Juntar entrada, assumir um financiamento longo e conviver por anos com uma dívida alta e com juros.´Esse é o roteiro mais conhecido e quase automático para comprar um imóvel, mas há tempos o consórcio imobiliário já oferece outra saída.Na prática, a modalidade tem sido usada como ferramenta de planejamento, inclusive por quem poderia pagar, mas prefere não descapitalizar.“O consórcio deixou de ser visto somente como solução para quem não tem dinheiro e passou a ser uma ferramenta de planejamento”, diz Thiago Savian, sócio-diretor da Unifisa.Essa mudança fica mais clara quando se olha para o uso no mercado imobiliário. Cada vez mais, o consórcio abre espaço para estratégias flexíveis. Entrar em um grupo sem definir o imóvel, usar a carta para reorganizar um financiamento, fazer melhorias no patrimônio e até renda extra são algumas das possibilidades.Leia também: Consórcio da XP pode render até 100 mil pontos Livelo; veja regrasVersatilidade do consórcio imobiliárioNo ponto de partida, já surge uma das diferenças mais relevantes entre consórcio imobiliário e financiamento. Você pode contratar um consórcio mesmo sem saber ainda que imóvel vai comprar.“Aqui, o que o cliente contrata é uma carta de crédito vinculada à categoria imobiliária, e não a um bem específico. Isso abre espaço para decisões mais flexíveis ao longo do caminho”, explica Thiago Savian.Entre as alternativas para utilizar o crédito, estão:compra de imóvel novo;compra de imóvel usado;aquisição de imóvel na planta;compra de terreno;construção; ereforma.Essa flexibilidade também vale para o momento da contemplação, alerta o executivo. Mesmo que a ideia inicial seja uma, o cliente pode mudar de direção, desde que permaneça dentro da categoria.LEIA MAIS:A XP anunciou uma campanha promocional chamada “Consórcio Pontos Livelo – XPI, permite que clientes acumulem até 100 mil pontos, a depender do valor contratado. Como o consórcio pode substituir um financiamentoOutra aplicação prática do consórcio imobiliário aparece para quem já tem um financiamento em andamento e quer reduzir o custo ao longo do tempo.Nesse caso, não é necessário esperar quitar a dívida para começar, pois o consórcio pode rodar em paralelo. A lógica é simples: o cliente entra no grupo, segue pagando o financiamento e, quando é contemplado, utiliza a carta de crédito para quitar a dívida com o banco.“Basicamente, o cliente troca o custo mais alto do financiamento, baseado em juros, e entra a taxa de administração do consórcio, diluída ao longo do tempo”, complementa o diretor da Unifisa.Mas é preciso planejar os pontos a seguir para que essa estratégia funcione.Leia também:Pensando nas férias? O consórcio de viagem pode ajudar no seu planejamentoConsórcio não é dívida: os erros que mais levam à malha fina no Imposto de RendaComo definir o valor da cartaA recomendação de Savian é tomar como base o saldo devedor atual do financiamento, mas não se limitar somente a ele. Em muitos casos, faz sentido contratar um valor um pouco maior, especialmente quando não há reservas financeiras.Isso porque uma parte da própria carta pode ser usada para o lance embutido, que ajuda a antecipar a contemplação. Nesse caso, o valor disponível será reduzido no final.E se sobrar dinheiro?Quando a carta de crédito é maior do que a dívida, é comum que sobre um valor após a quitação do financiamento. Esse excedente não se perde, e pode ser direcionado de diferentes formas.“Se sobrar valor, o consorciado pode usar parte para pagar despesas como cartório e impostos. E o restante pode ser usado para reformar o imóvel ou amortizar o próprio consórcio”, diz Savian.Na prática, isso abre espaço para melhorar o próprio patrimônio. “Outra alternativa é usar os recursos para benfeitorias: trocar piso, armários, reformas, a critério do consorciado”, complementa.O que não podeApesar da flexibilidade, há limites no consórcio, e um deles é a impossibilidade de manter duas garantias sobre o mesmo imóvel. Se a intenção é quitar um financiamento, o imóvel precisa sair da garantia do banco e passar para a administradora. Isso significa que a carta de crédito deve ser usada necessariamente para liquidar a dívida. Não dá para manter o financiamento em paralelo nem usar o consórcio apenas para amortizar parte do saldo devedor mantendo a alienação com o banco.Como o consórcio pode entrar na geração de renda Para Savian, o consórcio pode ser parte de uma estratégia mais ampla de organização financeira e construção de patrimônio, que vai além da compra do imóvel em si.Um dos caminhos, segundo ele, é combiná-lo com outros ativos. Em vez de usar todo o dinheiro para comprar um imóvel à vista, o investidor pode manter parte do valor aplicado e usar o consórcio para adquirir o bem ao longo do tempo.“Ao ser contemplado, o investidor compra o imóvel e pode colocá-lo para alugar. A partir daí, entram duas fontes de receita: o rendimento do capital que permaneceu investido e a renda gerada pelo imóvel.”Leia também: Consórcio da XP pode render até 100 mil pontos Livelo; veja regrasEm alguns casos, essa combinação ajuda a equilibrar o fluxo financeiro, inclusive com potencial de cobrir parte ou até toda a parcela do consórcio.Há ainda quem use essa lógica de forma recorrente, ampliando o patrimônio ao longo do tempo. A estratégia passa por repetir o ciclo: adquirir um imóvel, colocá-lo para alugar e, a partir dessa renda, adquirir uma nova cota.No fim, o que começa como uma decisão de compra acaba abrindo outras possibilidades, avalia Thiago Savian.“A gente começa a falar de consórcio e chega em planejamento patrimonial e geração de renda”, conclui.Saiba mais sobre opções de consórcio aqui. The post Consórcio imobiliário além do básico: como usá-lo no planejamento patrimonial appeared first on InfoMoney.