Especialista: Crise no STF existe há mais tempo do que admitido por corte

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A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) existe há mais tempo do que o admitido pelos próprios ministros, segundo avaliação do cientista político Lucas de Aragão, da Arko Advice. Em entrevista ao WW, ele apontou que a recente divisão entre os ministros quanto ao diagnóstico da situação apenas evidencia um problema mais antigo e profundo.A divergência ficou clara quando Edson Fachin e Carmen Lúcia admitiram a existência de uma crise séria, enquanto Gilmar Mendes rebateu essa visão em entrevista à Bandeirantes, classificando-a como alarmista. Para Aragão, no entanto, os sinais da crise institucional são anteriores e evidentes.“Claro que essa divisão dentro do Supremo expõe a crise, mas a crise vem muito antes. A crise, quando você tem mais de metade dos senadores buscando um impeachment de ministros, existe uma crise”, afirmou o especialista. Ele acrescentou outros indicadores: “Quando mais de 60 parlamentares são investigados pelo STF, é porque existe uma crise. Quando o Executivo fica usando o STF para driblar algumas resistências no Legislativo, é porque tem uma crise”. Leia Mais Cardozo: Não há dúvida de que o Judiciário tem sido alvo de ataque Supremo tem que se repensar, diz Miguel Reale Júnior Zema fala em "crise moral" no país e critica STF: "Aflorou a podridão" O cientista político também mencionou a judicialização da política como outro sintoma do problema: “Quando o mundo político usa o STF como procon da política, porque não gosta do resultado de uma votação e provoca a judicialização da política e do questionar a Suprema Corte, é porque tem uma crise”.Cenário pode piorar em 2027Aragão alertou para um possível agravamento da situação em 2025, com a perspectiva de um Senado mais à direita após as eleições. “Existe um cenário, digamos, realista de um Senado mais à direita, de um Senado onde o assunto impeachment de ministro do STF, ou pelo menos o papel do STF na discussão pública, vai ser usado na campanha por senadores de direita”, explicou.O especialista também trouxe dados de uma pesquisa realizada pela Atlas Intel e Arko Advice, apresentada na CNN há cerca de duas semanas, mostrando uma queda significativa na confiança da população em relação ao STF. Segundo ele, há seis meses, a confiança na Corte estava dividida, com 51% confiando e 49% não confiando – números que refletiam a polarização política do país. No entanto, a pesquisa mais recente revelou que quase 70% dos entrevistados não confiam mais no tribunal, o que, para Aragão, confirma a existência da crise institucional. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.