do petróleo. O contrato mais líquido do Brent para junho, referência para o mercado global, acumulou recuo de 5,6%, encerrando a semana a US$ 90,38 na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Além disso, a companhia anuncio queda na produção trimestral nos primeiros três meses deste ano.A petroleira júnior registrou produção média diária de 75,983 mil barris de óleo equivalente (boe/d) entre janeiro em março. Entre outubro e dezembro de 2025 (4T25), a média diária do 4T25 foi de 76,728 mil boe/d, enquanto os dois anteriores foram de 91,813 mil boe/d (3T25) e 85,872 mil boe/d (2T25).Na avaliação do Safra, a Brava reportou números de produção negativos em março, com a produção caindo 7% na comparação mensal.Para a XP, “a produção permanece bem abaixo dos níveis observados em meados de 2025. O principal fator para o desempenho mais fraco foi Atlanta, onde a produção foi afetada por uma intervenção realizada em uma das bombas do campo após uma falha”. Veja as quedas na semana:CÓDIGONOMEVARIAÇÃO SEMANALBRAV3Brava Energia ON-10,20%RECV3PetroReconcavo ON-8,95%PRIO3PRIO ON-8,85%WEGE3Weg ON-8,00%HAPV3Hapvida ON-7,70%PETR3Petrobras ON-5,91%CSAN3Cosan ON-5,91%BRKM5Braskem PN-5,75%PETR4Petrobras PN-5,73%SLCE3SLC Agrícola-5,69%