O presidente em exercício Geraldo Alckmin (PSB) defendeu neste sábado (18) a redução da jornada de trabalho no país. Segundo ele, reduzir a escala é uma “tendência mundial”.Alckmin afirmou que ainda é preciso discutir se a redução será implementada de forma imediata ou se haverá uma transição, e que esta é um debate a cargo do Poder Legislativo. “Essa é uma tendência mundial. Se deve discutir o tema para ver a maneira se isso pode ser implantado direto, se deve ter um escalonamento em razão dos tipos de atividade. Essa é uma discussão que o Congresso Nacional o fará”, disse.A declaração se deu a jornalistas durante visita a concessionárias em Valparaíso de Goiás, a 37km de Brasília. O vice-presidente está no posto de presidente em exercício enquanto Lula faz realiza visitas de Estado a países da Europa. Leia Mais Lula cita Espanha como exemplo e volta a defender fim da escala 6x1 Hugo Motta marca sessão da Câmara nesta sexta para acelerar PEC 6x1 Câmara e governo esperam acordo rápido sobre fim da escala 6x1 A redução da escala é um tema que ainda está em tramitação e precisa do aval tanto da Câmara quanto do Senado para poder avançar e, de fato, ser implementado.O tema é visto pelo governo federal como uma pauta estratégica. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmam que, se a proposta passar, poderá levar o petista à reeleição em outubro deste ano — cerca de 57% dos brasileiros defendem que a escala 6×1 deve acabar.Por esse motivo, o governo Lula quer que a pauta avance e seja implementada rapidamente.Debate sobre a escala 6×1O debate acerca do tema ganhou destaque em 2025. No momento, estão sob a análise da Câmara dos Deputados duas PECs (Propostas de Emenda à Constituição) sobre o assunto:PEC 221/2019: prevê a redução da jornada de 44 horas para 36 horas semanais, sem redução salarial;PEC 8/2025: propõe a substituição da escala 6×1 pela 4×3 – dessa forma, os trabalhadores teriam três dias de folga durante a semana.As duas estão sendo discutidas de forma conjunta pela CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) da Câmara. Os autores são, respectivamente, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e a deputada Erika Hilton (Psol-SP).Nesta semana, o relator das pautas, deputado Paulo Azi (União-BA), votou a favor dos dois textos. No entanto, a discussão na comissão foi adiada depois de pedido de vista (mais tempo para análise) apresentado por alguns deputados.Azi, no entanto, defendeu em seu parecer um modelo de transição para que o país possa se adaptar em até 10 anos. Porém, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, já deu declarações dizendo que essa não é a vontade do governo.Se as propostas forem aprovadas na CCJ, seguirão ainda para uma comissão especial que será criada especificamente sobre o tema. Depois, irão para a análise do plenário da Câmara e só então serão discutidas pelo Senado, onde também poderão passar por comissões.Textos no formato de PEC precisam ser aprovados de forma igual tanto na Câmara quanto no Senado. Ou seja, se houver uma alteração na Casa Alta, a proposta terá que ser analisada novamente pela Casa Baixa.Por esse motivo, o debate pode se estender mais ainda. Além disso, na forma de uma PEC, depois de o texto ser aprovado pelas duas Casas, a assinatura cabe apenas ao Legislativo, não precisando passar pela sanção do presidente Lula.Com o objetivo de acelerar a tramitação do tema no Congresso, o governo enviou nesta semana um PL (projeto de lei) também pautando o debate.O projeto propõe a redução da jornada para 40 horas semanais e a substituição da escala 6×1 pela 5×2. Em um aceno ao setor produtivo, a proposta é mais branda do que as apresentadas pelos congressistas.O texto foi enviado em regime de urgência, ou seja, pode travar a pauta do Congresso se não for analisado em até 90 dias (prazo de 45 dias para a Câmara, e 45 para o Senado).Análise: Fim da escala 6x1 é trunfo eleitoral do governo | WW